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    Eu e a Televisão – I

    Denise | Televisao | Friday, 31 March 2006

    eu_e_a_tv.jpg

    Fico danada da vida com as edições das grandes empresas de comunicação, que “pintam o sete” com a história – não só a Globo, aqui também tem cada uma de amargar – mas devo confessar que, apesar disso, sou uma “TVmaníaca”.

    Quando eu nasci, no interior de Pernambuco, ainda nem existia televisão (1964), imagina isso! Não lembro quando chegou (minha mãe pode ajudar), mas lembro que, durante muitos anos, nossa TV era preto e branco.

    Adoro essa foto aí acima. É a prova da importância dessa novidade na vida das famílias, nos anos 60. Essa aí sou eu, na minha formatura de jardim da infância, com uma carinha bem “sapeca”. Na foto original estou eu, minha mãe, meu avô, uma tia e ela… a televisão. Parte fundamental da família.

    jeannie.jpgCresci assistindo seriados americanos (por ordem de preferência): Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Perdidos no Espaço, Tùnel do Tempo, Viagem ao Centro da Terra. Também adorava Vila Sésamo (“biscooooooooooito, quero biscoooooooooooooito!!!!”) e lembro que detestava Bonanza e Os Waltsons.

    Boa parte da infância, vi tudo em preto e branco e lembro claramente de pensar que seria um sonho ver a garrafa da Jeannie colorida, por dentro.

    Foram muitas, muitas horas desses seriados que me faziam acreditar que toda família deveria ser como a típica família americana dos anos 60 da bruxinha Samantha.

    Ah… e tinha também o super cult Batman e Robin, com um Adam Ant West gordinho e cheio de efeitos visuais psicodélicos: “Pow”, “hun”, “ouch”…

    Dia desses comprei o DVD com a primeira temporada de Perdidos no Espaço. Claro que não me anima como antes, mas é muito engraçado ver o que eu gostava tanto na época. Os efeitos especiais mostrando os aliens que eles encontravam em outros planetas são inesquecíveis. Quando puder, vou comprar os DVDs da Feiticeira e Jeannie.

    elvis_hawaii.jpgDepois da fase de seriados americanos, apareceu o O Sítio do Pica Pau Amarelo, que eu acho que foi a primeira realização brasileira para crianças, de peso. Gostava muito também e queria ser a Narizinho.

    Já maiorzinha, era a vez da Sessão da Tarde, que ajudava a passar o tempo e matar o tédio, no calorão de Olinda, comendo bolacha Cream Cracker, depois da escola. Às vezes gostava de ver televisão no sofá, de cabeça pra baixo. hehehe…

    No final dos anos 70, os filmes eram sempre clássicos, como Crepúsculo dos Deuses, A Noviça Rebelde, Sete Noivas para Sete Irmãos e a Fantástica Fábrica de Chocolate. Nem sempre gostava dos intermináveis musicais de Elvis no Hawaii, Sinatra e Fred Astaire, mas hoje percebo que aprendi muito sobre cinema com eles.

    E as novelas? bom… sobre essas eu falo em outro post, porque merecem um destaque bem especial :-)

    Atualização:

    1. A Laurinha (que faz aniversário hoje!) me lembrou do Homem de 6 Milhões de Dólares, A Mulher Biônica e Hulk

    farrah.jpgE tinha ainda As Panteras, claro! nunca esqueço minha amiga Silvana propondo que a gente formasse o grupo de “Panteras” para proteger as crianças da rua… hehehehe… bons tempos (e claro que eu não abria mão de ser a Farrah Fawcet!)

    2. Douglas, é isso mesmo, o Batman era Adam West, Adam and the Ants era uma banda new wave dos anos 80… hehehehe… misturei tudo… merci!

    3. Putz… tem muito mais, o Leo acabou de lembrar à gente do Viagem ao Fundo do Mar, Rintintin, National Kid, Lassie, Flipper, Ultra Man e Ultra Seven… hehehehe… os dois últimos eu nunca vi, e desses aí só gostava de Rintintin… puxa, adorava!!! dia desses vi uma matéria na TV com esses atores-criança, hoje. Muito interessante ver o menino que fez Rintintin, agora…

    4. Minha idéia não era falar de todos os seriados, mas cada pessoa que chega vai lembrando de um imprescindível… o Guga falou do Agente 86! puxa… esse não podia faltar! genial! e aproveitou pra deixar esse link, onde eu achei um que eu adorava: The Monkees! (isso porque eu nem tô falando em desenhos animados, hein?!)

