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    Abuso infantil?

    Denise | Fotografia | Friday, 30 June 2006

    cryingbabies.jpg

    Eu assino a revista American Photo e, a edição desse mês veio com uma matéria sobre a controversa série de fotos da canadense (que cresceu em Detroit, USA) Jill Greenberg.

    Ela fotografa crianças menores de três anos em situações de estresse, aos prantos. As fotos são lindíssimas, mas a questão é… até que ponto podemos ir pela arte e beleza? não é cruel fazer essas crianças sofrerem e chorarem, propositalmente?

    morecryingbabies.jpgEla se defende dizendo que apenas oferece um pirulito, depois toma e afirma que isso não vai causar nenhum trauma na criança, o que pode ser verdade.

    Aliás, numa carta ao blogueiro que acusa a fotógrafa de abuso infantil, o marido dela lembra que essa é uma prática comum nas agências de publicidade… isso é abuso infantil ou não? você deixaria um filho participar de uma série de fotos como essa?

    Eu sou uma mãe de coração muito mole, por nada no mundo gostaria de ver uma lagrimazinha nos olhos da minha filha, nem pela bela foto, nem pela fama, nem pelo cachê.

    Atualização:

    Eu deveria ter explicado que uma das crianças é a filha da fotógrafa, outras são filhos de amigos dela e mais algumas de agências de modelo, como a Ford. “crianças de agência não são muito caras – não tão caras quanto os macacos, por exemplo”, afirma Jill Greenberg, cuja série anterior era sobre esses animais. Infeliz comentário, no meio de tanta polêmica, hein, Jill? hehehehe…

    Sobre como fez as crianças chorar, ela diz:

    “na maioria das vezes era dando alguma coisa, um pirulito, e tomando de volta. Algumas simplesmente choravam sem nenhuma razão – minha filha fez isso; ela não gostou de ficar em pé numa caixa que eu usei como plataforma porque era um pouco oscilante. Algumas crianças simplesmente não choravam de jeito nenhum. Com todas crianças, eu trabalhei muito rápido. Nós chamávamos umas 12 crianças num dia, mais ou menos, e víamos quem nós conseguíamos fazer chorar. No fim do dia eu não estava de bom humor. Eu não gosto e fazer criança chorar”.

    morecryingbabies2.jpgEu acho as fotos, esteticamente, lindas e, Flavia F, acho que esse efeito “realista” não é somente Photoshop, isso é uma técnica de luz que tá sendo muito usada em editoriais de moda. Ela é uma fotógrafa famosa, muito bem conceituada. Pelo menos, tecnicamente.

    Concordo com a Alessandra que o choro na criança é bem mais “frouxo” e as frustrações passam logo. Por outro lado, é difícil dizer o que pode ser traumático. Eu lembro de situações que pareciam corriqueiras na infância, mas que me trazem más lembranças, até hoje. Um beliscão, uma palavra mais ríspida, não é fácil saber o que fica, pela vida toda, na cabeça da gente… como comentou a Gabi.

    Agora, acho que a Jill Greenberg não tem mesmo muito bom senso. Quando ela diz que algumas crianças choram “por nada”, e dá o exemplo da filha que chorou “apenas” por estar em cima de uma caixa de madeira que parecia “bambaleante”, não podia estar mais equivocada. A filha dela não chorou “por nada”, chorou por medo de cair, o que é muito diferente…

    morecryingbabies3.jpgAna Lucia lembrou que a fotógrafa afirma ter uma proposta política com as fotos:

    “Eu também pensei que elas (as fotos) fazem um tipo de afirmação política sobre a situação atual de ansiedade, em que muitas pessoas estão vivendo, sobre o futuro do país. Algumas vezes eu sinto vontade de chorar por causa da caminho que as coisas estão seguindo”, disse a Jill. Right… o discurso é bacana, mas não sei se foi muito convincente dos propósitos dela, pra mim, não…

    O que me impressiona mais não são nem as fotos de choro desesperado, mas as expressões de tristeza e de desconsolo, em algumas fotos, como essa última aí acima. É uma imagem de impotência e vulnerabilidade. E a questão não é nem o registro em si, mas os métodos utilizados para conseguir a foto.

    eu_chorando_crianca.jpgQuase tod@s nós temos fotos chorando, nossas ou de nossos filhos, e são lindas porque são cheias de emoção e expressividade. Mas são feitas espontaneamente. É uma questão de respeito com a criança.

    Achei essa minha, e lembro de ter visto essa foto quando era criança e ter tido muita peninha de mim :-) mas tenho certeza que minha mãe não me tomou nenhum brinquedo de propósito pra conseguir o registro…

    Acabei de mostrar as fotos a Ted. Como americano que viveu mais de 20 anos na Suécia, ficou chocadíssimo. Disse que era totalmente “unethical” e que não existiria nenhuma chance de uma foto dessa ser feita na Suécia. Ficou indignado porque, se alguém fizesse algo do tipo como uma experiência, na área científica, seria crucificado…

    Eu não acho que chega a ser um “abuso infantil” ou que a coisa seja tão dramática, mas acho que é um desrespeito, humilhação e exposição da criança. Jamais faria – ou deixaria alguém fazer – minha filha chorar, intencionalmente, por nada nesse mundo.

