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    A ditadura militar, torturas e meu agradecimento a Dilma

    Leia mais sobre Brasil,Eleições.
    Publicado na Wednesday, 25 August 2010

    Atenção: Antes que outras pessoas venham torrar minha pouca paciência, informo que não escrevi esse post com o objetivo de justificar meu voto na Dilma, para isso fiz esse outro post aqui. Apesar de admirar sua militância durante a resistência à ditadura, obviamente, não é por isso que voto nela.

    Mesmo nunca tendo sido vítima direta (nem eu, nem familiares), minhas história está indelevelmente marcada pela ditadura militar no Brasil.

    Tudo começou antes da escuridão tomar conta do país. Era uma vez, dois jovens que se conheceram no começo dos anos 60, eram fãs de João Goulart e Maria Tereza (que meu pai jurava, era a cara da minha mãe), ouviam bossa nova, se apaixonaram e casaram em 63, cheios de esperança no Brasil do futuro.

    Minha mãe vivia em Triunfo, sertão de Pernambuco, para onde meu pai mudou de motocicleta e loirinho, de olhos azuis e um cabelo mais ou menos inspirado em James Dean, fascinando a estudante de licenciatura, cujo pai tinha um sítio e vivia pra cima e pra baixo, fazendo campanha política para Miguel Arraes.

    Com poucos meses de gravidez, na foto acima, meus pais provavelmente ainda não tinham muito clara a idéia do quanto o Brasil que eles amavam iria mudar. Cinco meses antes do meu nascimento, o Brasil afundava numa ditadura que viria a ser truculenta, criminosa e impressionantemente sádica.

    Meu pai era um idealista, um poeta, e eu cresci ouvindo a história da minha mãe com a barriga enorme, queimando os livros “comprometedores” do meu pai e tentando apagar os rastros de um bancário que nunca foi militante político, mas que nunca tinha medo de falar e falava muito. Coisa perigosa em tempos de repressão… e que ainda iria piorar muito.

    Eu nasci em 14 de agosto de 1964. Meu pai cantava:

    “Mulher, vou dizer quanto eu te amo
    Cantando a flor
    Que nós plantamos
    Que veio a tempo
    Nesse tempo que carece
    Dum carinho, duma prece
    Dum sorriso, dum encanto

    (Chico Buarque de Holanda)

    Minha primeira música e meu nome (homenagem à filha de João Goulart) anunciavam os tempos em que eu ia crescer.

    Eu ainda estava no berço e as meninas de 16 anos preferiam ir pra bailinhos dançar ao som de Celly Campelo, quando Dilma Roussef, garota privilegiada financeiramente, entrava na organização socialista POLOP – Política Operária e começava uma história de resistência, da qual eu me sinto devedora.

    Minhas lembranças de crescer numa ditadura militar são confusas. Não lembro de palavras, mas de sensações. Do medo da minha mãe, da raiva do meu pai, da angústia dos vizinhos barbados e sempre sérios, que ouviam Raul Seixas e sumiam, de vez em quando. Lembro de um clima pesado, triste, solene. É um sensação que, aparentemente, as novas gerações não conseguem entender.

    Lembro das intermináveis aulas de Moral e Cívica, de ter que cantar o hino e hastear a bandeira em fila, todos os dias antes da aula, caindo de sono e das fotos anuais, cercada de símbolos patrióticos. Também lembro da minha mãe, nervosa, me proibindo de repetir a piada que eu tinha ouvido: “Como  mede-se um burro?”  =)

    Mas, a imagem mais marcante da ditadura, pra mim, foi um dia, passando num ponto de ônibus, quando vi um cartaz cheio de fotinhas pequenas de moças e rapazes e perguntei quem eles eram, minha mãe deu uma resposta atravessada, eram pessoas procuradas pela polícia. Então, deviam ser perigosas.  Medo.

    Enquanto a censura escondia, como dava, da minha família e de todo Brasil o que estava acontendo, essa sensação de angústia e peso, que percebia nas músicas e que rondou minha infância tinha suas razões. Vivíamos tempos de muita dor.

    Hoje, eu fico muito, muito triste ao ver as pessoas “acusando” a Dilma de ser uma “terrorista”, “assassina”, “assaltante de banco.

    Não é pena da Dilma, que essa vai ser eleita presidenta do Brasil. Essa já tem o crédito de mais de 40% dos brasileiros e a gratidão de milhões de pessoas que, como eu, reconhecem o papel que ela e outras meninas e meninos tiveram na história do Brasil, para que possamos hoje viver numa democracia.

