Esse foi um ano de grandes filmes. Nem todos que eu escolhi tiveram grandes bilheterias, alguns, infelizmente, talvez nem cheguem a passar no Brasil, mas foram filmes que me emocionaram em 2005. Essa foi a minha lista de melhores filmes de 2005:
1. Crash

Escrevi sobre Crash aqui. Sem maniqueísmo, o diretor Paul Haggis fala de racismo, xenofobia e mostra que esses e outros preconceitos estão em todo lugar e aparecem onde menos se espera. É muito emocionante, com uma trilha sonora sublime e o melhor filme do ano, pra mim.
2. It’s All Gone Pete Tong

Certamente, não estará na lista de ninguém, mas está na minha. “It’s All Gone Pete Tong”, que é uma gíria do mundo rave pra “já era”, “deu tudo errado”, foi uma surpresa deliciosa. O filme conta a história do DJ, que tem uma vida ensandecida em Ibiza, com muito sexo, drogas e música techno e, de repente, fica surdo. As cores são lindas, bem azul e amarelo mediterrâneo, as trilha sonora é ótima, o ator, genial, e a história (é um “mockumentary”, um documentário fictício) me prendeu até o último segundo. A-D-O-R-E-I e escrevi sobre ele aqui.
3. Marcha dos Pinguins

Esse foi outro filminho que fui ver sem esperar muito dele. Ainda mais por ser um documentário sobre pinguins, nunca fui a maior fão dos filmes de National Geographic. Mas, o filme é tão lindo, tão perfeito, com uma narrativa tão comovente – e muito engraçada, em alguns momentos – que, no final eu já estava torcendo tanto pra que as pinguins-mamães chegassem a tempo, como se fosse o ET fugindo na bicicleta… registrei minhas impressões na horinha que cheguei do cinema, nesse post aqui.
4. A Vida Marinha com Steve Zissou

O filme é de 2004, mas vou enfiar aqui, porque só vi em 2005. Além de contar com aquele Deus de ébano, Seu Jorge e ter a melhor trilha sonora dos últimos anos, com o moço cantando músicas do David Bowie em português, é um filmaço divertido, com uma historinha despretensiosa e muito engraçada e todos os atores, sem exceção, começando pelo maravilhoso Bill Murray estão perfeitos em seus papéis. Diversão garantida. Escrevi sobre ele aqui.
5. Paradise Now

Vi o trailer de Paradise Now pelo menos uma dezena de vezes, no cinema de arte onde Bia trabalha, e onde fui ver boa parte desses filmes aqui. Portanto, já estava ansiosíssima pra ver o filme sobre a história de dois rapazes palestinos que acabam se tornando “homens bombas” enviados à Tel Aviv. É um filmaço que mostra as 24 horas antes do atentado com as suas dúvidas, medos, e como são convencidos a executar a tarefa com o argumento de que, ao morrer, vão para o paraíso e serão encontrado, lá, por um anjo, que os guiará… lindo, lindo, lindo… aqui está o post sobre ele.
6. The Squid and the Whale (A Lula e a Baleia)

Uma família de intelectuais que vive, com dois filhos, no Brooklyn, em 1986. O pai, escritor e professor universitário está em crise porque não consegue fazer sucesso com um livro há mais de 10 anos. A mãe começa uma carreira literária de sucesso. O filme é sobre a dor da separação, principalmente para os homens, que têm mais tendência à acomodação e a não querer mudar nada. Mas é, principalmente sobre a dificuldade masculina de enfrentar a intimidade com os filhos e aprender a ser pai sozinho. Filmaço, mas preciso mesmo é destacar a barba do Jeff Daniels que é perfeita, numa época de caras lisinhas. Até falei sobre isso, aqui.
7. Virgem de 40 Anos (The 40 Year-Old Virgin)

Não sou de rir de qualquer bobagem, na verdade, detesto a maioria dos programas humorísticos brasileiros, mas adoro uma comédia inteligente. Quase morro de rir com esse filme. É uma espécie de “Porky’s” (clássico do besteirol dos anos 80), para adultos dos anos 2000. Tem gags bem óbvias, tipo o homem que vai fazer depilação do peito, mas as expressões do Steve Carell são impagáveis. A última cena me deu dor no estômago, não posso contar, porque estrega, mas não deixe de assistir, é de morrer de rir. Ótimo remédio pra depressão.
8. O Jardineiro Fiel

Lindíssima história de amor de uma mulher pela justiça e de um homem por uma mulher. Muito bem contada pelo nosso Fernando Meirelles. No Norte do Quênia, a ativista Tessa Quayle (a linda Rachel Weisz) é encontrada morta. As evidências iniciais indicam que foi um crime passional, mas o marido, diplomata, começa a investigar e percebe que ela sabia demais sobre um esquema pesado de industrias farmacêuticas na Africa. Ele vai, literalmente, até o fim do mundo pra descobrir o que houve. Um dos filmes mais bonitos do ano, sem dúvida.
9. Broken Flowers (Flores Partidas)

Eu sou fãzoca de Jim Jarmusch. Não acho que esse foi seu melhor filme, mas foi, sem dúvida, um dos melhores que assisti em 2005. Mais um sobre solidão e paternidade. Ou a falta dela. Abandonado pela mulher, Don Johnston descobre que tem um filho adolescente e sai à procura dele. Bill Murray tá ótimo, mas achei meio “dejà vu” do personagem deprimido de “Lost in Translation”… mas, enfim, Jarmush é Jarmush e não podia faltar da minha lista.
10. King Kong

Enquanto quase todos da minha lista são filmes mais “cerebrais”, King Kong é uma celebração ao cinema. Pura diversão, do mestre da fantasia Peter Jackson, sem grandes pretensões. Amei as primeiras cenas, que mostram a tesão incontrolável do Carl pelo cinema e o quanto terminar o seu filme era tudo que importava pra ele. Adoro tesões incontroláveis e acho que King Kong é sobre isso. Do cineasta ao macacão, todos sucumbem por causa da sua tesão, seja pelo cinema, pelo dinheiro ou pela mocinha do filme. Genial.
Menções Honrosas:
Me and You and Everyone We Know – Sabe um filme que é tão estranho, tão estranho, que no final você não consegue decidir se gostou ou não? esse é um deles, pra mim. Muito esquisito, feito por uma mulher interessantíssima, também sobre solidão, sobre inadequação, sobre dificuldades de se manter relacionamentos e sobre a tesão pela arte. Acho que adorei. Acho, mas não tenho certeza.
Junebug é outro filme estranho. Uma mulher moderna e descolada vai parar na casa da família do namorado, num estado conservador do Sul dos Estados Unidos. Parece outro planeta e o comportamento normal, mas bizarro, da familia incomoda não só a moça mas à gente que assiste ao filme, também. Talvez porque mostre um pouco do que é “familia”… lembra aquela música dos Titãs (Família, família, cachorro, gato, galinha, família, família, vive junto todo dia, nunca perde essa mania…” cada uma, bizarra à sua maneira…
10 filmes “não vi ainda, mas preciso ver” de 2005:
Brokeback Mountain
Millions
Good Night, and Good Luck
Pride & Prejudice
The Ballad of Jack and Rose
Capote
A History of Violence
Palindromes
Walk the Line
Turtles Can Fly
Ouça algumas músicas de trilhas sonoras
que povoaram esse blog em 2005:
Life On Mars? – A Vida Marinha com Steve Zissou
Orange Sky – Paradise Now
In The Deep – Crash
Outros posts sobre cinema aqui.