    (E por falar em desenhos animados, vale a pena dar uma olhada no post das Duas Fridas sobre o assunto…)

    novicavoadora.jpg

    5. Gente, enquanto eu explicava pro Pedro que eu detestava A Noviça Rebelde, lembre de um seriado que eu AMAVA de todo coração: A Noviça Voadora, com a Sally Field!!! eu achava o máximo poder voar daquele jeito, não pedia um diazinho!!!

    6. A Ana Lucia lembrou de outro delicioso: A Ilha da Fantasia!!!

    7. Fábio desenterrou lá do fundo do baú o Banana Split, gente, acho que fazia décadas que eu não lembrava desse programa hehehe… e os Thunderbirds.

    8. Van, além do Chacrinha, lembrou daquelas telas coloridas que as pessoas colocavam na frente da televisão, pra dar uma corzinha à coisa hehehehehehe… também não tivemos isso, graças a Deus! hehehehe…

    terradosgigantes.jpg9. Puxa, Renato, e como eu poderia esquecer do Festival Jerry Lewis??? realmente, assistia todo ano e adorava, depois aluguei muito filme dele e comprei alguns! ele é genial! “O Rei da Comédia”, mesmo!

    10. Sabe outro que eu lembrei e que eu detestava??? Daniel Boone!!!! aquilo era insuportável, mas a musiquinha não sai, até hoje da minha cabeça (achei a letra na Net): “Daniel Boone was a man, yes, a big man! with an eye like an eagle and as tall as a mountain was he…”

    12. E não param de chegar mais lembranças, a Denise, minha xará, trouxe o Terra dos Gigantes… eu ADORAVA esse seriado! era maravilhoso!

    Dicas de sites:

  • Central Retrô TV
  • Mofolãndia
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    Mais uma corrente…

    Denise | Listinhas | Friday, 31 March 2006

    pinupgato.jpg

    A correntezinha foi passada pela Adri Amaral:

    Quatro empregos que tive na vida

    1. Criei o jornal “O Pequeno Príncipe”
    2. Trabalhei numa ONG de comunicação Sindical
    3. Aí eu criei o Origem e fiquei lá 17 anos
    4. E agora faço uns trabalhos free-lancer e tenho vários projetos encaminhados… toc, toc, toc…

    Quatro lugares onde vivi

    1. Recife
    2. Olinda
    3. Estocolmo
    4. Washington, DC

    Quatro músicas que ouvi recentemente

    1. Space Odity, David Bowie, por causa do Serbon.
    2. Beatriz, Chico Buarque
    3. Os dois CDs novos da Marisa Monte
    4. Muita coisa do Happy Mondays

    Quatro filmes que posso ver vezes sem conta

    1. Casablanca
    2. Annie Hall (Noivo neurótico, Noiva Nervosa)
    3. Kill Bill I e II
    4. Pulp Fiction

    Quatro pratos favoritos

    1. Palak Paneer e Dal
    2. Pizza
    3. Cheesecake
    4. Tapioca com queijo de coalho

    Quatro séries que eu adoro

    1. Six Feet Under
    2. Project Runaway
    3. Top Chef
    4. Sex and the City

    Quatro websites que visito diariamente

    1. Folha de São Paulo
    2. Bloglines
    3. Globo Media Center
    4. GMail

    Quatro lugares onde gostaria de estar agora

    1. Olinda
    2. Patagônia
    3. Beijing
    4. Kathmandu

    Quatro pessoas a quem passo esta corrente

    1. Leila (Stuck in Sac)
    2. Vanessa ((in)confidência mineira)
    3. Laura (Caminhar)
    4. Telma (Minha mãe)

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    A história por trás da invasão das mulheres campesinas à Aracruz

    Denise | Brasil | Thursday, 30 March 2006

    mmc.jpg

    Resumo, para quem não quiser ler o post todo:

    No dia 8 de março, 2000 pessoas, na maioria mulheres do Movimento de Mulheres Camponesas, invadiram o horto florestal da empresa Aracruz Celulose, na Fazenda Barba Negra, em Barra do Ribeiro (RS). Elas foram tratadas pela imprensa como terroristas e baderneiras. Na verdade, estavam fazendo um protesto contra o “deserto verde”, que está sendo espalhado pelo monocultivo do eucalipto e pinus – que além de prejudicar o meio ambiente, empobrece a população camponesa da região – e sendo solidárias com aldeias indígenas que foram invadidas e distruidas pela mesma empresa Aracruz. Por que será que a imagem das mulheres, consideradas agitadoras do MST, foram mostradas, repetidamente, na Globo e não vimos nada sobre a destruição das aldeias indígenas, no Espírito Santo e outras ações prejudiciais ao meio ambiente, dessa empresa? Sabemos muito pouco sobre o que está acontecendo em nossas áreas rurais, mas essas mulheres precisam da nossa solidariedade.