    Tenho pena das pessoas que não conseguem (ou não querem) entender o que foi viver em época de ditadura, tendo sonhos de liberdade. Pena de ver a história sendo deturpada e incompreendida. Parece que as pessoas perderam a dimensão do que foi essa ditadura sádica e que matou quase 300 pessoas que tinham uma vida inteira pela frente, destruindo suas famílias e deixando muitas mães órfãs.

    Não, esses “guerrilheiros” não eram perfeitos, nem tinha como ser. Muitos eram quase crianças. Imaginem os meninos de menos de vinte anos, hoje, tendo que lutar contra uma repressão brutal. Eles viviam numa pressão e num contexto de não ver saída e, ainda assim, não querer entregar o Brasil aos militares assassinos. Deram a vida, passaram anos presos, foram torturados.

    Sim, eu tenho muito orgulho de ter uma presidenta que lutou contra essa ditadura. E, agora, ainda mais. O termo “guerrilheira” ganha outra dimensão, após a tentativa da mídia golpista de usar esse período da sua história para derrubá-la nas eleições. Dilma era uma “guerrilla girl” como está escrito em minha camisa e eu me arrepio ao vê-la falar do que foi ter de mentir, sob tortura,  para salvar os companheiros.

    Não voto em Dilma porque sou petista, nunca fui nem tão militante ativa. Também não voto em Dilma porque ela é candidata de Lula. Voto em Dilma com toda a convicção de que ela é a mulher que eu quero ver presidenta do Brasil. Como não poderia deixar de ser, não é perfeita. Mas ninguém é e faz parte do aprendizado de tolerância, aceitar uma imperfeição aqui, outra ali.

    Eu acredito que Dilma será uma presidenta tão boa quanto foi Lula e a sua história só demonstra o quanto ela tem garra e princípios.

    E, para quem não sabe – ou esqueceu – veja um pouco, no link abaixo, o que era viver num período de ditadura e ser submetid@ a torturas, por pensar diferente e querer outros caminhos para o Brasil.  Assaltar um banco não é nada, perto da selvageria que a ditadura militar implantou. Não é terrorismo, é reação, é luta pela sobrevivência.

    “Você corta um verso / Eu escrevo outro
    Você me prende vivo / Eu escapo morto
    De repente / olha eu de novo
    Perturbando a paz
    /Exigindo o troco.”
    (Pesadelo – Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)


    (Sônia Maria Lopes de Moraes, morta em 73, encontrada no DOPS/SP)


    Arquitetura da dor

    Cadeira do dragão

    Nessa espécie de cadeira elétrica, os presos sentavam pelados numa cadeira revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o aparelho era ligado na eletricidade, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes, os torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde também eram aplicados choques

    Pau-de-arara

    É uma das mais antigas formas de tortura usadas no Brasil – já existia nos tempos da escravidão. Com uma barra de ferro atravessada entre os punhos e os joelhos, o preso ficava pelado, amarrado e pendurado a cerca de 20 centímetros do chão. Nessa posição que causa dores atrozes no corpo, o preso sofria com choques, pancadas e queimaduras com cigarros

    Choques elétricos

    As máquinas usadas nessa tortura eram chamadas de “pimentinha” ou “maricota”. Elas geravam choques que aumentavam quando a manivela era girada rapidamente pelo torturador. A descarga elétrica causava queimaduras e convulsões – muitas vezes, seu efeito fazia o preso morder violentamente a própria língua

    Espancamentos

    Vários tipos de agressões físicas eram combinados às outras formas de tortura. Um dos mais cruéis era o popular “telefone”. Com as duas mãos em forma de concha, o torturador dava tapas ao mesmo tempo contra os dois ouvidos do preso. A técnica era tão brutal que podia romper os tímpanos do acusado e provocar surdez permanentera ou um tubo de borracha dentro da boca do acusado para obrigá-lo a engoli

    Soro da verdade

    O tal soro é o pentotal sódico, uma droga injetável que provoca na vítima um estado de sonolência e reduz as barreiras inibitórias. Sob seu efeito, a pessoa poderia falar coisas que normalmente não contaria – daí o nome “soro da verdade” e seu uso na busca de informações dos presos. Mas seu efeito é pouco confiável e a droga pode até matar

    Afogamentos

    Os torturadores fechavam as narinas do preso e colocavam uma mangueir água. Outro método era mergulhar a cabeça do torturado num balde, tanque ou tambor cheio de água, forçando sua nuca para baixo até o limite do afogamento

    Geladeira

    Os presos ficavam nus, numa cela baixa e pequena, que os impedia de ficar de pé. Depois, os torturadores alternavam um sistema de refrigeração superfrio e um sistema de aquecimento que produzia calor insuportável, enquanto alto-falantes emitiam sons irritantes. Os presos ficavam na “geladeira” por vários dias, sem água ou comida

    Fonte: Mundo Estranho

    O projeto Brasil – Nunca Mais reuniu relatos dos que sofreram com a ditadura militar e o livro na íntegra pode ser baixado nesse site.

