Racismo branco renasce com indústria cosmética na África e na Ásia
Artigo do jornal espanhol El País, traduzido e publicado na Folha de São Paulo

A herança pós-colonial renasce: os branqueadores de pele e as operações para arredondar traços faciais triunfam na Ásia e na África
Por Lali Cambra e Ana G. Rojas
A promessa é clarear a pele um ou dois ou três tons. Milhões de mulheres – e cada vez mais homens – de todo o mundo transformaram os cremes que dizem branquear a pele em um filão para a indústria cosmética. Consciente disso, esta os anuncia de forma agressiva e sem rodeios, especialmente na Índia e nos países do Sudeste Asiático, o que lhe concedeu a duvidosa honra de ser acusada de abandeirar uma nova – e multimilionária – vanguarda racista: branco é bonito; negro é vergonhoso.
Uma herança maldita, mas ainda em vigor nas sociedades pós-coloniais. Isto é, na maior parte do mundo. Como amostra, um símbolo. O anúncio de White Beauty (beleza branca), um creme da Pond’s da filial indiana da Unilever. Priyanka Chopra, uma das atrizes mais bonitas e famosas de Bollywood, sofre porque seu namorado, Saif Ali Khan, o herói indiano do momento, foi embora com a outra bonita da filmagem, Neha Dhupla. A garota abandonada vai recuperar seu amor quando conseguir ter uma pele mais pálida – graças, é claro, a White Beauty. O desenvolvimento desse famoso triângulo amoroso, anunciado em capítulos na televisão indiana, reabriu o debate sobre a grande obsessão pela pele branca nesse país, cuja maioria da população tem pele escura.
“É um escândalo, é um comercial muito racista que aumenta os preconceitos pela cor da pele”, diz Subashini Ali, presidente da Aidwa, ala feminista do Partido Comunista da Índia, promotora da campanha contra o comercial. Para Unilever da Índia, “não há intenção de discriminar de maneira alguma. Como empresa valorizamos e respeitamos a diversidade de necessidades e aspirações de nossos clientes”, diz seu porta-voz, Prasad Pradhan, que lembra que na Índia se usam tradicionalmente remédios caseiros para branquear a pele, e por isso a companhia só está trazendo um produto que o mercado demanda.
Para o professor da Escola de Administração Ross da Universidade de Michigan, estudioso da campanha da Unilever, Aneel Karnani, por sua vez, o anúncio reforça antigos preconceitos, “e não tradições inexistentes”. Karnani mostra-se preocupado também pelo sexismo da publicidade – “a mulher tem de estar bonita para satisfazer o homem” -, e lembra que a Unilever no Ocidente comercializa a marca Dove, responsável por uma campanha para “libertar a nova geração de estereótipos de beleza”.
O anúncio na Índia acionou os alarmes por se tratar de três superestrelas. Mas não é o primeiro nem o único. Os cremes branqueadores enchem as prateleiras das lojas indianas, acessíveis a todos os bolsos, começando desde o equivalente a menos de 1 euro até várias dezenas de euros por um tubo de creme. E a grande maioria tem comerciais deslumbrantes. Uma infinidade de marcas locais, mas também Nivea, L’Oreal, Procter and Gamble, The Body Shop, Avon, Clinique ou Revlon comercializam seus produtos.
É que o mercado indiano gasta em “cuidados da pele” mais de US$ 640 milhões por ano, segundo um estudo de mercado da AC Nielsen, uma cifra que não pára de crescer a passos agigantados.
Os analistas consultados por El País mostram sua preocupação pela facilidade com que esse racismo global – e seus anúncios – é aceito nos países asiáticos e do Pacífico, entre os quais se destacam China, Japão, Filipinas e Coréia. Neste último, a cirurgia estética nas pálpebras para conseguir olhos arredondados é a mais procurada. Nos EUA, essa operação é a terceira cirurgia estética mais procurada, só depois da lipoaspiração e do aumento dos seios.
