O Síndrome de Estocolmo já existe há mais de sete anos e eu nunca estive tão bloqueada pra escrever.
Sempre adorei comentar tudo o que vinha pela minha cabeça, blogava todo dia, pouquíssimas vezes me arrependi do que escrevi, fiz grandes amig@s, lembro de todo mundo que passou por aqui. Mas também tive que aturar muitos malas.
Não são as críticas eventuais que incomodam – as discordâncias sempre foram aceitas e discutidas – mas, aquelas criaturas que só escrevem pra ser “do contra”. Nunca comentam nada bacana, mas ficam na espreita pra detonar assim que encontram uma brecha. Isso, sem falar dos grossos e mal educados mesmo.
Dia desses, no Twitter, fiquei sabendo do post feito por Eduardo Guimarães, sobre o ataque feroz de trolls no blog dele (o UOL não dá link específico por post dele, mas vá até o blog dele e o post a que me refiro fica lá embaixo, “O fim dos trolls”, do dia 15 de março). Eduardo tinha escrito sobre a recusa de Lula em homenagear o pai do sionismo e estava arrasado com a reação dos trolls:
… tive que ficar “peneirando” comentários para não deixar essas aberrações humanas atacarem até minha filha doente desejando-lhe a morte ou perguntando quanto é que minha filha que está na Austrália está cobrando por um “programa” por lá…
Horrível, mas o nível é esse mesmo. Quanto mais gente visita o blog, pior a coisa fica.
E nem precisa falar de Lula. A dinâmica é a seguinte…. se você diz que está feliz, é porque você está querendo criar uma personagem, uma vida irreal. Se você fala dos seus problemas, você é louca, exibicionista, está se expondo. Se você tem uma dor, é porque quer fazer drama e chamar atenção. Se não tem dor nenhuma, quer passar uma imagem irreal, invencível. Não tem como acertar.
Aí, se você responde, é porque é uma blogueira que “não aceita críticas” Sabe como é? você tem que ler o que dizem, publicar e ficar calada. Até moderar comentários foi algo que comecei a fazer recentemente, achava que tinha que dar a cara a tapa.
Por que eu levei tantos anos pra deixar isso me afetar tanto? acho que nunca pensei muito no que isso significava, ia apagando os comentários desagradáveis, comecei a moderar quando a coisa piorava. Mas por mais que a gente tente não ler tudo – dá pra desenvolver uma técnica de apagar nas primeiras palavras, sem precisar ir até o fim – aquela energia negativa toda passa pra você.
E pra quê? sinceramente, estou feliz. Muito. Provavelmente mais que nunca na vida. Tenho uma vida tranquila, longe de perfeita, mas dentro dos meus valores, é exatamente o que eu gostaria que fosse. Pra que me contaminar com tanta amargura e mau humor?
Mas, a verdade é que passei a ficar muito mais auto-consciente do que eu escrevo e do que isso representa pra minha “imagem”. A brincadeira perdeu a graça, porque sempre escrevi de primeira, sentava e fazia um post, muitas vezes sem reler, sem revisar. Claro que sempre tive um filtro, nunca me expus mais do que achava que devia. Se ler tudo que publiquei, não me envergonho de nada.
Quando encontrei o super blogueiro e amigo E.S. em Recife, ele me disse que achava que eu não me expunha, mas que ia até onde eu sabia que dava pra ir, sem exageros. Era o que eu pensava.
Mas, agora, a cada um dos mais de dez posts que eu comecei, e não publiquei, fico medindo o que vão dizer, como vão reagir. Se estou sendo piegas, se estou parecendo que quero agradar, se sou coerente, se estou ofendendo alguém, se parece que é uma indireta (odeio isso!), se parece post de auto-ajuda, se é pseudo-intelectual. Com tantas variáveis, acabo cansando e desisto.
Não foi o Twitter que me fez sumir, nem é porque minha vida tá muito boa (tá mesmo, toc toc toc), mas blogar deixou de ser algo leve e divertido, só isso.
Estou escrevendo esse post e já pensando que vão dizer “ela quer ouvir o pessoal pedindo pra ela não parar de blogar, é fake etc.”. Saco. É o oposto. Quero re-começar uma nova fase aqui. Ou eu blogo como sempre, sem me preocupar tanto com o que escrevo, sem me preocupar com as conclusões que tiram sobre mim, sem procurar aprofundar e explicar cada linha, ou paro de vez, mesmo.
Como não pretendo parar. Espero que esse post seja uma catarse pra minha volta à nossa pracinha (o anterior já foi um chute no balde, quem não gostar do meu amor piegas que vá procurar um blog mal humorado pra se divertir.)
Vou tentar postar mais frequentemente, o que quiser, como era antes e os malas, continuarão sendo bloqueados e espero que decidam cantar em outra freguesia, afinal, se não gostam de mim, nem do que eu escrevo, pra que vir aqui?
E sei que não sou a única. Muitas amigas blogueiras acabaram desistindo de blogar por não aguentar a encheção de saco desses vampiros emocionais que vivem apenas pra sugar nossas energias.
Não vou reler esse post, nem revisar, pra não desistir de publicar, como fiz com os outros =)
Beijocas e obrigada pela paciência.
PS.: os comentários de vocês me fizeram ter vontade de voltar, é incrível pensar em tanta gente que vem aqui há tantos anos e que viveu tanta coisa comigo. Mas o que a Sil escreveu ontem, foi particularmente bacana:
“Engraçado, achei seu site ha uns 5 anos atras, no alto de uma crise de fim de casamento, momentos muito dificeis para mim. Ali me sentia em casa, com um mundo mais vasto enquanto mulher.
Passado todas as crises, e a separaçao e pós separaçao, hoje ja faz 2 anos que estou com uma pessoa muito espcial para mim. E há 1 mes resolvemos morar oficialmente juntos, ainda estou pisando em ovos, pois pensei nunca mais querer isso, mas lendo seu post de hoje, percebi o quanto tambem estou feliz nesse momento, e mais amadurecida.”
Obrigada Sil e todos meninos e meninas que acompanha o SdeE, é muito legal ver que estamos amadurecendo e aprendendo junt@s. Não quero perder isso.