    Além dos exemplos citados acima, o livro Brasil: Nunca Mais” tem outras descrições impressionantes de tortura física e psicológica, com requintes de sadismo, contra os que lutavam contra a ditadura militar.

    - “ao retornar à sala de torturas, foi colocada no chão com um jacaré sobre seu corpo nu; ”

    - “a interroganda quer ainda declarar que durante a pri­meira fase do interrogatório foram colocadas baratas sobre o seu corpo, e introduzida uma no seu ânus.”

    - “ em determinada oportunidade foi-lhe introduzido no ânus pelas autoridades policiais um objeto parecido com um limpador de garrafas; que em outra oportunidade essas mes­mas autoridades determinaram que o interrogado permaneces­se em pé sobre latas, posição em que vez por outra recebia além de murros, queimaduras de cigarros; ”

    - “o interrogado sofreu espancamento com um cassetete de alumínio nas nádegas, até deixá-lo, naquele local, em carne viva, (…) o colocaram sobre duas latas abertas, que se re­corda bem, eram de massa de tomates, para que ali se equi­librasse, descalço, e, toda vez em que ia perdendo o equilíbrio acionavam uma máquina que produzia choque elétricos, o que obrigava ao interrogado à recuperação do equilíbrio;”

    - “obrigaram o acusado a colocar os testículos espaldados na cadeira; que Miranda e o Escrivão Holanda com a palma­tória procuravam acertar os testículos do interrogado;”

    - “foi o interrogado tirado do hospital, tendo sido nova­mente pendurado em uma grade, com os braços para cima, tendo sido lhe arrancada sua perna mecânica, colocado um capuz na cabeça, amarrado seu pênis com uma corda, para impedir a urina; (…) Que, ao chegar o interrogado à sala de investigações, foi mandado amarrar seus testículos, tendo sido arrastado pelo meio da sala e pendurado para cima, amarrado pelos testículos;”

    - “que passou dois dias nesta sala de torturas sem comer, sem beber, recebendo sal em seus olhos, boca e em todo o corpo, de modo que aumentasse a condutividade de seu cor­po;”

    - “e ainda levaram seu filho para o mato, judiaram com o mesmo, com a finalidade de dar conta de seu marido; que o menino se chama Francisco de Souza Barros e tem a idade de nove anos; que a polícia levou o menino às cinco horas da tarde e somente voltou com ele às duas da madru­gada mais ou menos;

    - “Na tentativa de fazerem falar o motorista César Augusto Teles, de 29 anos, e sua esposa, presas em São Paulo em 28 de dezembro de 1972, os agentes do DOI-CODI buscaram em casa os filhos me­nores deles e os levaram àquela dependência policial-militar, onde viram seus pais marcados pelas sevícias sofridas:

    - “Na tarde desse dia, por volta das 7 horas, foram tra­zidos sequestrados, também para a OBAN, meus dois filhos, Janaina de Almeida Teles, de 5 anos, e Edson Luiz de Almeida Teles, de 4 anos, quando fomos mostrados a eles com as ves­tes rasgadas, sujos, pálidos, cobertos de hematomas. (…) So­fremos ameaças por algumas horas de que nossos filhos se­riam molestados.”

    - “ameaçaram de tortura seus dois filhos; que torturaram seu marido também; que seu marido foi obri­gado a assistir todas as torturas que fizeram consigo; que também sua irmã foi obrigada a assistir suas torturas; ”

    - “a interrogada foi submetida a choques elétricos em varias lugares do corpo, inclusive nos braços, nas pernas e na vagina; que o marido da interrogada teve oportunidade de presenciar essas cenas relacionadas com choques elétricos e os torturadores amplificavam os gritos da interrogada, para que os mesmos fossem ouvidos pelo seu marido; ”

    - “A qualquer hora do dia ou da noite sofria agressões fí­sicas e morais. “Márcio” invadia minha cela para “examinar meu ânus e verificar se “Camarão” havia praticado sodomia comigo. Este mesmo “Márcio” obrigou-me a segurar o seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante este pe­ríodo fui estuprada duas vezes por “Camarão” e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidade, os mais grosseiros.”

    - ” que, um dia, irromperam na “geladeira”, ela supõe que cinco homens, que a obrigaram a deitar-se, cada um deles a segurando de braços e pernas abertas; que, enquanto isso, um outro tentava introduzir um objeto de madeira em seu órgão genital; ”

    - “(grávida) foi ameaçada de ter o seu filho “arrancado à ponta de faca”;

    - “sofreu sevícias, tendo, inclusive, um aborto provocado que lhe causou grande hemorragia, “

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