“Em muitos países asiáticos, ter a pele branca era uma característica feminina, mas hoje, com campanhas agressivas e racistas, também é um sinal de modernidade aceito por toda a sociedade”, explica Amina Mire, professora do Departamento de Antropologia e Sociologia da Universidade de Carleton, Canadá. O mercado de branqueadores está, segundo Mire, perfeitamente assentado no continente asiático, o terceiro em lucros depois dos EUA e da Europa (onde são comercializados para mulheres brancas como produtos antiidade ou antimanchas).
Para Margaret Hunter, especialista em políticas raciais e de gênero da Universidade Mills da Califórnia, esse novo racismo global, originado por ideologias coloniais (as pessoas de raças mistas de compleição mais branca tinham situações privilegiadas em relação às mais escuras, por ter trabalhos protegidos dos raios de sol) e por um racismo interiorizado nas antigas colônias, e incentivado também por visões de uma nova ordem mundial. Este tem como premissa a exportação por parte dos EUA e de sua mídia da beleza branca e, ocasionalmente, a de mulheres negras de pele clara (e quanto mais clara melhor, vista a recente polêmica criada pelo suposto branqueamento, através do software Photoshop, da pele da cantora Beyoncé em um anúncio da L’Oreal).
Em todo o mundo, “na televisão, cinema, Internet ou imprensa se prefere a mulher loura e branca não mais como ideal cultural, mas como imperativo cultural”, diz Hunter. Estudos obtidos por ela indicam que nos EUA latinos e afro-americanos de pele mais clara têm maior acesso ao trabalho, status, dinheiro ou para encontrar parceiro(a). Algo que também ocorre na Índia, onde as mulheres mais morenas têm mais problemas para encontrar marido e seu dote encarece.
Nas sessões de anúncios de casamento, onde os pais buscam parceiros para seus filhos, a palavra “fair” (pele branca) sobressai em todos os anúncios. “Quero ter uma pele mais branca para ser mais aceito. Assim terei uma namorada mais bonita e meus ganhos aumentarão porque serei mais carismático”, diz um jovem visto em um mercado de Nova Déli comprando “Fair and Handsome” (branco e bonito), um dos produtos destinados ao público masculino.
Apesar de o desejo de embranquecer a pele cruzar o espectro social, é entre as classes médias e baixas que a indústria tem mais adeptos. Isso é o que mais critica também o professor Karnani: “Os produtos são vendidos para gente jovem e impressionável e para mulheres pobres, às quais vendem embalagens econômicas. É exploração. Isso não é potencializar a mulher, potencializar a mulher é fazê-la sentir-se bem do modo como nasceu, de forma que não sinta que tem de comprar esse produto. E, além disso, à diferença do comprimento do cabelo, de ser mais ou menos gorda, a cor da pele é impossível de mudar”.
Para outros, a questão não tem nada a ver com supremacia racial: “A obsessão por ser branco na Índia não tem viés racista, é só um conceito de beleza, todo mundo quer o que não pode ter”, diz uma estudiosa de comportamento do consumidor em Nova Déli, que prefere não dar seu nome.
Esse aumento no consumo de cosméticos não se limita aos subcontinente indiano e ao continente asiático. Nos EUA também se pratica, embora em menor medida, devido ao vigor do movimento pelos direitos civis entre a população negra. Segundo Amina Mire, assim como na África “onde o branqueamento foi associado à opressão colonial branca e os que o praticam são acusados de ter complexo de inferioridade, de se odiar. Por isso é praticado às escondidas”. Como branquear a pele é motivo de vergonha, os produtos são vendidos clandestinamente.
“A África é o lixo dos cremes tóxicos, portanto mais baratos”, afirma Mire, que acrescenta que como as pessoas os usam às escondidas só chegam ao médico quando os produtos tóxicos já causaram danos às vezes irreparáveis.
Tanto Mire quanto Hunter lembram que muitos países africanos proibiram o uso de determinados produtos por seu risco à saúde (em 2004 a Tanzânia proibiu 83 marcas diferentes, embora em muitos países continuem sendo encontradas sem dificuldade em mercados ou em vendedores ambulantes) e realizaram campanhas para promover a beleza estética africana, o que, segundo Hunter, é “um trabalho crucial, já que a mensagem de superioridade branca satura o mercado”.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do El País







Denise,
Obrigada por disponibilizar o texto em seu blog. Tentei acessá-lo pelo Uol hoje, mas o acesso era restrito.
