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    Blogueir@s com Dilma

    Esse blog teve
    visitantes, desde
    setembro de 2003.

    Pra gente nunca esquecer

    Denise Arcoverde | Brasil | Saturday, 29 January 2011

    Na epoca das eleicoes, fui chamada de infantil, ingenua, sentimental, piegas. Se preciso ser isso tudo pra me emocionar com D. Elzita e pra reconhecer o valor dos que lutaram, morreram e foram torturados pela ditadura militar, sou isso, e muito mais.

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    Denise | Feminismo | Wednesday, 12 January 2011

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    Por que é que Dilma é Presidenta do Brasil?

    Denise | Brasil | Monday, 10 January 2011

    Há alguns dias, vem circulando, nas redes sociais, um belo trecho dessa entrevista de Pilar del Rios:

    Há um ano que é presidente da Fundação José Saramago…
    Presidenta!…

    Presidenta?
    Só os ignorantes é que me chamam presidente. A palavra não existia porque não havia a função, agora que existe a função há a palavra que denomina a função. As línguas estão aí para mostrar a realidade e não para a esconder de acordo com a ideologia dominante, como aconteceu até agora. Presidenta, porque sou mulher e sou presidenta.

    Mas a palavra não existe!
    Porque é que entre uma mulher e um animal tem primazia o género do animal? Porque dizem “Vêm os dois” se é uma mulher e um cão quem vem? Em vez de dizerem que não se pode dizer presidenta, mas ministra sim, solucionem essa injustiça e canalhice. Que os doutos académicos resolvam um conflito que tem séculos porque não têm sensibilidade para apreciar a questão ou nem se aperceberam. Por isso, justificam com leis gramaticais ou simplesmente silenciam e riem-se das pretensões da mulher porque se acham superiores. Em quê?

    Muito bom.

    Apesar do assunto já ter saturado (e eu estar muito ocupada, pra escrever mais), me deu vontade de dar meu pitaco. Eu gosto de Presidenta. Nem vou falar em questões gramaticais, Sírio Possenti (professor do Dep. de Linguística da Unicamp) fez isso brilhantemente nesse artigo aqui (vale muito a leitura). E não me interessa se escreveram “presidente” na Constituição. PRESIDENTA existe e tá certo.

    Acho boba é a resistência de algumas pessoas em dizer uma palavrinha tão simples: PRESIDENTA. Dilma já disse que é como quer ser chamada. Então, né? ela é a presidenta. E não é bobagem, falta de assunto, nem é “só uma letrinha”, como sempre, a forma como se usa o idioma é uma questão totalmente política e deve ser tratada assim.

    Nunca tive problemas em dar o nome certo aos bois. Basta dizer como quer ser chamad@ e eu incorporo ao meu vocabulário. Me cansa o discurso enfadonho dos que acham que a vida ficou “chata” depois que se passou a pesar o que é “politicamente correto”. Essa conversa é coisa de quem tem preguiça de pensar e má vontade para colocar o respeito acima dos seus mau hábitos pessoais.

    Presidenta é bacana. É legal. É uma celebração às mulheres. Quem reclama, parece mais é que está com mimimi porque perdeu a eleição.  Já foi.

    Relaxem e curtam o prazer de dizer bem alto: nós temos uma (ótima) PRESIDENTA da República.

    Desde o dia 01, eu dou um sorriso, toda vez em que  penso nisso  :-)

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    Só digo que ontem foi um dos dias mais emocionantes da minha vida

    Denise | Brasil,Eleições | Sunday, 02 January 2011

    Pena de quem perdeu a oportunidade de viver esse momento histórico, plenamente.

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    Le Monde: Dilma herda conquistas de Lula
    com desafio de superá-lo

    Denise | Brasil,Eleições | Saturday, 01 January 2011

    Artigo no jornal francês Le Monde de hoje (via UOL):

    Um operário, uma mulher. Pela segunda vez, a democracia brasileira, outrora violentada, hoje vibrante, inova com felicidade. No sábado, 1º de janeiro, o ex-metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva cederá sua poltrona a sua sucessora, Dilma Rousseff, a ex-guerrilheira que se tornou economista e tecnocrata, eleita há dois meses a primeira mulher presidente do Brasil.