    _____________________________________________________

    Comentários comentados

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    Vídeo – Amamentação Depende de Tod@s

    Denise | Amamentação,Trabalho,Vídeo | Thursday, 29 June 2006

    mmyoutube.jpg

    Nós, do Origem, fizemos esse vídeo – com a Tv Viva – há uns dez anos (alguém lembra quando foi, exatamente?). O depoimento da Malu Mader é lindo e eu sempre me emociono quando assisto. O bacana é que foi todo feito por ela, sem orientação nenhuma e ela conseguiu passar a importância e o prazer da amamentação não apenas pra criança, mas também pra mulher.

    A Madalena, uma moça linda que também fala no vídeo, foi a paixãozinha da minha vida quando eu tinha uns 15 anos e ela tinha somente três. Ia pra praia com ela e comer tapioca no alto da Sé, brincando de ser “mãe”. Ver Madalena amamentando me fez sentir assim meio “avó” :-)

    Os outros depoimentos (feitos no IMIP, hospital público do Recife) são muito interessantes também, quisemos colocar um pai (Celso) e uma avó (Edileuza) falando do apoio da família, tão importante para a mulher na amamentação.

    Esse é apenas um pequeno trecho do vídeo. A partir de agora, colocarei, aqui no blog, partes dos cinco vídeos que produzi e dirigi, no Origem. E em breve darei informações sobre como comprar o DVD com todos os vídeos completos.

    Estou super curiosa pra saber se vocês vão conseguir ver o vídeo direitinho, se não ficou muito “pesado” pra abrir e se vocês gostaram… deixem um recadinho me contando, OK?

    Para ver o video no You Tube, basta clicar na foto acima, ou se quiser puxar para seu computador, clicar aqui, com o botão da direita do mouse e depois escolher “save target as” ou “salvar link como”.

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    Fotos que vazaram, na Internet, da Harper’s Bazaar de agosto

    Denise | Celebridades | Wednesday, 28 June 2006

    Britney Spears

    Via Mollygood

    E Deus Criou Scarlett…

    scarletwoody.jpg

    Via Just Jared

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    Coisinhas

    Denise | Familia, Familia | Tuesday, 27 June 2006

    Atualização (28/05/2006, meio dia):

    familia_cheesecake_factory.jpg
    Simon, Bia, eu, Ted e Felix.

    Jantar de “welcome back” de Ted, ontem à noite, na Cheesecake Factory.

    Descobri que a única coisa melhor do que estar apaixonada é ver sua filha apaixonada por um cara que é bacana, gentil e louquinho por ela. Igual a mim e a Ted, os dois não brigam nunca e é sempre muito bom estar perto deles… e eu, nunca estive mais feliz na vida, com essa família que eu adoro… agora, vou lá curtir mais um pouquinho do marido, que tava fazendo muita falta por aqui :-) volto em breve…

    Papo Sério

    breastironing.jpgIa escrever sobre a campanha lançada em Camarões, para desestimular a prática do “breast ironing”, mas ando tão cansada de escrever sobre as barras pesadas das mulheres… só resumindo… ao entrar na puberdade, as meninas passam a ser vítimas em potencial de estupro, além do risco de contrair AIDS e ser estimuladas a casar cedo. Para evitar tudo isso, as meninas (ou suas mães) em Camarões, desesperadas, usam instrumentos, como esses da foto, para massagear os seios, com objetivo de “achatá-los” e, assim, evitar a cobiça masculina e disfarçar a entrada na adolescência. Banana quente e casca de côco são alguns apetrechos usados por 26% das meninas, ao entrar na puberdade.

    Affff… como as mulheres sofrem por esse mundo afora!!!

    Vidinha

    pajama.jpg

    • Você percebe que não tá saindo muito de casa quando a filha vai lavar a roupa e pergunta: “mas, mãe, você só tem pijama pra lavar?”
    • Houve um tempo que minha casa parecia um bazar asiático, cheio de coisinhas. Quando mudei pra Suécia, dei quase tudo pro meu irmão e adotei o estilo “clean”. Mas, já estava voltando à antiga forma, com a casa repleta de “picoalhos”.
    • Hoje, peguei uma caixa e coloquei toda tranqueira que estava no meu quarto dentro dela. Afinal, Ted tem asma e eu não sou de ficar “espanando” mesmo. E “menos é mais”, né?
    • Mas, Ted chega daqui a pouco… e o mundo todo fica mais divertido, mais bonito e mais interessante! e hoje, eu vou sumir pra matar as saudades :-)

    Poesia

    O tempo fecha.
    Sou fiel aos
    acontecimentos biográficos.
    Mais do que fiel, ah, tão presa!
    Esses mosquitos que não largam!
    Minhas saudades ensurdecidas
    por cigarras!
    O que faço aqui no campo
    declamando aos metros
    versos longos e sentidos?
    Ah que estou sentida e portuguesa,
    e agora não sou mais veja,
    não sou mais severa e ríspida:
    – agora sou profissional.

    (Ana Cristina César)

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    Atuais mulheres Chefes de Estado

    Denise | Feminismo | Monday, 26 June 2006
    Angela Merkel Ellen Johnson-Sirleaf Gloria Macapagal-Arroyo Helen Clark
    Khaleda Zia Luisa Diogo Mary McAleese Michelle Bachelet
    Myeong Sook Han Portia Simpson-Miller Tarja Halonen Vaira Vike-Freiberga

    Angela Merkel, Alemanha – Ellen Johnson-Sirleaf, Libéria – Gloria Macapagal-Arroyo, Filipinas – Helen Clark, Nova Zelândia – Khaleda Zia, Bangladesh – Luisa Diogo, Moçambique – Mary McAleese, Irlanda
    Michelle Bachelet, Chile - Myeong Sook Han, Coréia do Sul – Portia Simpson-Miller, Jamaica – Tarja Halonen, Finlândia – Vaira Vike-Freiberga, Letônia.

