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    As redes sociais vão às ruas. Como aproveitar melhor tanta energia? Marcha das Vadias e Mamaço.

    Denise Arcoverde | Feminismo | Monday, 20 June 2011

    Daqui da minha janelinha virtual, tenho observado um fenomeno interessante e, só ele, pra me fazer vencer a preguiça de escrever. Vocês perceberam como, ultimamente parece que as redes sociais estão fazendo as pessoas, finalmente, se apropriarem das suas causas, sem passar por grupos organizados? acho que isso é uma grande mudança, que introduz mais um desafio aos movimentos sociais. Como lidar com isso?

    Estou fora do Brasil há 9 anos, mas a minha historia é de ativismo em defesa dos direitos da mulher e, mais especificamente, da amamentação. Como muitas amigas, atuei numa época em que a divulgação das nossas ideias e nossos eventos era feita ainda por correio ou telefone. A simples chegada do fax, foi um avanço difícil de se compreender, hoje em dia. A comunicação era difícil e, consequentemente, a participação e as decisões acabavam sendo mais centralizadas.

    Em 1996, quando começamos a usar a internet, percebi, imediatamente, o potencial que essa ferramenta teria pros movimentos sociais. Nos organizamos em grupos virtuais e criamos nosso primeiro site, Amamentação Online, que está fora do ar, mas ajudou a milhares de mães por mais de 10 anos. Nessa época, também fiz várias palestras para ONGs sobre o uso da internet e dizia que todo mundo tinha que entrar, porque é o tipo de brincadeira que só tem graça, se a gente brinca junto.

    Hoje, ainda que a situação não seja o ideal – sim, ainda existam muitas pessoas excluidas digitalmente – o cenário é muito diferente do que eu vivi e as facilidades na comunicação não deixam muita brecha para que grupos ou pessoas se considerem don@s dos movimentos. Daqui de longe, percebo muita gente com vontade de participar, opinar, refletir e essas pessoas encontram nas redes sociais como Facebook ou Twitter, o canal que escoa toda essa energia.

    Por causa da minha história, dois eventos me chamaram atenção, recentemente. Os “Mamaços” e as “Marchas das Vadias”.

    Mamaço


    O primeiro Mamaço aconteceu em São Paulo, quando um grupo de mulheres foi dar mamar no Espaço Itau Cultural, em apoio a uma mãe que havia sido impedida de dar o seio ao seu bebê no local, dias antes. (Nem quero falar sobre o absurdo que é a restrição da amamentação em locais públicos no Brasil, coisa que eu não via há 9 anos atrás, quando vivia aí, porque isso é assunto para outro dia).

    Depois de São Paulo, o Mamaço se espalhou pelo Brasil, no Recife, Rio de Janeiro e outras cidades.  O que eu achei SENSACIONAL mesmo foi tudo ter partido de pessoas não vinculadas a nenhum grupo ou rede de amamentação, mas de mulheres que vivem ou viveram essa experiência de alguma forma e queriam se reunir para dar sua mensagem.

    Já aconteceram eventos de “amamentação coletiva” no Brasil, organizado por grupos ou insituições médicas, mas essa foi a primeira vez (que eu saiba) que o evento aconteceu de forma completamente espontânea e ainda se reproduzindo em várias cidades.

    É dificil alguém questionar o Mamaço, ou ser contra a amamentação. De uma forma geral, as reações foram as melhores, somente os idiotas do CQC fizeram seus comentários misóginos de sempre. Também, não dá pra se esperar nada melhor de um grupo que acha moderno ser racista, sexista, homofóbico e anti-semita… só não assistindo mesmo.

    Marcha das Vadias


    Como quase todo mundo já deve saber, a Slutwalk surgiu no Canadá, como uma resposta a um policial que foi pra televisão dizer que, para prevenir o estupro, as mulheres deveriam evitar se vestir como “vadias” ( “women should avoid dressing like sluts”).  A velha tendência de culpar a vítima. Indignadas, as canadenses foram às ruas, em protesto, e acabaram arrastando, espontaneamente, marchas na Inglaterra, Australia, EUA, India e no Brasil. Fora as que ainda vão aparecer.

    No movimento feminista, nem todo mundo concorda com essa estratégia de se “ressignificar” e de se apropriar da palavra “vadia” (“slut”). Eu não tenho certeza mas, a princípio, gosto da idéia. Acho que é irônico e funciona bem. Mais ainda como uma estratégia de marketing, quantas marchas de protesto contra machismo são feitas todos os anos, sem ter nem um pouco da repercussão que essa está tendo?  Pelo menos, nunca se viu tanto – pelo mundo todo – cartazes com essas mensagens:

    As redes sociais tiveram um papel fundamental pra mobilização da Marcha, em todo mundo. E eu acho que meio que pegaram até as militantes do movimento de mulheres de surpresa, em alguns lugares.