    Clique aqui, para apoiar as mulheres da Via Campesina.

    mmc1.jpg

    Todo mundo – que está no Brasil, pelo menos – deve ter visto as cenas repetidas em todos telejornais da Globo, das cerca de 2 mil mulheres, aparentemente ligadas ao MST (Movimento dos Sem Terra), invadindo a Aracruz Celulose, localizado no Rio Grande do Sul, no dia 8 de Março.

    Na edição – indecente, como sempre – da Globo, as campesinas eram mostradas como predadoras, sarcásticas, que se divertiam enquanto destruíam a sagrada propriedade privada. Enquanto isso, mostravam as técnicas que trabalham nos laboratórios invadidos, aos prantos, chorando a celulose derramada.

    Quase tive pena delas falando sobre a “luta” que foi construir aquele laboratório. Pensei que fosse um centro de experimentações universitário, público… acontece que a Aracruz Celulose, dona do tal laboratório “vandalizado”, é a maior produtora de celulose branqueada de eucalipto do mundo e, com o dinheiro que tem, acreditem, vai se recuperar rapidinho…

    Mas a edição da Globo foi tão bem feita que até eu fiquei surpresa com a violência das mulheres trabalhadoras rurais, no local e seu descaso pela “ciência”. Mas como não sou boba nem nada e, há muitos anos, já aprendi a procurar outras fontes, saí pesquisando melhor e acabei vendo que a história, como era de se esperar, é bem diferente do que mostra a “poderosa”.

    O que é a Aracruz Celulosa

    eucalipto.jpg

    Segundo matéria da Carta Maior, “As acusações contra a Aracruz são inúmeras, indo desde a destruição de 50 mil hectares de Mata Atlântica, nas décadas de 60 e 70, até o financiamento de campanhas eleitorais em troca de favores, passando por aplicação de agrotóxicos que contaminam as fontes de água de diversas comunidades, implantação de extensas áreas de monoculturas desrespeitando a legislação ambiental, poluição e desvio ilegal de rios que abastecem comunidades – apenas para garantir água suficiente para suas fábricas de celulose .”

    Ainda por cima, como diz a Ana Paula Fagundes, do Grupo Defesabiogaúcha, “a celulose vai para o hemisfério norte para virar papel higiênico, folder e papelão, e no Sul é que fica a destruição. Um exemplo é a Aracruz, que exporta 98% da celulose produzida. Para que estamos entregando todas nossas terras? E que retorno há nisso? Nenhum. Só destruição ambiental”.

    “A empresa Aracruz Celulose invadiu áreas indígenas em processo de demarcação e expulsou índios tupiniquins e guaranis de 40 aldeias. No norte do estado, a empresa ocupou terras quilombolas, expulsando cerca de 10 mil famílias. Atualmente restam apenas seis aldeias indígenas, que reivindicam 10.500 hectares indevidamente apropriados pela empresa, e 1.500 famílias quilombolas. Junto com pequenos agricultores, essas comunidades, mesmo tendo resistido a pressões e permanecido em suas terras, sofreram perdas enormes e hoje vivem ilhadas entre eucaliptos, sujeitas às freqüentes aplicações de agrotóxicos.” afirma Daniela Meirelles Dias de Carvalho, geógrafa e técnica da Fase.

    A Aracruz não é a única, mas é a empresa desse ramo do agronegócio que mais recebeu dinheiro público. São quase R$ 2 bilhões nos últimos três anos. No entanto, uma empresa como a Aracruz gera apenas um emprego a cada 185 hectares plantados, enquanto a agricultura camponesa gera 1 emprego por hectare.

    Invasão de campesinas à Aracruz celulose

    Mesmo mostrando, exaustivamente, as cenas do laboratório destruído, em momento nenhum as reportagens da Globo ouviram o que as mulheres tinham a dizer. O ato foi considerado “apenas mais um vandalismo do MST”.