    Poderosérrimas!!!

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    Killing Rain

    Denise | Me myself and I | Monday, 26 June 2006

    toro.jpg

    Mamãe, isso aqui tá igualzinho a Bultrins… chove há dias, uma tempestade que alagou a cidade toda. Trovões e relâmpagos. Os museus e vários prédios fecharam. O metrô está um caos, com trechos interrompidos…

    echo.jpg

    E eu tinha comprado o ingresso pro show do Echo and the Bunnymen, na Black Cat que deve acontecer daqui há pouco (se não for adiado!). Só que… tá impossível sair de casa.

    Perdi 25 dólares e o show dos ingleses, que eu adoro…

    “In starlit nights I saw you
    So cruelly you kissed me
    Your lips a magic world
    Your sky all hung with jewels
    The killing moon
    Will come too soon…”

    Killing Moon

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    Nepal – Kathmandu, Patan e Bhaktapur

    Denise | Nepal | Monday, 26 June 2006

    Leia e veja as fotos ouvindo Sanginee Tune*, com Ram Sharan Nepali.

    Não lembro bem o ano em que fui ao Nepal, 1998 ou 1999. Estava trabalhando na Malásia e peguei um vôo, na volta, com escala em Kathmandu. Apresentei um trabalho, numa reunião paralela do SCN (subcomitê de Nutrição da ONU), sobre a nossa campanha de amamentação e ecologia, e fiquei mais uns 5 dias no país.

    Fiquei apaixonada. Até hoje, nunca vi nada tão bonito na vida.

    nepali12.jpg

    O Nepal, onde nasceu Buda (Sidarta Gautama), é um dos países mais pobres do mundo, com 90% da população vivendo de agricultura e mais de 50% sobrevive com menos de 1 dólar por dia. Segundo o censo de 1991, somente 26% das mulheres são alfabetizadas, contra 57% dos homens.

    Assim como na India, existe a tradição de dote e ainda existem mulheres que são mortas pela família do marido, para que ele possa casar novamente. As viúvas enfrentam exatamente a mesma situação das indianas. Violência doméstica é um problema gravíssimo.

    nepali10.jpg

    Apesar de estar lá pertinho da India, o Nepal conseguiu evitar a invasão e colonização do país pela Gra-Bretanha e manteve-se isolado das influências ocidentais por muito tempo, esse parece ser a razão pela qual o país nos parece tão fascinante e original, até mais que a India.

    Apesar dos olhares curiosos, me senti segura nas cidades que fui. Fiz uma excursão que era, num carro, apenas eu e dois homens nepaleses, meus guias, me acompanhando. E deu tudo certo. Pra dizer a verdade, não sei se ainda faria isso, hoje em dia, acho que estou ficando mais covarde…

    nepali11.jpgTambém andei muito sozinha pelas ruas, tentei conversar com gente, me perdi várias vezes nas ruazinhas minúsculas, mas nunca me senti ameaçada. Sem falar que, quase ninguém fala inglês… hehehehe… é tudo uma comunicação gestual :-)

    As crianças são maravilhoas, carinhosas e pulam em cima de você, alisam seu cabelo, umas fofas! claro que, muitas estão ali pedindo dinheiro, mas existe uma curiosidade enorme, também.

    É o país mais lindo que já fui, e tem, também, as pessoas mais interessantes. O custo de vida, pra gente, é baratíssimo e fiquei num hotel, com quarto individual, por 7 dólares. Tá, faz muito tempo, mas duvido que o custo tenha aumentado muito.

    Curiosidade:

    Todo mundo amamenta, no Nepal, e mais de 80% das mães continuam amamentando suas crianças (com complemento, claro), aos dois anos de idade, segundo o UNICEF.

    Veja (e ouça) também:

  • Meu Album de fotos no Nepal
  • Música do Nepal
  • United We Blog! for a Democratic Nepal
  • Nation Master
  • Women’s situation in Nepal
  • Out of the past – Widows in Nepal.
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    Novo blog: Mulheres de Olho nas Eleições!

    Denise | Blogosfera | Saturday, 24 June 2006

    Olha que ótima notícia… o Instituto Patrícia Galvão lançou o blog Mulheres de Olho nas Eleições, que se propõe a ser: “um espaço de resistência, onde serão veiculadas notícias e discussões a respeito de políticas e demandas das mulheres no campo do atendimento integral à saúde, com foco nos direitos reprodutivos.”

    Excelente iniciativa de pessoas extremamente competentes e acima de qualquer suspeita! agora, vamos ficar de olho nesse blog, pra saber o que anda acontecendo, antes de decidir a quem vamos dar os nossos votos!

