Fibromialgia e Sono

Ontem, estava lendo alguns depoimentos de membros da comunidade “Eu Tenho Fibromialgia”, no Orkut. Eles falavam sobre como identificaram a síndrome e percebi que todos têm, em comum, anos de problemas de saúde, sem causa identificada, até encontrarem um(a) bom médico(a) que fez o diagnóstico.
Como todas as pessoas que relataram suas histórias, eu comecei a ter vários pequenos problemas desde uns 6, 7 anos atrás. Comecei a brincar que estava virando “hipocondríaca”, porque sempre tinha alguma coisa acontecendo: dor nas costas, nos pés, dor nos joelhos, nos pulsos, olhos secos, visão dupla, uma crise de dor na mandíbula… isso tudo já era um quadro bem característico de fibromialgia e eu nem imaginava.
Dia desses, alguém escreveu aqui que seu médico tinha afirmado que a fibromialgia é uma “doença psicossomática”. Esse é um grande engano, que vem prejudicando o tratamento de muita gente e criando um estigma em relação ao problema. Essa é uma condição que existe por razões muito concretas e não está “na cabeça” de quem sofre as dores.
No meu outro blog “A Dor e a Delícia de Ser o Que É”, escrevi sobre algumas hipóteses levantadas em relação ao que pode desencadear essa condição em algumas pessoas. Existe uma linha de pesquisas que considera que existe um forte fator genético e uma pesquisa mostrou até que as meninas nascidas de mães que sofreram estresse na gravidez podem ter maior risco de desenvolver fibromialgia.
Sono
Os distúrbios de sono são sempre considerados um fator importante e, no meu caso, pode ter sido uma das causas mais prováveis do desenvolvimento da fibromialgia, segundo meu médico.
Sempre me lembro de ter dormido muito mal, tinha muitos pesadelos quando era criança e, na adolescência, comecei a ser sonâmbula, andar à noite, sentar na cama, conversar. Sempre brinquei que era tão hiperativa que até dormindo tinha que estar fazendo alguma coisa. Mas acabei descobrindo que, um sono perturbado não tem graça nenhuma.
Foi piorando, passei a ter apnéias e a acordar cada vez mais cansada. Fiz um estudo de sono que mostrou que eu tinha 12 episódios de apnéia (interrupção da respiração dormindo) a cada hora. Estudos mostraram que algumas pessoas (como eu) não conseguem entrar no nível “delta”, de sono profundo e restaurador. E não coincidentemente, 80% das pessoas com fibromialgia sofre de apnéia.
Eu sempre achei que não tinha nenhum “distúrbio de sono” porque nunca tive insônia. Na verdade, dormia muito rápido, quando ia pros congressos, as amigas brincavam que eu estava conversando num minuto, no seguinte já estava dormindo. Hoje sei que isso acontecia porque meu sono era tão “leve” e agitado, que não descansava nunca.
Algumas substâncias químicas importantes pro funcionamento do nosso organismo, como o hormônio de crescimento, são secretados pelo corpo durante essa fase profunda do sono. Se o sono é constantemente interrompido, como o meu, o corpo produz menor quantidade desse hormônio o que, especula-se, pode acabar virando ao mesmo tempo causa e consequência da fibromialgia, já que as pessoas com essa síndrome têm mais dificuldade para dormir.
Portanto, se cuidem…
Enfim, existem vários aspectos fascinantes da fibromialgia e tenho lido tudo que posso pra entender seu funcionamento. Mas, pensei em escrever, hoje sobre sono porque é um aspecto importante e desvalorizado.
Se você conhece pessoas que têm dificuldade para dormir, ou se você é uma delas, procure ajuda médica. Eu sempre achei que era apenas um “aspecto da minha personalidade”, ser tão agitada até dormindo, se soubesse que deveria ter tratado disso desde cedo, poderia, eventualmente, ter evitado esse quadro de fibromialgia atual.
Quando Bia era pequena, dormia muito mal, fez uma cirurgia de adenóide e amigdalas e, hoje em dia dorme como um anjinho. É importantíssimo checar o sono das crianças, também.