    No Recife, por exemplo, a Marcha foi organizada por duas pessoas que não têm histórico de participação em eventos feministas. Pra complicar, um deles é homem – chamado de Jesus e vestido a caráter – que (como soube depois) foi o portavoz do movimento, dando entrevistas e depoimentos.  Fiquei curiosa pra ver no que isso ia dar.

    Nada contra ter homens em ações feministas, muito pelo contrário. Mas, não deixa de ser estranho o protagonismo de um deles numa marcha que visa denunciar o machismo como o verdadeiro culpado pela violência contra a mulher.

    Com essa Marcha, foi apresentado às  feministas o desafio a que me refiro, nesse post, e que deveria ser discutido pelas amigas nas próximas reuniões do Fórum. Como lidar com a rapidez com que ações como essa se multiplicam na internet? qual nosso papel neles? como não comer mosca e, ao mesmo tempo, respeitar a expressão espontânea de apoio a uma causa que, afinal, não é somente nossa?

    No geral, acho que a Marcha foi um sucesso. Vi muitas fotos bonitas e, pra minha alegria, além da minha filha, tava todo mundo lá.

    Gostei de reconhecer muitas amigas militantes do Forum de Mulheres de Pernambuco, como Suely, Marcia, Jô, as Loucas de Pedra Lilás e muitas outras. E foi bom demais ver, juntinho a elas, uma garotada nova, instigada, carregando cartazes muito legais.

    Aqui, do outro lado do mundo, fiquei assuntando como teria sido esse encontro de gerações. Sim, porque ali tinha mulheres que podem dar aula de teoria de gênero, que têm uma bagagem de experiência no movimento que as permite ver a Marcha das Vadias com olhos bem diferentes das meninas e meninos, que estão chegando agora.

    Claro que num evento convocado pela internet tem de tudo, talvez algumas pessoas não estivessem entendendo que aquela era uma ação feminista, mas não subestimaria os meninos e meninas, não. Acho que o pessoal pode não ter a base teórica, nem entender o que é feminismo, mas teve a vontade, a disposição de ir pra rua dizer que não se pode culpar a mulher por ser vitima de estupro. Só isso, valeu a pena.

    Não li nada do que saiu nos jornais e nem vi na televisão as matérias sobre a Marcha. Não sei bem o que disse o Jesus. Claro que é uma pena que ele tenha encabeçado a Marcha. E esse é o maior desafio, na minha opinião, para os movimentos sociais. Como não “comer mosca” e tentar se integrar e participar da organização de eventos como esse, desde a origem. Pessoal, tem que ficar de olho nas redes sociais!

    Mas, o que eu achei mais bonito mesmo foi a presença do movimento de mulheres na Marcha. Provavelmente, aquela foi a primeira vez em que elas participaram de uma ação feminista como coadjuvantes, sem ter tido nenhuma responsabilidade direta no ato. E mandaram muito bem. Demonstraram maturidade para levantar a bandeira com a garotada, respeitando seu ritmo e suas iniciativas, sem atropelá-los,  ainda que tenham percebido uns escorregões aqui e ali.

    Certamente foi uma Marcha atípica pro Movimento. Além do Jesus e alguns rapazes fantasiados de mulher (o que nos pareceu muito esquisito), parece que uma das moças da organização chegou até a afirmar que não era feminista e fez duras criticas ao movimento. Bom, da mesma forma que não se nasce mulher, também não se nasce feminista.

    Pode ter faltado a ela informação, reflexão, mas existia a intenção de defender o que nós defendemos. Falamos muito aqui no blog e em outros espaços sobre os mitos em relação ao feminismo. Não podemos culpabilizar ninguém por não entender o que nós somos. Cabe à gente incluir, estimular a reflexão e respeitar os processos de transformação de cada um(a).

    Muitas vezes eu vi garotas chegarem aqui no Síndrome, dizendo que gostavam do que eu escrevia mas que ELAS não eram feministas. Meses depois começavam a entender que o feminismo não é essa coisa estereotipada que enfiam na cabeça da gente e mudaram de idéia. Sim, elas são feministas

    Eu não nasci assim, aprendi (e todo dia aprendo mais) a me tornar uma feminista. Quando era adolescente, por exemplo, minha ídola já era Pagu, mas eu era “contra o aborto”, até entender que essa é um questão muito mais complexa, e hoje sou completamente favorável à sua descriminalização.  A gente aprende. Ou não. Mas quem já está na estrada há mais tempo tem mais é que ser tolerante.

    Eu achei a Marcha das Vadias do Recife bem bacana e  um marco.