    Na verdade, a ocupação, organizada pelo MMC – Movimento de Mulheres Camponesas, tinha um objetivo muito bem definido, que era denunciar as conseqüências sociais e ambientais do avanço do “deserto verde”, criado pelo monocultivo de eucaliptos, de onde se extrai a celulose, matéria prima para a produção de papel.

    Em manifesto, o MMC afirma que: “Somos contra os desertos verdes, as enormes plantações de eucalipto, acácia e pinus para celulose, que cobrem milhares de hectares no Brasil e na América Latina. Só no estado do Rio Grande do Sul já são 200 mil hectares de eucalipto. Onde o deserto verde avança, a biodiversidade é destruída, os solos deterioram, os rios secam, sem contar a enorme poluição gerada pelas fábricas de celulose que contaminam o ar, as águas e ameaçam a saúde humana. A terra deve cumprir função social, não comercial.”

    As mulheres do MMC também estavam lá em solidariedade com os povos indígenas que tiveram suas terras invadidas pela empresa Aracruz, três meses antes.

    Invasão das aldeias indígenas pela Aracruz Celulose

    indiosatacados.jpg

    Não sei se eu sou a única, mas não vi nenhuma reportagem sobre essa invasão da mesma Aracruz Celulose (agora no Estado do Espírito Santo), às aldeias indígenas. Se passou, teve uma repercussão infinitamente menor.

    Segundo artigo de Eliana Rolemberg, do Adital, no dia 20 de janeiro de 2006, a Aracruz acionou helicópteros, bombas, armas pesadas e 120 agentes da Polícia Federal do Comando de Operações Táticas (COT), de Brasília, para destruir duas aldeias e expulsar 50 pessoas dos povos Tupiniquim e Guarani de sua terra tradicional, no município de Aracruz (ES).

    Sem sequer receber uma ordem de despejo, os Tupiniquim e Guarani foram surpreendidos com o violento ataque. A ação, que resultou na prisão arbitrária de duas lideranças e deixou outras 12 pessoas feridas, teve todo o apoio logístico da empresa de celulose. Os 120 agentes da Polícia Federal receberam hospedagem e utilizaram o heliporto e os telefones da multinacional.

    Durante a ação ilegal da Polícia Federal, tratores da multinacional destruíram totalmente duas aldeias e muitos indígenas não puderam sequer retirar seus pertences de dentro das casas derrubadas.

    Mesmo com essas denúncias de desrespeito aos direitos indígenas e ao meio ambiente, a gigante multinacional ainda conta com vultuosos recursos do BNDES.”

    Ou seja, uma empresa expulsar povos indígenas, com a violência que vemos nessas fotos, ferindo pessoas, destruindo suas casas, é legítimo. Mas o ato das mulheres campesinas é vandalismo?

    Não sou a favor de violência em nenhum caso, mas quantos de nós já ouvimos falar no “deserto verde”? não nos afeta, não nos interessa. A invasão dessas mulheres foi uma tentativa de chamar a nossa atenção. De mostrar à opinião pública o drama que ela, as nossas terras e meio ambiente estão vivendo.

    Pra mim, isso não é vandalismo, mesmo que alguns exageros tenham sido cometidos. A perda da Aracruz é recuperável, mas eles vão devolver os 50 mil hectares de Mata Atlântica destruidos? e as aldeias e povos desagregados?

    Muitos de nós ficamos horrorizados com a violência dessa invasão, mas elas estão fazendo o “trabalho sujo” e perigoso, de se expor, para chamar a atenção da opinião pública nacional e internacional, enquanto nós estamos, confortavelmente sentados, em nossas casas, julgando seus atos…

    Fontes:

    ____________________________________________

    Atualização e esclarecimento importante:

    Bom, enquanto o sistema de comentário não volta a funcionar, vou comentando algumas coisas por aqui mesmo.

    Gente, eu sou tendenciosa, qual é a novidade?

    Mas, eu não sou jornalista, não sou paga por ninguém, vocês não pagam pra ler meu blog. Quando vocês lêem a Veja ou assistem à Globo estão ou pagando pra comprar a revista ou vendo um canal de televisão que é concessão pública.

    Eu apresento as coisas, do jeito que eu as vejo, que eu sinto, sem me preocupar, nem um pouco, se estou sendo “imparcial”, até porque isso seria impossível, tudo que eu não sou é “neutra”.