Um grande abraço,
sabrina
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Denise, te mandei um e-mail sobre o relicário, quando puder me responder…Obrigada
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e eu, que sou branca leite, querendo ter a pele mais moreninha…
uma pergunta: e no Japão, onde as gueixas utilizavam maquiagem branca no rosto, pois seria mais atratente para os homens, seria também em função do imperialismo branco?
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Denise,
Obrigada por disponibilizar o texto em seu blog. Tentei acessá-lo pelo Uol hoje, mas o acesso era restrito. [2]
Otima iniciativa!
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Meu Deus, prá onde caminha a humanidade!!!?
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Tuo bem, sso eh uma situacao quase que inaceiavel….. mas pergunto, porque nao ha o mesmo debate contra os cremes de bronzeamento?? Fake tan, spray tan e etc? A gente no ocidente nao estamos fazendo a mesma coisa qdo aplicamos um fake tan?
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Denise, acho interessantíssimas suas discussões no blog, sempre nos fazendo refletir sobre questões atuais que muitas vezes não paramos para pensar…
Agradeço as aulas que tive na faculdade de Ciências Sociais, pois me ajudaram a ver o mundo, e as outras pessoas, de maneira mais crítica.
Eu também já sofri preconceito por ser gorda, e muitas vezes achava que o ideal era aquele padrão esquelético da moda, mas hoje, com as experiências que vou adquirindo, sei valorizar o melhor em mim e não fico mais tão preocupada se não estou dentro de um padrão estético… algumas pessoas ao meu redor se incomodam muito mais que eu e vivem me indicando um remédio milagroso, um médico incrível, uma dieta infalível… ficam impressionadas como consigo me vestir bem e estar sempre produzida, mesmo tenho uma gordurinha na barriga, uma perna mais grossa… como se todo gordo não tivesse senso de estética!! a moda é para todos, é só saber o que vc gosta ou não!! a diferença, acho eu, é que assumo o corpo que tenho e não tento “camuflá-lo” com roupas imensas e quadradas. Essas roupas não farão a minha gordura sumir!
Bem, falei muito né?! só queria dizer que infelizmente muitas pessoas vão cair nesta “armadilha” de perseguir um ideal estético inalcançável porque não aprendem a se valorizar e a valorizar sua cultura.
BJS
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Oi Denise! É muito nítida essa preferência em Hollywood por essas moças negras, pero no mucho, com traços europeus e olhos claros. Outro dia minha sogra estava comentando que as negras americanas eram tão diferentes das do Brasil, com narizinhos finos e cabelos lisos. A gente vê que eles devem escolher a dedo essas atrizes porque quando reparamos nos homens negros que fazem sucesso por lá o perfil é bem diferente.
No Brasil eu sinto também que acontece isso. E aquele alvoroço todo em cima da atris Débora Nascimento, a mulata de olhos verdes e traços finos?
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Denise,
Estou fazendo uma monografia sobre como a propaganda reforça estereótipos, exemplificando o caso da velhice, e achei em seu blog informações de grande valia e chocantes também. Não sabia que existia um creme p/ branqueamento e venho acompanhando a divulgação dessas notícias aqui e incluírei na minha monografia pois é inacreditável que ainda hoje tais práticas ainda sejam aceitas.
Fiquei impressionada com as propagandas da Pond´s, horrendas e só fortalecem preconceitos.
Bjs
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Primeiramente, parabéns pelo seu blog! Muito bem redigido e escrito de uma forma divertida e, ao mesmo tempo, instrutiva.
Na verdade, essa história de que branco é bom e preto é ruim, o que realmente existe, não é muito adequado para este contexto.
A obssessão pela pela clara, no caso da Coréia e de alguns países do asiáticos, tem explicações históricas.