    Como estou escrevendo de fora, de longe, mas conhecendo bem as personagens, posso dizer que vi ali o momento em que o movimento historico, combativo e sedimentado se depara com a força da internet e da juventude que quer participar e, na minha opinião, se saiu muito bem. Respeitou e agregou.

    Agora é se manter ligado para que essas meninas e meninos possam estar do lado da gente. Cada um(a) no seu ritmo, cada um(a) ao seu jeito, mas sempre com respeito e participação democrática.

     

    Vídeo da Marcha das Vadias em Recife:

     

     

    Fotos:

    1 – Lula Marques/Folhapress,

    2 – Portal G1,

    3 – Guardian,

    4, 6, 7, 9 e 12 – Nilton Pereira,

    5 –  R7,

    8 e 10 –  UOL,

    11 – Suely Oliveira e

    13 –  Bernardo Soares.

    Fora as quatro primeiras fotos, todas as outras sao da Marcha das Vadias do Recife.

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    Desigualdade cai entre Nordeste e SP

    Denise | Brasil | Monday, 20 June 2011

    Para especialistas, o aumento do mínimo e o Bolsa Família ajudam a explicar a redução das disparidades na última década. De 2000 a 2010, renda média subiu 3% em cidades paulistas e 46% nas maranhenses, mas discrepâncias persistem

    ANTÔNIO GOIS e PEDRO SOARES (RJ)
    SIMON DUCROQUET (SP)

    Ainda que disparidades regionais continuem gritantes, o Brasil ficou menos desigual na década passada. A divulgação dos dados do Censo Demográfico do IBGE esmiúça como o movimento afetou as cidades.

    A comparação da renda média domiciliar per capita em 2000 e 2010 mostra, por exemplo, que municípios do Nordeste tiveram os maiores ganhos na renda por pessoa, enquanto cidades paulistas lideram a lista das que menos avançaram na década.

    Considerando apenas os municípios com mais de 100 mil habitantes -os muito pequenos são mais sujeitos a variações-, entre os 50 que mais avançaram, metade são nordestinos e um paulista (Franco da Rocha).
    Já na lista dos 50 que menos avançaram, 36 são de São Paulo. Corrigindo os valores de 2000 pela inflação acumulada em dez anos pelo INPC (indicador do IBGE), 12 tiveram até mesmo pequena queda no rendimento médio. Nove entre eles são paulistas.

    É natural que municípios mais pobres tenham margem maior para avançar mais. No entanto, isso nem sempre ocorreu num país que se acostumou com a desigualdade. Nos anos 80, por exemplo, São Paulo viu a renda média de seus domicílios subir 17%, enquanto o Maranhão avançou 7%.

    Na década passada, os domicílios paulistas registraram o menor crescimento entre todas as unidades da federação (apenas 3%), enquanto nos maranhenses a variação foi de 46%.

    Para João Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ, a “melhora substancial na distribuição regional dos rendimentos” ocorreu graças especialmente ao desenvolvimento de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e ao aumento do salário mínimo, que variou 70% na década, descontada a inflação.

    Pedro Herculano de Souza, do Ipea, explica que o Bolsa Família, apesar do baixo valor da transferência (varia de R$ 32 a R$ 242), tem impacto muito grande em cidades menores e nas quais a renda familiar é muito baixa.

    Ele lembra que a Previdência Rural, cujo benefício é vinculado ao mínimo, incide mais nessas áreas.
    Segundo Claudio Dedecca, da Unicamp, o aumento do mínimo repercute mais no mercado de trabalho das cidades mais pobres, pois um contingente maior tem rendimentos vinculados a ele.

    “A década foi marcada por ampliação da política social e crescimento de qualidade, graças à maior dispersão dos investimentos sobre o território nacional, beneficiando áreas mais pobres”, resume Lena Lavinas, da UFRJ.

    Quando se analisa o crescimento em cada município, Sonia Rocha, pesquisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, lembra que é preciso considerar, no caso de regiões metropolitanas ou aglomerados urbanos, que a renda pode ser alta em função do dinamismo de cidades vizinhas.

    Mas esse dinamismo, segundo ela, também pode ter efeito colateral. Ao atrair mais população, reduz a renda média da cidade.

    Artigo publicado na Folha de São Paulo

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    Acho que vou ali, aprender a andar de bicicleta…

    Denise Arcoverde | Vídeo | Thursday, 16 June 2011

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    Os cretinos do CQC e suas imbecilidades sobre a amamentação

    Denise | Amamentação | Wednesday, 01 June 2011

    Gente, voces nao assistem essa coisa podre, nao, neh? quando sai do Brasil isso nao existia e, obviamente, nunca vi um programa deles, mas cada vez que recebo o link pra uma cena, eh de morrer de raiva. Essas pessoas sao o retrato do que existe de pior, mais conservador, mais nojento na sociedade brasileira. CORRAM!

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