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    História do Mês de Conscientização do Câncer de Mama

    Denise | Corpo & Saúde,Seios | Monday, 31 October 2005

    soulcollage.jpg

    Em outubro de 1995, nos EUA, um grupo se reuniu em uma semana de evento que tinha objetivo conscientizar o público sobre a questão do câncer de mama. Os maiores patrocinadores eram a Academy of Family Physicians e CancerCare, Inc., que distribuiu panfletos, deu entrevistas e falou ao Congresso americano sobre a questão crucial de disponibilizar o acesso à mamografia (em junho de 2006, foi instituido pelo senado americano o Dia Nacional da Mamografia: 20 de outubro.)

    Fiz uma pesquisa, no Google, mas não consegui descobrir quando esse mês passou a ser celebrado no Brasil. O fato é que, em quase todo mundo, outubro tem servido como um mês para alerta contra essa doença e alerta para a importância da prevenção. Sei que muita gente questiona a existência de “datas comemorativas”, eu acho que são muito úteis e benvindas, porque colocam o tema em pauta e fazem a gente pensar no assunto.

    Auto-exame, exame clínico e mamografia

    foto_mamografia.jpgEssa é uma doença com ótimos prognósticos, se for detectada a tempo, daí a importância de três ações: auto-exame, exame clínico por um(a) ginecologista e mamografia, não para prevenir (como muita gente pensa), já que ao ser identificado o câncer já existe, mas para garantir a possiblidade do tratamento imediato.

    As campanhas que promovem o auto-exame são importantíssimas, já li em algum lugar que é o(a) companheiro(a), muitas vezes, que identifica a presença do caroço no seio. Mas acho que é preciso conscientizar, ainda mais, para que seja feito, sempre, o exame médico na consulta ginecológica.

    Criei o site Câncer de Mama – Entre de peito nessa luta depois de chegar de uma consulta na qual tive que pedir à médica que fizesse o exame do seio e ela não deu a mínima atenção. Me senti vulnerável e jurei que não voltaria pra ginecologista que não fizesse exame de mama, voluntariamente., Não dá pra confiar. Se o seu(ou sua), não examinar sua mama, bote a boca no trombone, exija, afinal são alguns minutinhos a mais na consulta, não custa nada!.

    Quanto à mamografia, existem divergências em relação a quando devem começar a ser feitas, o INCA – Instituto Nacional do Câncer diz que “toda mulher, entre 50 e 69 anos, deve fazer uma mamografia a cada dois anos. As mulheres com caso de câncer de mama na família (mãe, irmã, filha etc, diagnosticados antes dos 50 anos), ou aquelas que tiverem câncer de ovário ou câncer em uma das mamas, em qualquer idade, devem realizar o exame clínico e mamografia, a partir dos 35 anos de idade, anualmente.”

    Já aqui, nos EUA, o National Cancer Institute orienta que as “mulheres de 40 anos ou mais devem fazer mamografias a cada um ou dois anos”. Vários estudos já comprovaram que as mamografias reduzem o número de mortes por câncer de mama, em mulheres entre 40 e 69 anos e, especialmente, daquelas acima de 50 anos.

    Então, qual a melhor forma de detectar o câncer de mama precocemente?

    Ainda que não seja um cuidado a ser descartado, o auto-exame, sozinho, não contribui muito para a detecção precoce do câncer de mama. Além do auto-exame é fundamental o exame clínico nas consultas com ginecologista e a mamografia.

    O exame pelo(a) profissional de saúde me parece que tem sido pouco valorizado, mas pode ser decisivo. Existem tipos de câncer que não podem ser detectados na mamografia, mas o são no exame clínico.

    Fatores de risco

    quilt_sm.jpg

    História na família – o risco aumenta se a mulher tiver a mãe, irmã ou filha vítima do câncer (especialmente se tiver sido diagnosticada antes dos 50 anos de idade). Mas, é importante saber que apenas cerca de 10% dos casos de câncer de mama são relacionados a história familiar.

    História pessoal – mulheres que já tiveram câncer de mama, têm mais risco de desenvolver mais um.