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    As Viúvas na India

    Denise | Diversos | Saturday, 24 June 2006

    casadasviuvas1.jpg

    “Quase tudo que fazemos parece insignificante, mas é muito importante que façamos. Você precisa ser a mudança que você deseja ver no mundo.” Mahatma Gandhi

    (Post originalmente publicado em 24 de junho de 2006)

    Ontem fui assistir ao filme Water, o último da trilogia política da cineasta Deepa Mehta (os outros são Fire e Earth), sobre a vida das viúvas na india. Fiquei chocada. Já tinha ouvido falar na situação dessas mulheres, mas ainda assim, o filme é uma saculejada na gente e bota nossos problemas cotidianos na sua exata dimensão.

    Pesquisando, hoje, sobre o tema, pra escrever esse post, descobri que ontem estava sendo celebrado o “Dia Internacional das Viúvas”, instituído pelas Nações Unidas, justamente para lembrar ao mundo as crueldades cometidas contra essas mulheres (não apenas indianas, mas de muitos outros países), cujo único crime cometido foi se tornar viúva, como se pudessem se responsabilizar pela vida de seus companheiros.

    water_india.jpg“Water” não é um filme revolucionário em sua linguagem, mas é uma história muito bem contada e extremamente comovente. Ao acabar, precisei de uns bons minutos sentadinha no escuro do cinema, pra me recompor e tentar dissipar aquele nó na garganta.

    Apesar de ser uma obra de ficção, que se passa há quase 70 anos, infelizmente, essa ainda é a realidade de muitas mulheres na India. E isso é o que é mais doloroso.

    O filme se passa em 1938, na India Colonial, onde os poderosos (britânicos e indianos) vêem a ascenção de Mahatma Gandhi, com suas idéias de liberdade e de mudança das tradições arcaicas às quais os indianos ainda se agarravam. As viúvas já não eram forçadas a queimar numa fogueira, com a morte do marido, mas ainda tinham que pagar, vivendo em total ostracismo e miséria, por toda vida.

    Tudo começa com a morte do marido de Chuyia, uma menininha esperta de oito anos de idade, que nem entende que é casada.

    water_india3.jpg

    Ao se tornar “viúva”, Chuyia tem suas pulseiras quebradas, seu cabelo raspado, perde todas suas roupas e é vestida com um sari branco, que será sua única veste, para diferenciá-la, afinal, ela agora é uma pária, “impura” e não pode ter contato com outras mulheres e crianças.

    Os pais deixam Chuyia numa casa de viúvas hindu, onde deve viver o resto dos seus dias em penitência.

    Em 1938, e ainda hoje, em muitas lugares da India, a viúva é vista como um peso e como uma mulher sexualmente perigosa. A família do noivo quer vê-la distante, para poder tomar as propriedades do seu marido, e não tem interesse em assumir a responsabilidade de sustentá-la. Sua própria família, após o seu casamento, sente-se livre de qualquer responsabilidade em relação a ela.

    Por todo preconceito e superstições que cercam uma mulher viúva, ela também não consegue trabalho para se sustentar e acaba tendo mesmo que viver nessas Casas de Viúvas (prédios centéntários, caindo aos pedaços), por toda vida. Para se “purificar”, precisa abandonar qualquer vínculo com prazer e viver em sofrimento. Dorme no chão, repete canções e orações seis horas por dia, e não pode, sequer, comer frituras, consideradas alimentos “quentes”. Estima-se que existam 20 mil viúvas, mendigando, apenas à beira do rio Ganges.

    casadasviuvas2.jpgAos poucos, vamos conhecendo as mulheres com quem Chuyia deverá conviver. A velhinha (foto)que está na casa desde os sete anos e cujo único sonho é comer, novamente, os docinhos que provou na sua festa de casamento (o marido morreu um mês depois). Shakuntala, a mulher de meia idade, esperta, inteligente e que sofre ao perceber que está envelhecendo e está sempre dividida entre a revolta pela sua situação e o medo por não se comportar como deveria.

    Tem a poderosa Didi, que comanda a casa e tem regalias que as outras não têm, e a belíssima Kalyani. Aos 17 anos de idade (está lá desde os oito), ela é a única mulher que tem a permissão para usar cabelos longos e que, sustenta o “luxo” de Didi e a Casa de Viúvas, sendo levada de barco, no escuro da noite, pelo eunuco gulabi, para prostituição.

    water_india4.jpg

    A chegada de Chuyia, o aparecimento de um lindíssimo indiano nacionalista, o amor de Kalyani, a revolta de Shakuntala e a ascenção de Ghandi, mexem com a Casa de Viúvas… mas não existem milagres. O resto, só vendo o filme…

    A realidade atual

    widows_india2.jpg

    Segundo o censo de 1991, 8% de todas as mulheres da India são viúvas, o que significa cerca de 34 milhões de pessoas. Como o costume é o casamento das meninas muito novinhas, 50% das viúvas têm menos de 50 anos de idade.

    No grupo acima de 60 anos, 64% das mulheres são viúvas, enquanto que apenas 6% dos homens são viúvos. Essa diferença brutal de gênero existe por causa da alta incidência de viúvos que se casam novamente, enquanto que um novo casamento, na prática, continua sendo uma opção bastante improvável para as mulheres.

    Apesar dos números, sabe-se pouco sobre a vida dessas mulheres, na India. A marginalização as torna invisíveis. O que sabemos é que elas vivem em completa pobreza, desemprego, sem acesso aos meios de produção, sem educação formal e sofrendo por superstições que ainda estão bastante arraigadas na cultura indiana.

    Já em 1956, um ato hindu estabeleceu que as viúvas devem ser consideradas iguais a todas as mulheres, mas a tradição fala mais alto.

