
Finalmente, estou no vôo Toronto, Washington, DC. Meu último trecho (post escrito no dia 27). Na verdade, a essa altura, minha impressão é que, quase sempre, quando a gente pensa no que vai ser, as viagens parecem muito piores do que são, quando já estão no fim. Com todo caos da malha aérea brasileira, minhas viagens foram tranquilíssimas.
Pra me garantir de imprevistos, marquei meu vôo do Recife no dia 26, à meia noite e meia, mesmo com o meu vôo de SP para Toronto (Canadá) saindo somente às 21:30h. É melhor garantir.
Às 9.30 da noite, Marta (minha amiga há quase 30 anos!), foi me buscar lá na casa da minha mãe e, antes de sair, ficamos ainda umas horinhas batendo papo, enquanto eu fazia os arranjos finais.
Mesmo ainda tendo um apartamento todo montadinho, decidi ficar com a minha mãe, porque assim teríamos mais tempo juntas. E vejam só o que aconteceu. Tem Velox, no quarto dela, mas eu já estava preparada pra fazer uma rede pra usar meu computador no meu quarto, antes de dormir, ao acordar…. mas quando abri o laptop, surgiu uma rede wi-fi, sem senha, de uma empresa vizinha que, sem saber, me proporcionou internet dia e noite, durante minha estadia na casa da mamãe… hehehehe… um pequeniníssimo roubo de banda que facilitou muito as nossas vidas.
Mas, voltando à hora de ir embora, essa foi dolorosa, como sempre. Minha mãe disse que nunca esperou ter uma filha vivendo tão longe, sei que fica mal acostumada com minha presença, eu tambem sinto saudades dela, do meu irmão, cunhada, sobrinhos e amigos, mas a vida precisa seguir seus rumos, a gente chora, fica com saudades, mas ela sabe que sou feliz em Washington, com Ted e Bia e isso a deixa mais tranquila. Mas, ver a carinha dela na hora da despedida é de cortar o coração.
Fui sozinha com Marta pro aeroporto, colocando os assuntos em dia, fazia tempo que não estava num carro sozinha com uma amiga às 11 da noite, no Recife, e confesso que fiquei meio preocupada… mas foi tudo bem.
Pausa pra falar das malas. Eu fui ao Brasil, dessa vez, usando milhas da United Airlines até São Paulo e, até lá, tinha direito, a duas malas de 23 quilos cada, mas SP/Recife/SP foi um trecho doméstico, independente, com a TAM, portanto só podia levar uma malinha mesmo.
Agora, imaginem o sacrifício que foi voltar ao Brasil deposi de um ano e meio levando apenas 23 quilos… trouxe o que pude e tentei comprar os presentes sempre menores. Como eu conheço o inverno recifense, não levei casacos, blazers, apenas roupinhas leves e pouca maquiagem, cremes, etc.
Na volta, tinha milhões de coisas (principalmente livros) que queria levar pra casa. Arrumei uma mala com o imprescindível, com cerca de 25 quilos e mais uma sacolona enorme lotada de livros, cartazes, banners de tecido, bonecas, coisas de amamentação que vai ser super legal mostrar em minhas palestras. Fui à loja da TAM e apelei. Expliquei que era material de trabalho, que precisava muito de tudo aquilo, que tinha outro trecho internacional, no qual ia ser garantido… acabei pagando apenas o equivalente a oito quilos, ou cerca de 65 reais. Maravilhoso. Muito mais barato que se enviasdse pelo correio e eram 23 quilos de LIVROS que eu amo e que eu PRECISAVA ter comigo.
A bagagem de mão era uma outra conversa. Uma mala onde ia meu computador e mais duas caixas de chocolate garoto, um biscoito que Bia adora e duas necessaire com mil coisinhas pesadas (pra aliviar no peso das malas embarcadas. Mais uma mochila com um DVD Player portátil e LOTADA de DVDs piratas, uns 12 na caixa e uns 40 copiados pacientemente durante minha estadia. Desculpem os que abominam as cópias, mas só assim teríamos acesso a tantos filmes e shows nacionais, lá longe.
Fora isso, mais ainda uma bolsinha a tiracolo com documentos, ipod, cd portátil (o ipod descarrega loguinho), cds de MP3 e alguns livros pra ler no caminho e mais duas necessaire com maquiagem (pra chegar ajeitadinha em casa, né?) e remédios. Só a bagagem de mão, toda junta devia pesar mais uns 20 quilos.
