Eu não compro coisa cara. Ponto. Nem é que eu seja “pirangueira” (avarenta, no dialeto pernambucano, que eu adoro), eu até confesso que gosto de comprar umas coisinhas, mas eu (1) detesto fazer papel de consumidora otária, (2) não tenho dinheiro sobrando e (3) mesmo que fosse rica, eu tenho prazer mesmo é em descobrir uma boa pechincha.
Os preços, no Brasil não estão dentro de nenhuma normalidade. Eu sei que sempre existiram as lojas mais caras e essas das fotos no post anterior, obviamente, são mais caras que o geral, mas gente, fora a Maria Bonita, todas as outras são marcas desconhecidas. São lojas carésimas que nem existiam há pouco tempo (que eu saiba).
Mas, mesmo as lojas mais caras, “de marca”, como se diz, há alguns anos, tinham preços que eram possíveis para alguns pobres mortais, como nós. Eu nunca dei a mínima pra etiqueta na roupa, mas por serem coisas muito especiais, cheguei a comprar, por exemplo, uma calça Triton (que é bem boca-de-sino, eu adoro e até coube em mim novamente
), não lembro o preço, mas se eu comprei não era nada nem parecido com os preços de hoje.
Bia usou muita roupa da Colcci, ela tinha sapatos, muitas camisetinhas e vestidos. Apenas há uns dois ou três anos, minha mãe deu um vestidinho pra ela super bonitinho (que está à venda no brechó) e que custou cerca de R$ 150,00, caríssimo, na minha opinião mas, hoje em dia, esse é o preço das camisetinhas mais baratas e a loja tem shortinho minúsculo, de jeans, que custa quase o dobro.
Eu lembro de garota que trabalhava no Grupo origem e comprou um vestido de formatura numa loja que se chama Flor de Maracujá. O preço era caro, mas totalmente viável (inclusive pra funcionária de uma ONG minúscula!), hoje, os vestidos de festa custam sempre mais de mil reais, muitos custam dois mil, três mil… tenho certeza absoluta que ela não comprou nada numa faixa de preço equivalente a isso.
Pra terminar, as lojas populares (onde eu realmente perco meu tempo garimpando coisinhas baratas), estão com preços igualmente proibitivos.
Minha mãe me deu um vestidinho lindo, longo, preto, tomara-que-caia, que eu escolhi na Riachuelo. Custou R$ 89,00. Isso são uns US$ 45.00. Gente pra uma loja como essa, é MUITO caro. Aí, eu fui na C&A e fiquei boba com os preços. Vestidinhos por R$ 105,00… R$ 79,00… eu lembro muito bem que um vestidinho custava, no máximo, uns US$ 20,00 por lá. E isso quando o dolar era mais ou menos o valor de hoje. R$ 40,00, R$ 45,00 era o preço que eu imaginava um vestido por aqui.
Finalmente, consegui comprar três vestidinhos lindos de jersey (adoto o tecido, é confortável, e estou louca por estampas e nos EUA e Coréia não tem nada igual a esses daqui). Um deles é o das fotos aí acima, que eu comprei numa loja que sempre foi super barata, Coliseum (dos mesmos donos da Cenarium). Eles custaram uma média de R$ 45,00, cada. Preço razoável, mas o detalhe é que… estavam com 50% de desconto. Portanto, numa loja popular, um vestidinho de malha custava US$ 50.00!
Sei não, eu estou mesmo perplexa com esses preços. A gente sempre soube que muitos brasileiros adoram ostentar marca, na verdade, adoram se diferenciar dos outros, através de roupas de griffe, mas fico besta em ver a que ponto essa paranóia por status pode chegar.
Antes de mudar de Washington, eu comprei na loja Ann Taylor Loft uma blusinha idêntica a essa – que vi aqui por R$ 599.00, numa loja “de marca” desconhecida. A minha blusa é mais bonita, tem um acabamento impecável, é feita numa seda lindíssima, super delicada (vou fotografar em breve). Não lembro quanto paguei, mas sei que foi em promoção. Mas, mesmo se não fosse, o preço normal dela seria US$ 44.00. Não tem absolutamente nenhum motivo pra esse pedaço de pano custar US$ 300.00, no Brasil.
E nem adianta dizer que a blusinha da AnnTaylor é made in china, porque a maioria daqui também é e quando não é, a produção é feita por pessoas que tem um salário e condições de trabalho bem parecidos com os amigos orientais. O excedente no custo não é imposto de importação, transporte, é ganância muita mesmo.
Repito, há alguns anos, não existiam, nos shopping centers da vida, blusinhas que custavam US$ 300.00, isso era coisa que a gente ouvia falar na nojentinha Daslu.
Enfim, como as meninas disseram, se tá na loja, tem quem compre. Uma pena, é uma distorção no país que está melhorando em tantas outras áreas mas, Infelizmente, essa é uma característica do mercado brasileiro, basta rolar um pouquinho mais de dinheiro e os predadores avançam com tudo, capitalismo selvagem é aqui.
Desabafem também, amig@s…