    Por causa de todas privações que passam, as viúvas têm um índice de mortalidade 85% maior que as mulheres casadas. Apesar das péssimas condições dessas Casas de Viúvas, muitas preferem viver nelas do que ficar com a família do ex-marido, sendo constantemente abusadas sexual e fisicamente.

    widows_india3.jpg

    As Casas de Viúvas são empreendimentos mercenários, existem denúncias de que, apesar das mulheres viverem em completa miséria, os administradores fazem muito dinheiro, pedindo ajuda financeira e vendendo serviços sexuais das jovens viúvas.

    “Sem um homem ao seu lado, uma mulher não tem respeito na sociedade indiana. Isso é parte da cultura patriarcal”, afirma uma militante do movimento de mulheres.

    Parece incrível, mas isso tudo continua acontecendo hoje. Será que a gente não tem mesmo nada a ver com isso? Quando eu fui pra India, escrevi sobre a situação da mulher por lá (vejam ai abaixo), falando sobre as mulheres queimadas por causa dos dotes, e uma criatura me criticou porque eu devia me preocupar com as mulheres do Brasil.

    Não consigo estabelecer fronteiras para a humanidade. Me preocupo do mesmo jeito com minhas amigas faveladas, as viúvas indianas e as mulheres com AIDS na Africa. Somos todas irmãs.

    O que é que a gente pode fazer? falar no assunto, procurar saber o que fazem os grupos de mulheres. Se você faz doação, considerar doar para grupos que trabalham com essas mulheres. No mais, pelo menos se sensibilizar, acho que é um bom começo.

    E o nó na garganta, continua aqui… isso é o que acontece quando a gente vê um filme que faz pensar…

    Veja mais:

  • Widows’ Rights International
  • International Widows Day – June 23
  • Trailler de “Water”
  • Site oficial de “Water”
  • Vrindavan Widows Are Still Sexually Exploited — Study
  • India’s Outcast Widows Have New Havens
  • Status of Widows of Vrindavan and Varanasi
  • Grief and Renewal
  • O risco de ser mulher na India – SdeE
  • O risco de ser mulher na India – Parte 2 – SdeECuriosidade: holi.jpgNessa linda cena do filme, as mulheres estão celebrando o Holi, festa onde todos brincam jogando um pó super colorido, uns nos outros. Em 1999, por uma coincidência abençoada, eu estava no Nepal, no dia do Holi. Estava sozinha, mas pude aproveitar muito e ver a festa, que é uma das coisas mais lindas que se pode imaginar.Pitaco de vocês:“Uma informação boa: dirigi do interior da Bahia hoje cedo até a capital, vi um out-door com o anúncio da Festa das Viúvas. Foi um forró pé-de-serra genial no interior , para onde convergiram os pretendentes livres e um monte de viúvas que ainda querem dançar, namorar e ser feliz. Que pena que a ìndia discrima suas viúvas, que pena que as viúvas das aldeias portuguesas se condenam ao eterno negrume das vestes e que bom que se pode dançar, beber, brindar e namorar na Bahia. Embora outros problemas haja.” Alena.Vejam também o excelente post da Regina do blog Always por um Triz sobre o filme Water: Deepa Mehta: uma mulher de coragem.Fotos: Em preto e branco, são registros de uma Casa de Viúvas, feitos pelo fotógrafo Frederik Renander. As fotos coloridas são cenas do filme Water.
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    Como se forma um consumidor de refrigerantes

    Denise | EUA | Saturday, 24 June 2006

    caixas_soda.jpg

    Lembram que falei aí abaixo sobre o quanto os refrigerantes são indecentemente baratos por aqui? esse anúncio oferece 5 caixas com 12 latinhas, cada, por apenas 10 dólares, ou 16 centavos por latinha!

    Dessa forma, se cria o vício, e ninguém bebe mais água nesse país…

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    Queremos os shortinhos de volta!!!!

    Denise | Bobagenzinhas | Thursday, 22 June 2006

    Gente, o que é isso? eu passo 24 anos sem prestar atenção em futebol e quando vejo um jogo descubro que fui traída? como vocês, que acompanham futebol, deixaram a coisa chegar a esse ponto, sem protestos?

    Qual a graça em assistir a Copa do Mundo, se não tem mais coxas pra gente ver? eu já tinha ouvido falar que a situação estava ruim, e já vi até homenagem ao shortinho, mas não sabia da gravidade da coisa. Quanto recato! a gente mal vê um pouco de joelho!

    Isso sim é saudosismo da Copa de 82. Quem não viveu aqueles tempos não sabe o que era se deliciar com aquele emaranhado de coxas enormes, de todas as cores, com os músculos tesos, na corrida…

    Sócrates, Zico, Falcão, Leandro (paixão da minha amiga Carla) e Roberto Dinamite, então? o nome já diz tudo!!! as coxas eram tão importantes que eu até me lembro do nome dos jogadores, que povoaram minhas fantasias de adolescente!

    Bastava manter a área de visão numa linha horizontal, na qual tinha coxas para todos os gostos. De vez em quando tinha um gol. Francamente, não importava de quem fosse, era uma festa de coxas se jogando umas contra as outras. Futebol era um jogo extremamente erótico!

    Por isso que os jogadores não ficam mais pra história, faltam as coxas, gente! vamos começar uma campanha… queremos os shortinhos de volta!!!

