Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não
Trova do vento que passa
Manuel Alegre
Ditadura de Salazar
As novas gerações talvez não saibam que Portugal e Espanha, considerados, hoje, países modernos, viveram épocas sombrias de ditadura militar, como o Brasil.
Uma ditadura gestada nos anos 20 atrasou Portugal em relação ao resto do continente. Em 1930, Antonio de Oliveira Salazar fundou a União Nacional, movimento ultranacionalista de pretensões corporativistas, assumindo, em 1932, a condição de chefe de estado, iniciando aí o totalitarismo.
No ano seguinte, promulgou-se a Constituição que inaugurava o Estado Novo e que trazia todos os princípios fascistas por excelência: adoção do partido único, proibição das manifestações populares, criação de polícia política, propaganda de massa, perseguição aos inimigos do regime etc.
A ditadura salazarista, ao contrário dos períodos de Hitler e Mussolini, atravessou a Segunda Guerra e chegou à década de 70. Salazar morreu em 1970, mas a ditadura ainda teve fôlego para durar mais quatro anos. Até que explodiu a revolução popular, que hoje está fazendo 33 anos.
Revolução dos Cravos
Cinco minutos antes das 23h do dia 24 de Abril de 1974, nos estúdios da Rádio Alfabeta, o locutor em serviço lançou a música “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho. Era o sinal para as tropas avançarem.
À meia noite e vinte, já no dia 25, a segunda senha: “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, toca na Radio Renascença, antecedida da leitura da sua primeira quadra:
“Grândola, vila morena
Terra da fraternidade,
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade”
Esta “senha” serviu para informar a todos os quartéis e militares que aderiam ao golpe, que tudo estava preparado e correndo conforme o previsto. Era o arranque sincronizado e irreversível das forças do MFA (Movimento das Forças Armadas).
Vendedoras de flores do Rossio, praça central de Lisboa, colocavam cravos vermelhos nos fuzis dos militares, numa imagem belíssima e poética. Sem disparar, praticamente, um tiro, os militares ocuparam as ruas para derrubar o regime ditatorial e foram saudados com festa pela população.
Como surgiu a Revolução?
O movimento estava baseado em três Ds: Democratização, Descolonização e Desenvolvimento.
A revolta militar foi uma conseqüência do isolamento, empobrecimento e dos 13 anos de guerra colonial, em que os portugueses enfrentaram os movimentos de libertação nas suas colônias: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
A população apoiou a revolução desde o primeiro momento, fato que se tornou decisivo para a sua vitória. Percebeu que os capitães tinham a vontade de restaurar liberdades há muito perdidas e enterrar um regime podre e caduco. Com a revolução dos cravos os portugueses recuperaram sua liberdades de opinião, de expressão e de imprensa.
Claro que, se a gente for analisar a situação atual em Portugal, muitos dos ideais da revolução se perderam, mas, não há como negar que esse movimento, pacífico e poético, mudou o país.

Grândola Vila Morena
De Zeca Afonso
Ouça aqui.
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
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Em 1975, quando Portugal ainda respirava sua Revolução dos Cravos, o Brasil continuava afundado na ditadura militar, com censura, repressão e pessoas desaparecidas. Nesse ano, Chico Buarque fez essa música, que só pôde gravar em 1978. Conhecendo a história da “Revolução dos Cravos”, a gente entende melhor ainda a beleza dessa letra:
Tanto Mar
Ouça aqui.
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
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Tanto mar
Versão original, sem censura, ouça aqui.
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Esse post é um ajuntamento de informações que encontrei nos sites abaixo e minha pequena contribuição para que a gente não esqueça a linda Revolução dos Cravos:
Vídeos:
Blogs portugueses:
Blogs brasileiros:
Imprensa (2007):
Amigos e amigas de Portugal, vocês poderiam dar sua opinião sobre o que foi a Revolução dos Cravos, pra que nós, brasileiros, possamos compreender um pouco melhor…
Post reciclado e atualizado anualmente, desde 2004.