    Claro que me incomoda o uso de violência e acho que a ação do MMC foi desastrada, mas não foi sobre isso, o meu post. Queria mostrar como as informações que nós recebemos, via grande imprensa são completamnte distorcidas. Artigos esculhambando com a mulherada já tivemos até demais, eu quis, mesmo, mostrar o outro lado.

    Agora, de uma forma geral, sinto muito que as invasões do MST tenham pedido o controle. Não por causa dos “pobrezinhos dos latifundiários” que têm suas fazendas invadidas, mas por que a imagem do Movimento, eu eu sempre admirei muito, acaba sendo prejudicada, pelos exageros cometidos.

    Enfim, terei todo prazer em discutir as nossas divergências de opinião na página de comentários, desde que se manetenha sempre respeito mútuo. Mas, aviso que não faz sentido nenhuma cobrança quanto à minha imparcialidade, porque nunca disse que ia ser imparcial nesse blog.

    (Os comentários estão de volta!)

    ____________________________________________________

    Plínio de Arruda Sampaio:

    “A ação das Mulheres da Via Campesina, na Aracruz, está em consonância com as ações de Gandhi e Martin Luther King Jr., mártires dos oprimidos. Elas e eles fizeram desobediência civil: desafio a leis injustas sem agredir pessoas. Como gesto extremo, querem acordar consciências anestesiadas que são cúmplices de sistemas opressivos. A não-violência de Gandhi e Luther King não diz respeito às coisas, mas, sim, às pessoas humanas”

    (Folha de São Paulo, 24/03/2006, p. A3).

    ________________________________________________________

    Falcão – Meninos do tráfico X Mulheres Campesinas

    Agora há pouco, Trocando idéias, nesse post, fiquei pensando numa coisa… o que não vale uma boa edição em horário nobre, hein?

    Provavelmente, as mesmas milhares de pessoas que ficaram revoltadas contra as mulheres trabalhadoras rurais, que invadiram e destruiram o patrimônio da Aracruz Celulose, em cenas mostradas exaustivamente pela Globo, morreram de pena dos meninos do tráfico, apresentados no documentário apresentado no Fantástico…

    Pela lógica, nenhuma violência se justifica, na minha opinião, ainda menos a dos meninos, que vendem drogas, feriram e mataram pessoas.

    Mas existe uma simpatia quase unânime em relação às pobres crianças vítimas da sociedade (simpatia essa que eu compartilho, claro!). Não vi ninguém se declarar com raiva do menino que dizia que tinha matado e ia continuar matando. Quase todo mundo assistiu a isso com lágrimas nos olhos.

    Sou capaz de apostar que o pais estaria tão comovido quanto, se fossem mostrados, no Fantástico, com a mesma dimensão e impacto, os depoimentos das mulheres do MST, contando suas vidas de privações, de abuso, de fome, de miséria, doenças, e as dificuldades pra criar seus filhos, que estão, literalmente, morrendo de fome.

    Duvido que essa revolta toda contra a “violência” das mulheres do Movimento das Mulheres Camponesas contra uma empresa fdp como a Aracruz, se mantivesse. Infelizmente, é tudo uma questão de edição.

    ________________________________________________________

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    Jornalista mostra o submundo da imprensa brasileira

    Denise | Brasil | Thursday, 30 March 2006

    Quem não viu ainda a carta que o jornalista Luiz Cláudio Cunha, editor de política da IstoÉ, enviou a Carlos José Marquesa, Diretor-Editorial da revista, não deixe de ler… é uma aula sobre a canalhice que rola na imprensa brasileira (claro que não são todos iguais, tem gente séria etc.).

    Adoro pessoas que têm coragem de se expor desse jeito! virei fãzoca do Luiz Cláudio Cunha!

    Eu vi, primeiro, no blog do Renato, que é imprescindível! :-)

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    Pedro e os bonecos

    Denise | Promoções | Wednesday, 29 March 2006

    pedroeosbonecos.jpg

    “Oi Denise!!!

    Os bonequinhos chegaram hoje! Adorei! Muito obrigado mesmo! :) Coloquei na minha escrivaninha e vai ficar ainda mais legal no meu quarto do Brasil, onde eu tenho alguns outros (nada de coleção como você, mas alguns).

    Mais uma vez obrigado!
    Gosto muito de ler seu blog, aprendo bastante.