    Atualização:

    A Angélica, do blog Bocozices, tá avisando que o time de Angola continua fazendo a alegria da mulherada! quando é o próximo jogo??? obrigadíssima, querida, nem tudo está perdido… sem falar que os angolanos, logo, hein? hummmmm… batem um bolão… ;-) aqui e
    aqui.

    Enquanto isso, nós estamos andando beeeeeeeeem pra trás… descobri que:

    copa30.jpg
    … esses shortões, quase iguais aos de hoje, já eram usados na Copa do Mundo de 1930, lá no Uruguai!

    copa58.jpg
    Diminuiram na Copa de 58, na Suécia…

    copa62.jpg
    … e já estavam no ponto, no Chile, em 62…

    zicao.jpg
    … mas só chegaram no seu auge na Copa do Zico de 82, na Espanha, quando, além de curtos, ficaram bem apertadinhos… hehehehe…

    Comentários do jogo em “real time”

    yellow_shoes.jpg

    Ok, ok, me rendi e estou vendo (de vez em quando, pelo menos) o jogo “Brasil X Japão”…

    1. Porque somente Ronaldo, no time do Brasil, usa sapatos amarelos???

    2. Que calções horrorosos são aqueles? enooooooooormes… ninguém vê mais nem um pedacinho da coxa dos meninos…

    3. Continuo achando um tédio, nada acontece e como é que se pode fazer gol com aquele povo todo lá na frente da trave impedindo? isso me dá nos nervos, parece impossível!!!

    4. Zico não é um traidor???… calma gente, era uma brincadeira!!! hehehhehehe… mas tava pensando… vocês conseguem imaginar o técnico da seleção brasileira de outro país???

    5. O Brasil precisa ganhar essa Copa ou vou ter um enfarte com meu enteado sueco a dizer que o Brasil não ganha de jeito nenhum! grrrrrrrrrrr…

    6. Que bom que Ronaldo fez o gol (obviamente, perdi, tava fazendo outra coisa, na única hora em que acontece algo no jogo!). Eu estou morrendo de pena do bichinho, todo mundo chamando o coitado de “Gordo”… a Laurinha é que tava certa aqui e aqui. Tadinho, gente, é muita cobrança pro menino!

    7. E pra entrar bem no espírito brasileiro, tô comendo farofa de ovos…

    8. Vixe… empate??? ainda bem que eu não tava nem na sala… é tudo culpa do Zico, tá vendo, o perigo?!

    9. Aaaaawwwww… que bom que Ronaldo fez outro gol! fiquei tão feliz por ele!!! e o 4 X 1 me livra da gozação do enteado por mais um tempinho… hehehehe…

    (Aos pooucos vou respondendo todos comentários lá no post sobre aspartame, guentaí, que agora eu quero é dançar – se ela dança, eu danço; se ela dança, eu danço… ;-)

    __________________________________________

    Eita lelê… quase morro de rir com os comentários nesse post do Serbon, pra vocês verem que a gente consegue se divertir até com a Copa do Mundo ;-)

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    Bloco Funk

    Denise | MPB,Música | Thursday, 22 June 2006

    bailefunk.jpg

    Fernanda Abreu, no CD ao vivo da MTV

    Ouça aqui.

    Então tá maneiro
    Então tá maneiro
    Então tá maneiro
    Pro Brasil inteiro

    Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente
    na favela onde eu nasci
    E poder me orgulhar em ter a
    consciência que o pobre tem seu lugar
    Fé em Deus

    (Explode a porta do funk, DJ)

    A massa funkeira
    pede a paz geral (Ô demorou)
    o baile tá uma uva
    por isso a gente fica na moral

    (Fé em Deus…)

    Todo mundo sabe que o funk é da favela
    todo mundo sabe, eu morro de paixão por ela
    todo mundo sabe, o nosso som é de raiz
    saiu lá da favela e se espalhou pelo país

    É som de preto
    de favelado
    mas quando toca
    ninguém fica parado
    (ô demorou)

    (toma que toma toma)

    Mas não me bate doutor, que eu sou de batalhar
    eu acho que o senhor tá cometendo uma falha
    se dançamos funk é porque somos funkeiros da favela carioca…

    Se solta, minha purpurinada!!!
    essa é pra você esculachar…

    Me chama de cachorra que eu faço au au
    me chama de gatinha que eu faço miau
    Se tem amor a Jesus Cristo

    (E se marcar eu beijo mesmo)

    Ah, que é isso? elas estão descontrolas
    Ah, que é isso? elas estão descontrolas
    Ela sobe, ela desce ela dá uma Rodada
    elas estão descontrolas
    ela sobe, ela desce ela dá uma Rodada
    elas estão descontrolas

    Eita lê lê
    Eita lê lê

    Vem, Cristiane..

    (O povo aqui vai dançar…)

    Se ela dança, eu danço
    Se ela dança, eu danço
    Se ela dança, eu danço
    Falei com o DJ
    Se ela dança, eu danço
    Se ela dança, eu danço
    Se ela dança, eu danço
    pra fazer diferente
    botar chapa quente pra gente dançar
    me diz quem é a menina que dança e fascina
    e alucina querendo beijar
    ela só pensa em beijar, beijar, beijar
    e vem comigo dançar, dançar, dançar, dançar…

    (Ei, psiu, tá surdo?)

    Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é…
    Maria Sapatão, Sapatão, Sapatão, de dia é Maria, de noite é João

    (Não sou cocota não…)

    Ei você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí
    Ei você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí

    Uhhh… terêrê
    Uhhh… terêrê
    Uhhh… terêrê

    (Na moral…)

    Vale uma visitinha:

  • Funk Carioca
  • Viva Favela
  • Beleza PuraFoto: Dani Dacorso.Se ela dança, eu danço, se ela dança, eu danço, se ela dança, eu danço… ;-)
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    Doce Veneno – Aspartame – Parte 1 – Minha Experiência

    Denise | Corpo & Saúde | Wednesday, 21 June 2006

    aaspartame1.jpgQuando mudei pros EUA, achei que tinha chegado ao paraíso das comidinhas diet. Até comentei com amigas, que era uma delícia! não precisava mais me preocupar com isso. Há uns 15 anos não sei nem o que é açúcar, tudo era aspartame. Depois que Bia cresceu, até ela entrou nessa, afinal, não custava nada evitar o maldito açucar.

    Aqui, o refrigerante é indecentemente barato. Muitas vezes, comprei no Giant, supermercado local, refrigerante em promoção, por 7 dólares, 3 caixas com 12 latas cada, o que dá 19 centavos cada lata!

    Em Costco, quando ia às compras, pagava 55 centavos por quanto refigerante pudesse tomar, eles dão o copo e você vai colocando mais. Tudo diet, claro. Houve dias em que eu percebi que tomava muito mais Coca Diet que água.

    Cinco, seis latinhas, estupidamente geladas, por dia. E estava virando um vício, já acordava precisando daquela sensação do refrigerante (que também podia ser Sunkist Diet, que eu amo), descendo pelo estômago, logo cedo… (as latinhas até viraram post sobre manias)

    Além disso, tem tudo diet. Chocolates, barrinhas de cereais, gelatina, sorvetes, picolé, sucos, bolinhos e até cheesecake. Quase tudo com aspartame, lógico, e a um preço super convidativo.

    Paralelamente, desde que mudei pra cá, tenho me sentido estranha. Primeiro, que minha dor de cabeça (que sempre tive, igual a minha mãe), piorou muito. Vivia com dor de cabeça. Também uma “moleza” enorme, falta de disposição, parecendo uma depressão. E muita dor muscular, dores que começaram a pipocar por todo lado.

    Eu adorei a mudança pra cá. Apesar de gostar muito de Estocolmo, sabia que a vida aqui seria bem mais fácil, principalmente pra Bia, como realmente foi. Ela tá ótima. Eu já falava bem inglês e adoro Washington. Estive aqui, em 1998, com Bia, e lembro de pensar que essa seria uma excelente cidade pra se viver.

    Concretamente, eu não tinha do que reclamar, super feliz com Ted e Bia se adaptando bem. Mas cada vez eu piorava mais. Era um sensação de desânimo. Aí eu comecei a observar minha alimentação, tentar comer coisas mais saudáveis e… cortar tudo que tivesse aspartame.

    Mais do que todos os muitos artigos que eu li, posteriormente, contra esse produto, a minha experiência pessoal é de se arrepiar. Eu cortei o aspartame após ter ido parar no hospital pela terceira vez, com dores. Algumas semanas depois, eu me sentia uma outra pessoa. Ainda um pouco cansada, ainda com pequenas dores, mas sem nenhum traço de depressão (e sem usar nenhum anti-depressivo!).

    Aí, como estava absolutamente viciada em refigerante diet, comecei a falar que era coincidência, que não tinha nada a ver e que provavelmente eu estaria melhorando mesmo, com ou sem aspartame… e voltei a tomar as latinhas.

    Gente, voltou tudo. Toda a sensação de mal-estar, de depressão, as dores aumentaram. Aí, obviamente, eu entendi a gravidade da coisa, comecei a ler tudo que, até aquele momento eu sempre jurei que era “hoax”, era lenda urbana e agora ninguém me faria colocar uma miligrama de aspartame na boca.

    images.jpgEu nunca fui “natureba”. Na verdade, até ficava deslumbrada com os avanços da “tecnologia da alimentação” comentava com Ted como era fantástico poder tomar quantas Diet Coke queria, sem me sentir “culpada”. Sempre achei que, os que detestam comidinhas diet, congelados etc. estavam vivendo em outro mundo… achava que era puro preconceito…

    Hoje, depois de tudo que eu li (artigos científicos, de jornais médicos confiáveis) e por tudo que passei e estou passando, me arrependo profundamente por não ter sido uma “natureba”, a minha vida toda. Li, em um artigo, que a gente só devia consumir coisas que as nossas tataravós reconhecessem como comida. Muito interessante e é o que estou tentando seguir, agora.

    Não estou dizendo que o aspartame causa a fibromialgia, mas que pode ser um poderoso catalizador da síndrome (ou doença, como preferirem). Quando fui ao meu médico reumatologista, que tem 40 anos de experiência, e falei do aspartame ele ficou irritadíssimo (e feliz por eu já ter parado de consumir).

    Disse que para eles, médicos experientes, que tratam fibromialgia, lúpus e outras doenças que atingem o sistema imunológico, isso não é nenhuma novidade. Eles atendem milhares de pacientes por ano reclamando desse “envenenamento pelo aspartame” (palavras dele). E o pior é que as indústrias de alimentos (basta dizer que o aspartame foi produzido, pela primeira vez, pela criminosa Monsanto) têm poder demais e eles não podem fazer nada.