Bom, a saída do vôo do Recife foi tranquila. Atrasou pouco e saiu cerca de 1 e meia da manhã, até a hora do embarque, eu e Marta continuamos fofocando e comendo minha última tapioca dessa temporada (se tudo der certo, esse post vai com uma foto nossa, feita na câmera de Marta). O vôo em si foi um dos piores que eu já tive. Nunca tenho medo de voar, mas era a primeira vez depois de passar 20 dias ouvindo sobre acidentes aéreos. Não consegui dormir nada, fiquei encanada, enfim, horrível.

Eu iria passar muitas horas em São Paulo, então, reservei um hotel pra poder descansar. Aí começou uma novela. Às cinco da manhã, estava eu na frente do local onde o Hotel Mônaco teria uma van que pegar a partir das 5 e meia, pela plaquinha que está lá. Sentei e fiquei esperando. Me avisaram que, se eu chegasse às 3 e meia, como estava combinado, tinha que ligar pra eles pra que viessem me buscar, mas como já estava quase na hora de começar o horário normal do transporte (pelo que dizia na plaquinha), resolvi relaxar e esperar.
Deu 5 e meia e nada. Eu não tinha cartão telefônico, nem tinha onde comprar àquela hora. Eles não atendiam a cobrar. Tive que ligar pro Recife, acordar minha mãe e pedir a ela que ligasse pra eles… enfim, depois de muita briga a tal van apareceu quase 7 da manhã. E eu ali na calçada, exausta (não tinha dormido no vôo), com frio (não tinha casaco, só um pullover leve, pro vôo) e com medo (quando cheguei estava tudo escuro, ninguém por perto e o aeroporto de Guarulhos não é, exatamente, o lugar mais seguro do mundo).
Cheguei no hotel furiosa, como vocês nunca me viram, dizendo que era muita irresponsabilidade te ruma placa dizendo que as vans começam às 5 e 30, se não é verdade blá-blá-blá… entrei e desmaiei na cama, dormi até às 11 da manhã. Jamais aconselharia esse hotel para ninguém.
Acordei, fiquei trabalhando um pouco, mandei uns emails, fiz meu check in pro vôo seguinte online e às 18 horas fui de volta pro aeroporto (o hotel fica em Guarulhos a uns 30 minutos do aeroporto). Aliás, essa é a maior dica de viagem que existe. Fazer o check in online. Por ter feito isso, entrei numa fila com duas pessoas na minha frente, enquanto todos outros estavam numa fila quilométrica que levaria um tempo enorme!
O vôo de SP até Toronto foi tranquio, voltei ao meu normal, sem medo de voar e dormi o tempo todo. De lá, a conexão pra Washington, DC também foi bem rápida e foi nesse vôo que escrevi ese post.
Cheguei em Washington às 11 da manhã, um dia lindo. Tinha exatamente 24 horas antes de viajar pra Melbourne. Ainda deu tempo pra ir em meu médico, pegar uma prescrição e comprar um medicamento na farmácia (tudo pertinho de casa). Trabalhei mais nas apresentações e estava tão exausta que a (re)arrumação da mala foi a pior que já fiz até hoje.
Pra ter uma idéia, convenci Ted a trazer seu DVD player portátil (pra ter dois quando a bateria acabar), aí temos aqui o meu e o dele (lembrem que isso é baratíssimo nos EUA) e não lembramos de trazer nenhum filme, nem headphone. duuuuhhhhnnn…
Trouxe pouca roupa e algumas vou ter que lavar aqui. Minhas roupas de frio estavam numa salinha de depósito que fica no mesmo andar do apartamento, mas fora, láaaaa no fim do corredor. Por sorte, tinha deixado um casaco, cachecóis etc para emergência.
Enfim, agora estou em Melbourne com o pior jetlag que já tive na vida, dormi às 3 da tarde e acordei às 11 da noite. Escrevi o finalzinho desse post agora (perdoem os erros, não dá nem pra revisar muito!) e vou contar, daqui a pouco, a escala que fizemos em Los Angeles…
Fotos: Aeroporto Nacional de Washington, Getty Images.