    Beijos

    Pedro”

    _____________________________________

    O Pedro, lá da Noruega, adivinhou quem são todos esses bonequinhos, da minha coleção aqui e, por isso ganhou, do SdeE, esses Gollum e Frodo, que acabaram de chegar por lá e ele já mandou a foto pra mim :-)

    Aproveito pra avisar que não esqueci da promoção do voodoo, não… é que a comissão julgadora tá difícil de se “reunir”, mas vamos tentar resolver isso essa semana!

    _____________________________________

    Fiquei pensando em uma coisa que eu acho bacana… olha a carinha de menino do Pedro. Aí vem outro Pedro (Henrique) e deixou um recado nesse post, também. Adoro a enorme variedade de idade, sexo e idéias, das pessoas que frequentam esse blog! Tod@s muito benvind@s! :-)

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    Curtinhas, sobre filmes que vi, recentemente…

    Denise | Cinema | Wednesday, 29 March 2006

    Tsotsi

    tsotsi.jpg

    Uma decepção… como disse Liza, uma amiga de Bia, o filme sul-africano é uma mistura de Cidade de Deus com Dona de casa por acaso (Mr. Mom). Tem imagens lindíssimas das favelas de Soweto, mas eu achei “cheesy”, moralista e feito “pra gringo ver”. Eu não consegui nem assistir tudo, dei uma saída pra bater papo com Bia, depois voltei pra ver o final. E pensar que ganhou o Oscar, no lugar do lindo Paradise Now… tsc, tsc, tsc…

    A Vida e a Morte de Peter Sellers

    psellers.jpg

    Feito pra TV americana, esse filme, que já foi lançado no Brasil em DVD e deve ter nas locadoras, é muito interessante. Apesar de ter sido sempre super fã do ator, na série A Pantera Cor de Rosa, de Blake Edwards; Dr. Strangelove, de Kubrick e Muito Além do Jardim; não sabia nada sobre a vida dele. Sellers foi um homem visivelmente atormentado por transtornos de comportamento. Na atual era do Prozac, teria vivido bem melhor, sem perder sua genialidade. Por isso sou super favorável a qualquer remédio que ajude as pessoas a serem mais felizes. Sem preconceito nenhum.

    Terra Fria (North Country)

    northcountry.jpg

    A história da mãe solteira que convence suas colegas de trabalho a lutar contra o tratamento machista e nojento que recebem na mineradora, onde trabalham, sendo responsáveis pela primeira ação coletiva contra assédio sexual no trabalho não consegue emocionar nem a mim (por aí vocês podem imaginar…)!!! Achei o filme chato e a cena em que ela fala pro filho como decidiu manter sua gravidez, resultado de um estupro, parece encomenda de grupos pró-vida. Ver o filme foi uma perda de tempo, na minha opinião.

    Thank You For Smoking

    thankyouforsmoking.jpg

    Esse sim, é imperdível!!! O filme, de um humor inteligente e sutilésimo, sobre um lobista da indústria do tabaco já está na minha listinha de um dos mais interessantes que já vi. Até a namorada do Tom Cruise ficou ótima de jornalista inescrupulosa. Em breve falarei mais sobre ele (e sobre “lobbies”) por aqui, por isso nem vou entrar em detalhes. Mas tá em cartaz aqui nos EUA (e, como diz o Marcus, sempre tem a internet pra tentar um download!) sugiro que, quem puder, não perca!

    ________________________________________________________

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    Infância

    Denise | Familia, Familia,Literatura,Poesia | Tuesday, 28 March 2006

    eu_mamae_e_a_boneca.jpg

    Carlos Drummond de Andrade

    Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
    Minha mãe ficava sentada cosendo.
    Meu irmão pequeno dormia.
    Eu sozinho menino entre mangueiras.
    lia a história de Robinson Crusoé,
    comprida história que não acaba mais.

    No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
    a ninar nos longes da senzala – nunca se esqueceu
    chamava para o café.
    Café preto que nem a preta velha
    café gostoso
    café bom.

    Minha mãe ficava sentada cosendo
    olhando para mim:
    - Psiu…Não acorde o menino.
    Para o berço onde pousou um mosquito.
    E dava um suspiro…que fundo!

    Lá longe meu pai campeava
    no mato sem fim da fazenda.