    E ele não é um médico jovem, cheio de “idéias alternativas”, não. É um senhor perto de se aposentar, bem tradicional (tem o nome dele em revistas, como dos melhores médicos de Washington), mas ele viu, na sua experiência própria, o efeito do aspartame e repete que é um “veneno”.

    Hoje em dia, confesso que fico ansiosa ao ver alguém consumindo aspartame, ainda mais se for alguém que tem fibromialgia, porque a relação entre os dois é tão garantida e comprovada. E eu senti na pele.

    Mesmo se você for perfeitamente saudável, não vale a pena arriscar, porque ninguém sabe quem tem predisposição à fibromialgia ou lúpus (pessoas negras têm maior probabilizade de desenvolver a doença). Tenho visto depoimentos, no blog Vivendo com Fibromialgia, de meninas que descobriram a doença aos 18 anos. Também vi vários homens sofrendo com isso.

    Eu melhorei muito, depois que parei de usar o aspartame – além da minha postura positiva em relação à doença, credito a isso boa parte do meu bem estar e poucas dores. Mas, a fibromialgia estará sempre comigo, ainda que diminuam as dores, não tem um dia que eu não perceba que elas estão por aqui.

    É uma pontada no pé, no pulso, na mão, um cansaço extremo na hora de acordar. Estou muito bem, não é nada insuportável, mas além de ser desagradável, eu sei que a qualquer momento, uma crise maior vai aparecer. Porque, uma vez estabelecida, a fibromialgia não tem cura.

    Portanto, não vale a pena arriscar, de jeito nenhum. Esse é o primeiro post de uma série que vou fazer sobre o aspartame. Mas, se fosse você, ia na cozinha e jogava fora já, tudo que tiver com esse produto, eu, meu médico e muitos estudos sérios estamos garantindo que é um veneno.

    stevia.jpgObs.: uma questão prática… como substituir o aspartame? eu evito, hoje, qualquer adoçante dietético. Se for mesmo obrigada, por total falta de opções e tiver Splenda, ainda uso, mas sei que também tem contra-indicações. O açúcar, como bem lembrou a Juliana, também faz mal, especialmente refinado. Eu acho que a melhor opção ainda é a stevia, que é o produto mais saudável. Estou curiosa pra ver se suspender os adoçantes diet vai aumentar meu peso. Desconfio que não.

    No próximo post, escreverei sobre as últimas pesquisas sobre o tema e no seguinte, sobre porque é que, mesmo tomando tanto aspartame, todo mundo continua gordo.

    Observações importantes:

  • Tomar um adoçante diferente e Coca Light, não adianta de nada. É importante saber a quantidade total de aspartame que se consome por dia, pra isso é importante olhar todos os rótulos, de gelatina, yogurte, refigerantes etc. Tudo isso pode ter aspartame. O pior é o excessivo uso de Coca (ou Pepsi, ou Sprite etc.) Diet, que a gente consome, ai é onde eu acredito que se consome mais aspartame.
  • Quanto às informações contraditórias na Internet, é fundamental saber a fonte. Mesmo pesquisas feitas por profissionais de saúde podem não ser confiáveis, porque as indústrias, como a Monsanto, pagam fortunas por resultados tendenciosos. Basta mudar uma variável, e o resultado é o que eles querem. É uma máfia. Tem um site, por exemplo, http://www.aspartame.org, que parece ser bem profissional, mas é todo financiado pelas indústrias que produzem aspartame.
  • Eu também achava que era “hoax”, até experimentar e sentir os efeitos na pele. Ainda tinha dúvidas até conversar com meu médico, que não acredita nem em suplemento ortomolecular, por exemplo, mas garante que o aspartame é um dos pricnipais detonadores da fibromialgia.
  • Gente, eu era MUITO cética. Hoje, tenho pena, porque sei que tudo que escrever não adianta muito, porque a maioria vai achar que é “lenda urbana”, mas infelizmente, é uma verdade escondida pelo poder econômico dessas empresas. A história de como conseguiram liberar o aspartame nos EUA é de arrepiar. Vou traduzir isso pra vocês também.
  • O Serbon informou que nenhum refrigerante diet, no Brasill, usa aspartame (aqui são quase todos adoçados com esse produto), menos mal. Vale dar uma olhada nos rótulos.

    Imagem: Organic Consumers Association.

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    Loucas por Viver

    Denise | Literatura | Wednesday, 21 June 2006

    kerouac_cat.jpg“As únicas pessoas que me interessam são as loucas, aquelas que são loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas; as que desejam tudo ao mesmo tempo. As que nunca bocejam ou dizem algo desinteressante, mas que queimam e brilham, brilham, brilham como luminosos fogos de artifícios cruzando o céu.”
    Jack Kerouac, escritor beatnik que eu amo, amo, amo.

    Fonte: A Anita, achou no site da Carolina.

    Ouça Madroad Driving, de Jack Kerouac, por Johnny Depp.

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    Copa e Elma Chips

    Denise | Bobagenzinhas | Tuesday, 20 June 2006

    carinhas_copa.jpgO Nemo Nox fez a pergunta que tava aqui na ponta da minha língua, desde que começou a tal da Copa: “Por que o logotipo da Copa do Mundo é feito com carinhas da Elma Chips?” hehehehe…

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