No mais, nem se preocupem, que estou muito bem. Para mim, as dores da fibro não são insuportáveis, todo dia dói um pouco em algum lugar mas eu “faço de conta que não é comigo”, não penso nas dores, não tomo nenhum remédio (apenas vitaminas e complementos), nem analgésico, apenas pras dores de cabeça eventuais, como sempre tomei. Vou começar acupuntura e estou bem animada.
Outro dia falo sobre meu “tratamento” para fibromialgia, mas já garanto que o melhor, de cara, é não se ver como uma pessoa “doente”, mas lidar com cada problema de cada vez. Para irritação de muitos, continuo achando que nunca fui tão feliz como hoje, com cansaço, dores e tudo mais
Pintura: Patty Gail







Eita alto astral maravilhoso! Ta vendo? Eh muito bom vir aqui.
Interessante esse papo do sono. Vou me aprofundar porque acho que nao durmo muito bem, nao.
Beijocas.
Denise…esse papo do psicossomático eu acho que é assim, a atitude da pessoa influencia sim a maneira de lidar com uma doença, vide você que está levando a coisa da fibro de cabeça erguida e com alto astral. Mas fora isso euzinha não tenho a menoooorrrr paciência para esses papinhos espiritualistas de boteco que dizem que câncer é culpa, que dor de cabeça é problema de outra encarnação, que dor no pé é porque a tua mãe te mandou tomar banho quando você tinha cinco anos de idade… Tenho até um causo pra contar nesse sentido, mas vai por e-mail. Beijocas e muito axé ha ha ha.
Atitude e alto astral é tudo Denise! E este espírito investigador que você tem não só lhe ajuda a entender e tratar deste problema, como também abre os olhos de muita gente. Um dia desses lhe conto sobre a minha experiência com o aspartame.
Cuide-se – Seu alto astral é contagiante (tô indo trabalhar até mais feliz…) Beijocas
Oi Dê! Graças a Deus, durmo muito bem! Só quando DJ viaja que fico fritando um pouco, mas logo depois durmo.
Tem um agronomo que trabalha comigo, que a esposa está com todos esses sintomas de fibro, e ele me disse que o médico deles, falou que :”quando o médico não consegue diagnosticar nada, fala que é fibromialgia”.
Santa ignorância. Expliquei para ele, tudo que li por aqui e conversando com a Ju. Ele disse que realmente iria procurar outro médico. Tomara que dê certo.
Beijos.
AH, vc viu o que tá rolando no blog da Alcinéia lá do Amapá!
Censuraram.
Beijos
Bom saber. Não tenho muitas informações sobre fibromialgia. Mas outro dia conversando com uma pessoa, contei da minha fase de muitas dores, que passei por 17 médicos e sem nenhum diagnóstico definitivo. E que depois de meses de dores e atrofia (já não conseguia fechar as mãos e o pescoço era duro) , melhorei /curei com fé e acupuntura. A mulher me falou: – ah mais pode ter certeza que vai voltar é fibromialgia isso! isola!!!!
Uma atitude bem positiva que só lhe pode ser útil!
Fique bem. Beijnhos:)!
Muito interessante Denise, falei com um rapaz que é médico, há uns meses, e ele e uma outra amiga psicóloga disseram justamente isso, que era uma doença psicossomática. Acredito que muitas pessoas,profissionais de saúde ou não, desconhecem totalmente o assunto.
Denise,
passei a ter dores gerais depois de anos trabalhando feito louca, com muita atividade e preocupação. Depois de uma gravidez problemática aos 44 anos, aí vieram as dores. Estou agora em licença de 6 meses para diminuir minhas atividades e redirecionar a vida. Mas, a psiquê é parte, sim, disto tudo…
Lindo texto
Bjs
Marta
Denise,
passei a ter dores gerais depois de anos trabalhando feito louca, com muita atividade e preocupação. Depois de uma gravidez problemática aos 44 anos, aí vieram as dores. Estou agora em licença de 6 meses para diminuir minhas atividades e redirecionar a vida. Mas, a psiquê é parte, sim, disto tudo…
Lindo texto
Bjs
Marta
Oi Denise!
Muito esclaceredor o seu post. Eu descobri que uma amiga minha tem dores diárias. Se nao é nos joelhos é na coluna, ou na mandúbula epor aí vai. Gostaria de mandar um link pra ela. Vc conhece algum legal em frances?
beijos,
paola