    E eu não sabia que minha história
    era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

    _________________________________________

    Olha só, achei mais uma bonequinha, nessa foto que andava perdida… e vejam aqui a Infância, segundo Vinícius

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    Ato Contra a Lei de Imigração de Bush, em Washington, DC

    Denise | EUA,Washington, dc | Monday, 27 March 2006

    Veja outras fotos aqui.

    Leiam notícias sobre a Lei de Imigração aqui:

    Atualização (28/03 – 17h):

    Acabei de chegar do médico. Ele explicou que pleurite não é nada “grave”, mas a dor pode durar semanas e a única coisa a fazer é tomar um anti-inflamatório e analgésico e esperar.

    Fiquei chateada com isso. A dor é muito desagradável, imobilizadora, não estou podendo fazer meu exercícios, tenho dificuldade pra apanhar coisas no chão (e, claro, vivo derrubando tudo hehehe…). Além do mais, dói muito quando eu rio, e eu e Ted adoramos umas boas gargalhadas… hehehehe…

    Francamente, tem horas que eu fico pensando que minhan mãe tem razão e fico avaliando até que ponto me afeta essa energia tão ruim de algumas (ainda bem que poucas) pessoas que circulam por aqui.

    Gente, não gosta de mim, não gosta do blog, não precisa continuar por aqui. Some, desaparece… por favor, me deixa… isso não pode fazer bem a ninguém mesmo…

    deitada_no_mall.jpg
    Deitada na “grama”, depois das fotos acima.

    Querid@s, queria comentar a quantas anda a tal Lei de Imigração, mas não tá dando mesmo, ando com muitas dores. Aliás, vocês não imaginam como sou maluquinha.

    Fiquei tanto tempo fazendo essas fotos e curtindo o protesto, lá no Capitólio, que quando acabou, me deitei no meio do National Mall, na grama mesmo, porque não aguentava andar pra pegar o metrô, com uma “dor da pleura” hehehehe… fiquei lá, deitada no chão, até pegar no sono, com o sol no rosto (mas um delicioso ventinho frio!) e agarrada na minha câmera, claro!

    Ai, ai ai… agora, estou pagando pelo meu “excesso de espoletice”, como bem disse a Ana Lucia… vou ali deitar e só volto quando melhorar um pouco.

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    Será que encontro uma benzedeira em DC???

    Denise | Me myself and I | Sunday, 26 March 2006

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    Acho que eu vou tratar de pendurar um galhinho de arruda, aqui no blog, antes que eu acabe conhecendo todos os hospitais da região…

    grafico_pleurite.jpgHá uns 10 dias vinha tendo uma dor quase insuportável nas costas, que foi piorando cada vez mais. Fiquei enrolando, até que, hoje, não deu mais. Quando acordei, quase não consegui levantar da cama, com tanta dor.

    Tínhamos um “brunch” agendado com os pais de Simon, uma pena. Desistimos do “brunch” e resolvemos ir logo pra o hospital. Bom, a diferença é que, dessa vez, Tedje tava do meu ladinho o tempo todo.

    Fiz exame de sangue, urina, raio X, ultrassonografia e até ressonância magnética… por que estou com uma perna bem inchada, a médica chegou a considerar uma embolia pulmonar!!! mas, pelos resultados, estou com uma Pleurite, uma inflamação da pleura, membrana que envolve os pulmões.

    As causas podem ser muitas, mas, no meu caso, a médica acha que pode ter sido um vírus ou resultado de um esforço excessivo que fiz dia desses. Estou, apenas, tomando anti-inflamatórios e analgésicos, também preciso descansar, o máximo que puder.

    No hospital, entre “beijinhos sem ter fim”, pra relaxar o ambiente, entre um exame e outro, fiz essas fotos. Apesar da minha cara de doente e “derrubada” (com aquela roupa “linda”, de hospital, e sem maquiagem nenhuma!), achei as fotos até bonitinhas.

    Essa carinha de apaixonado de Ted é melhor que qualquer remédio :-) Dá pra achar um tiquinho de alegria até nos momentos mais difíceis…

    Alguém sabe alguma coisa sobre “pleurite”? já teve ou conhece alguém que passou por isso?

    E o papo sobre a questão da imigraçao ilegal nos EUA continua aí abaixo (e eu vou pra passeata com pleurite e tudo! aguardem fotos!!!).

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    Segundo Hillary Clinton, “Lei da Imigração faria até de Jesus um Criminoso”.

