Uma das coisas, pelas quais sempre lutei, foi por melhores condições de vida para as mulheres. Ao meu modo, trabalhando mais a questão da maternidade e aleitamento materno, mas sempre tendo em vista a complexa questão de relações de gênero. A Suécia é um dos países que oferecem melhores condições para a igualdade de gênero no mundo.
A Nova Zelândia foi o primeiro país do mundo a “conceder” o direito ao voto às mulheres, no ano de 1893. No Brasil, isso só foi acontecer em 1933. Na Suécia, as mulheres comecaram a votar em 1921 e, hoje, é país com mais porcentagem de mulheres parlamentares (Dados anteriores às eleicões de 2002):
1. |
Sweden |
42.7 |
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2. |
Denmark |
38.0 |
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3. |
Finland |
36.5 |
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4. |
Norway |
36.4 |
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5. |
Iceland |
34.9 |
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Nessa lista de 159 países, calculada pelo Inter-Parliamentary Union, em 2002, o Brasil é o país de número 123, com apenas 6.7% do parlamento formado por mulheres. Está bem atrás de países como Sierra Leone, Guiné-Bissau, Azerbaijão e Paraguay. Cuba é o país de numero 12 na lista, com um parlamento formado por 27.6% de mulheres enquanto que os EUA estão em 61o. lugar, com apenas 13.8% de mulheres parlamentares.
Segundo o site www.sweden.se as eleições de 2002, na Suécia, resultaram em mais um aumento proporcional da participação das mulheres. Dos 349 membros do Parlamento, 45.3 por cento são mulheres, comparado com 42.7 por cento após as eleições de 1998 e cerca de 40 por cento, após as eleições de 1994.
O número de mulheres no Parlamento tem sido mais que o triplo desde 1971. Isso é resultado de uma firme convicção, entre os partidos políticos em relação à necessidade de aumentar o número de mulheres candidatas. O maior partido político, o Social Democrata, fez um trabalho sistemático nesse sentido. Lembram da famosa quota de 25% de mulheres candidatas no Brasil? é assim mesmo que se incorpora as mulheres na política. Formando candidatas.
No executivo sueco essa igualdade entre homens e mulheres também prevalece. São 12 ministros homens e 10 ministras mulheres no Governo. No Brasil, em 31 ministros, apenas duas são mulheres, a Marina Silva, do Ministério de Meio Ambiente e a Dilma Roussef das Minas e Energia.
As condicões nas municipalidades e condados suecos são similares às do parlamento e executivo nacional. Mais de 40 por cento das conselhereiras municipais são mulheres. A representação nos conselhos de condado, cujas responsabilidades inclui saúde e servicos médicos, é ainda maior.
Mas, mesmo aqui, também se encontram alguns problemas. Embora as mulheres suecas estejam, evidentemente, presentes em todos os níveis da hierarquia de tomadas de decisão, tende-se a indicar poucas mulheres para os cargos que são escolhidos indiretamente. Recentemente, o governo e o parlamento têm investido em reverter esse quadro. Gracas a esses esforços, em anos recentes, aumentou-se o número de mulheres ocupando esses cargos de nível nacional, de 16 por cento em 1986 para 47 por cento em 2001.
A questão de gênero é tão importante nesse país que, no Governo Sueco, o Primeiro Ministro é a pessoa responsável pela sua coordenação, que não pode se desenvolver isoladamente de outras áreas de políticas e da sociedade. Todos os ministros devem analisar, acompanhar e apresentar propostas referentes à igualdade entre homens e mulheres nas esferas de suas responsabilidades. Em 1980 foi criada, no governo federal sueco a Divisão pela Igualdade de Gênero (Jämställdhetsenheten) que tem como papel relacionar-se com todos os ministérios com vistas a conseguir que tudo que se desenvolva no país seja feito sob uma perspectiva de gênero.
Enfim, o que eu quero aqui não é cantar loas para à Suécia, mas demonstrar a importância de se valorizar e tomar atitudes que visem mudanças sociais. A Suécia não foi sempre assim. O que foi feito foi um grande investimento, não apenas financeiro, mas de educação política e a gente só vai melhorar as condições das mulheres no Brasil se também levar a questão de igualdade de gênero a sério e não como apenas mais uma ação eleitoreira.
Fonte: sweden.se
Quero deixar aqui a minha homenagem a uma amiga feminista que foi encontrada morta, em seu apartamento, em Olinda, ontem de manhã. Wilma Lessa foi uma grande defensora dos direitos das mulheres, fundou o Grupo Viva Mulher e fez parte da Comissão que implantou a Delegacia da Mulher em Pernambuco. Wilma lutou, com muitas companheiras do Fórum de Mulheres de Pernambuco para ver as mulheres brasileiras vivendo em condições dignas, com respeito e direitos assegurados. Infelizmente, estamos longe disso.