Antigamente, as pessoas que tinham a pele mais morena eram aquelas que trabalhavam no campo, sujeitas à exposição do sol, enquanto as mais brancas faziam parte da nobreza. Portanto, a cor da pele refletia o status social das pessoas, e, no caso da Coréia, este é o motivo de a sociedade, até hoje, ver com bons olhos a pela mais clara.
Espero ter ajudado. Continue com esses excelentes textos. Abraços do seu Brasil!
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A VERDADE SOBRE O RACISMO ASIATICO
Sou ocidental e tenho muita admiração pelos orientais, especialmente pelo povo japonês, por serem um povo trabalhador, inteligente, muito educado, um dos povos mais corretos e justo do mundo…O que não presta são os governos japonês e suas elites traidoras, composto por covardes, puxa saco dos ocidentais.
Clareamento da pele do rosto no Japão e na Coréia é uma tradição muito antiga, remontam aos séculos passados, muito antes dos ocidentais chegarem no continente, veja o exemplo das gueixas japonesas q já pintavam o rosto com pó de arroz para ficar com rosto branco. De fato, muitas japonesas também tem a pele branca! muitas japonesas tem a pele naturalmente clara ou quase branca, enquanto q as filipinas, tailandesas, indonesias etc são mais morenas. As japonesas pintam os cabelos de castanho claro, loiro, ruivo etc, para diferenciar da multidão. Elas dizem q cabelo escuro é sóbrio. Todas orientais tem cabelos negros e lisos entao elas pintam os cabelos só para diferenciar.
AS ORIENTAIS-ASIATICAS ADMIRAM O MODO DE VIDA EUROPEU-AMERICANO, ELES ADMIRAM A MODERNIDADE E O LUXO OCIDENTAL, A VAIDADE E A BELEZA OCIDENTAL…..ENTRENANTO, ISTO NÃO SIGNIFICA Q AS ASIATICAS GOSTAM DOS OCIDENTAIS, PELO CONTRARIO! OS ASIATICOS EM GERAL CONSSIDERAM OS OCIDENTAIS POUCOS CONFIAVEIS, ELES PENSAM Q OS OCIDENTAIS SÃO DE FATO SADICOS, FOLGADOS, SEM ETICA, ARROGANTES, MAL EDUCADOS, IMPERIARISTAS GENOCIDAS, IGNORANTES SELVAGENS. MUITOS ORIENTAIS DETESTAM OCIDENTAIS.
Os asiáticos, especialmente os japoneses por serem uma sociedade civilizada, escondem a rixa q sentem dos ocidentais, De fato, os japoneses, coreanos e até os chineses se acham cultural e Eticamente superiores a todos os ocidentais. Assuntos raciais no Extremo-Oriente é um tabu! eles detestam discutir sobre esses assuntos. Os asiáticos não são racistas! são preconceituosos culturalmente, e não racistas!. Preconceito e racismo são coisas diferentes. Eu acredito que os verdadeiros racistas são os ocidentais q são obcecados pela raça, racismo se tornou uma mania no mundo ocidental.
Sou descendentes de japoneses mestiços, e tenho aparência brasileira-caucasiana. Morei no Japão desde 2002, também fiz turismo na Coréia do Sul e Taiwam, e nunca fui ofendido racialmente na rua ou comercio e nunca notei racismo nestes países, nem contra os negros. Apesar de toda arrogância e ignorância dos supremacistas ocidentais ao longo dos seculos e crimes cometidos pelos negros contra asiáticos, esses olhinhos puxados permanecem extremamente tolerantes com turistas e imigrantes ocidentais. Por isso acredito é melhor para os asiáticos permanecerem distantes geograficamente dos ocidentais, para evitarem de serem contaminados pela doença chamado racismo ocidental!
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Racismo não tem fronteiras raciais. Por que alguns negros do Brasil ofendem os japoneses? Qual seria o motivo? Foram prejudicados pelos asiáticos, ou sentem inveja? Ignorância induzido pela média americanizada, ou puro preconceito? seja como for…a humanidade tem muito a aprender.
Feliz ano novo! abraços!
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