    Denise | EUA | Sunday, 26 March 2006

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    Como eu já tinha dito, anteontem, a coisa por aqui tá pegando fogo. Milhares de pessoas continuam indo pras ruas, em passeatas que vão continuar, todos os dias, até a próxima semana. Amanhã, segunda feira, O protesto será no lado oeste do Capitólio, começando às 11 da manhã. Se tudo sair como estou planejando, estarei por lá.

    Segundo Hillary Clinton, possível candidata a presidente em 2008, do jeito que a lei está sendo proposta “até Jesus Cristo seria criminoso”. A frase é boa, mas os grupos de defesa dos imigrantes não estão nada satisfeitos com a demora dos democratas em se posicionar firmemente contra a Lei, que já passou pela Câmara dos Deputados, em dezembro do ano passado, e tá indo pro Senado, na segunda-feira.

    A Lei da Imigração, proposta pelos republicanos e apoiada por Bush:

    • passa a tratar como criminosos os cerca de 12 milhões de homens, mulheres e crianças que vivem no país ilegalmente. Permanecer no país sem documentos, hoje, é considerada uma ofensa civil, não criminal;

    • amplia o muro, que separa a fronteira dos EUA e Mexico, para mais de 1.000 quilômetros, a um custo avaliado em US$ 2.2 bilhões. Além de ser considerado ineficiente para diminuir a imigração ilegal, o projeto prejudica o meio ambiente e tem recebido críticas de povos indígenas que não querem o muro em suas terras. Os EUA tem 3.140 km de fronteira com o Mexico;

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    • qualquer pessoa ou instituição que ajudar um(a) imigrante ilegal, passa a ser considerada criminosa, aí incluindo-se qualquer tipo de ação humanitária;
    • força os potenciais empregadores a checar os entrevistados com um sistema de verificação eletrônica. Os custos ficariam por conta dos empregadores. Esses sistema é considerado, pelos especialistas, inviável e iria “quebrar a sociedade e a economia do país”.

    Exageros da Lei podem resultar em que, mesmo as menores violações, passem a ser criminalizadas, incluindo ai, por exemplo:

    • Bebês, cujos pais os trouxeram para os EUA sem visto;

    • Estudantes universitários que não estejam frequentando as aulas necessárias para justificar seu visto de estudante;
    • Um turista hospitalizado, cujo visto tenha expirado.

    Já há algum tempo venho acompanhando a mobilização das organizações de imigrantes, mas apenas na última semana o movimento tem tomado mais força… talvez tarde demais, vamos ver no que vai dar…

    Mais, sobre o assunto, no blog da Leila.

    Fotos: (1) Passeata, hoje, em Los Angeles e (2) o muro de ferro que separa a fronteira dos EUA com o Mexico, entre as cidades de San Diego e Tijuana. Foto de Nic Paget-Clarke.

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    Nunca é demais falar no assunto…

    Denise | Feminismo | Sunday, 26 March 2006

    A cada 15 segundos, uma mulher é espancada pelo seu companheiro, no Brasil… Flavinha escreveu, hoje, um ótimo post sobre BEM QUERER, Campanha da Não Violência à Mulher. Os dados são tristes, mas vale conferir, pra não esquecer…

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    Festival de Pipas no “National Mall”

    Denise | Carpe Diem,Fotografia,Washington, dc | Saturday, 25 March 2006

    The 40th Annual Smithsonian Kite Festival – Blowin’ in the Wind

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    Six Feet Under e Nina Simone

    Denise | Música,Soul, Blues & Jazz,Televisao | Saturday, 25 March 2006

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    Nada do que eu vi, no último ano me deu mais prazer do que a série Six Feet Under. Eu e Ted assistimos as quatro primeiras temporadas em DVD, de uma vez só, e ficou um gostinho de quero muito mais. Saudades de Claire, de David, de Keith, de Brenda, de Nate… agora estamos aguardando, ansiosamente, o lançamento da quinta temporada, dia 28 de março…

    Quero comprar todas as temporadas (bem, pelo menos vou comprar as duas primeiras agora) e ver tudo de novo…

    Uma coisa que eu adoro nessa série é como as mulheres são todas bem reais. Brenda, Claire, Ruth, Vanessa, Liza, tem corpo normal, jeito de mulher de verdade.

    Bom, ‘tava procurando vídeos da Nina Simone no You Tube quando encontrei esse vídeo fantástico, que é um clip de “Feeling Good”, com a Nina, para uma chamada do Six Feet Under. Lindo.

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