    Dilma, como todos a chamam, chega ao cargo supremo em um contexto bem mais invejável que o de 2002. Não tem necessidade, como então, de acalmar os meios empresariais que o sindicalista barbudo ainda assustava, apesar de suas promessas tranquilizadoras. Graças ao pragmatismo de Lula, nunca desmentido em oito anos, os capitais hoje afluem à Bolsa de São Paulo, para se investir ou especular.

    A nova presidente se beneficia da herança de seu antecessor. Uma democracia consolidada, livre da inflação, com uma riqueza multiplicada pelo aumento da cotação das matérias-primas. Crescimento, emprego, consumo, moeda: os grandes indicadores do Brasil estão com sinal verde. Principalmente com um fabuloso tesouro petrolífero que dorme ao largo de suas costas.

    Ao realismo econômico acrescenta-se uma relativa ousadia social. Graças ao ambiente de dinamismo e a uma série de ajudas familiares, 15 milhões de brasileiros nos últimos oito anos escaparam do desemprego, integraram a economia formal e deixaram de ser pobres ou muito pobres. Eles se uniram ao crescente exército das classes médias, ávidas por possuir, consumir e viver melhor.

    Como todo empreendimento inacabado, o de Lula inclui sua parte sombria, onde Dilma Rousseff enfrentará seus maiores desafios. A educação continua medíocre e desigual. O sistema de saúde funciona em duas velocidades. A violência e a insegurança gangrenam as metrópoles. A corrupção e o nepotismo corroem a vida pública em um país onde a política é muitas vezes vista como um simples meio de enriquecer. As infraestruturas exigem um rápido desenvolvimento para enfrentar principalmente o desafio da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016.

    Lula deixa para a nova presidente um país escutado e respeitado na arena internacional. O Brasil tornou-se um ator maior, que atrai muitos elogios e já algumas críticas, por exemplo sobre sua aproximação do regime de Teerã. Nesse campo, Dilma começou a fazer ouvir sua diferença, exprimindo com força sua preocupação pelos direitos humanos, em particular os das mulheres, no Irã e em outros lugares.

    Rousseff deve seu destino glorioso ao apoio inflexível de seu mentor, do qual ela não possui nem o carisma nem os dons de tribuno, realmente ímpares. Ela terá sem dúvida intenção de emancipar-se aos poucos dessa tutela benfazeja. Professor de otimismo, Lula inflamou o moral da nação. Essa confiança coletiva beneficia sua protegida. Mais de quatro em cada cinco brasileiros preveem que Dilma governará tão bem quanto ou melhor que o presidente mais popular da história do Brasil. Cabe a ela não os decepcionar.

    Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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    Denise | Celebrando | Saturday, 01 January 2011

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    O último dia do ano

    Denise | Celebrando,Literatura | Saturday, 01 January 2011

    O último dia do ano
    não é o último dia do tempo.
    Outros dias virão
    e novas coxas e ventres te comunicarão o
    [ calor da vida.
    Beijarás bocas, rasgarás papéis,

    farás viagens e tantas celebrações
    de aniversário, formatura, promoção, glória,
    [ doce morte com sinfonia e coral,
    que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
    [ clamor,
    os irreparáveis uivos
    do lobo, na solidão.
    O último dia do tempo
    não é o último dia de tudo.
    Fica sempre uma franja de vida
    onde se sentam dois homens.
    Um homem e seu contrário,
    uma mulher e seu pé,
    um corpo e sua memória,
    um olho e seu brilho,
    uma voz e seu eco,
    e quem sabe até se Deus…
    Recebe com simplicidade este presente do
    [ acaso.
    Mereceste viver mais um ano.
    Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
    [ séculos.
    Teu pai morreu, teu avô também.
    Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
    [ espreitam a morte,
    mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
    e de copo na mão
    esperas amanhecer.
    O recurso de se embriagar.
    O recurso da dança e do grito,
    o recurso da bola colorida,
    o recurso de Kant e da poesia,
    todos eles… e nenhum resolve.
    Surge a manhã de um novo ano.
    As coisas estão limpas, ordenadas.
    O corpo gasto renova-se em espuma.
    Todos os sentidos alerta funcionam.
    A boca está comendo vida.
    A boca está entupida de vida.
    A vida escorre da boca,
    lambuza as mãos, a calçada.
    A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

    — Carlos Drummond de Andrade

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