    História menstrual e reprodutiva – Mulheres que começaram a menstruar antes dos 12 anos, ou que entraram na menopausa depois dos 55 anos, têm maior risco de desenvolver câncer de mama. Mulheres que tiveram primeiro filho após 30 anos, que nunca engravidaram ou nunca amamentaram também estão em sitiuação de risco aumentado.

    Terapias de reposição hormonal de longo termo – mulheres que usaram a terapia por mais de cinco anos.

    Terapia de radiação (raio X) - Mulheres que tiveram terapias de radiação no peito (incluindo os seios) antes dos 30 anos têm maior risco de desenvolver câncer de mama, em algum momento da vida. Incçluindo as tratadas para doença de Hodgkin. Estudos mostram que, quanto mais jovem tenha sido a mulher ao receber o tratamento, maior o risco de câncer de mama.

    Peso – estudos mostram que o risco de desenvolver câncer de mama após a menopausa é maior entre as mulheres que têm sobrepeso ou obesidade.

    Atividades físicas – mulheres que são inativas durante toda a vida têm um risco aumentado de ter um cãncer de mama. Ser ativa, pode reduzir o risco de sibrepeso e obesidade.

    Álcool – estudos sugerem que quanto mais bebidas alcólicas a mulher consume, maior o risco de câncer de mama.

    Idade – o risco aumenta com a idade, com particular perigo após os 60 anos, por isso, se possível a partir dos 40, mas com toda certeza depois dos 50, é fundamental a mamografia anual. Eu faço a minha, todos anos (pra dizer a verdade, fiz até antes dos 40, pra garantir).

    Uso de anticoncepcional – é, ainda, uma questão controversa, mas, aparentemente, existe um risco aumentado para certos subgrupos de mulheres como as que usaram contraceptivos orais com dosagens elevadas de estrogênio, por longo período e as que usaram anticoncepcional em idade precoce, antes da primeira gravidez.

    Fontes e outras leituras interessantes:

    Ilustrações: (1) Soul Colage, de Anne Marie Bennet; (2) Imaginis; (3) The Mastectomy Quilt, de Suzanne Marshall, 1992.

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    Love is in the air…

    Denise | Sexualidade | Monday, 31 October 2005

    jacamarapsique.jpg

    Desde a semana passada que quero comentar como a blogosfera anda particularmente inspirada… assim como o Thiago, eu também gosto de blogs que falam de sexo. No meu caso, não exatamente blogs sobre sexo, que aí já acho meio repetitivo, mas gosto de ver gente que eu gosto debatendo, divagando ou poetizando sobre o assunto, que é saudável e faz bem a todo mundo, que já esteja na idade de fazer!

    Dia desses, Flavio Prada escreveu, sobre uma mostra do cacete, que está acontecendo em Dresden, na Alemanha: “100.000 anos de sexo”, com um post bem ilustrado e deliciosamente bem escrito, o blogueiro reflete sobre arte erótica e mostra que é tão antiga quanto a humanidade. Dei a Ted esse livrinho, Erotica Universalis, com imagens belíssimas de Matisse, Fragonard, Dali e um ótimo preço, faz bem aos sentidos e é um ótimo presente-surpresa ;)

    O Thiago está apaixonado e fez um post lindo, lindo sobre o quanto “ver a intimidade nascendo e o tesão aumentando, com toques, com palavras sussurradas, até o momento em que um não resiste ao outro, é o que há…”. Grande Thiago! tod@s nós concordamos…

    A Megui, por sua vez, está encafifada com uma pergunta: “O que fazer quando você ama uma pessoa, que é sua ‘alma gêmea’ (se é que isso existe) mas não se satifaz na cama?”. O problema é com um amigo dela que é casado, adora a mulher, mas não está satisfeito com a quantidade de vezes que transam.

    Essa é uma questão complicada, especialmente depois de alguns anos vivendo junto. O ajuste dos desejos. Eu acho que, se ainda existir amor e tesão, conversando, a gente se entende. Só não se pode é deixar pra lá, fazer de conta que nada tá acontecendo, quando existe esse descompasso entre “quantas vezes eu quero e quantas vezes você quer”.

    Claro que tem dias que a gente tá cansad@, tá com preguiça, quer fazer outra coisa, mas eu sempre acho que o desejo se desperta. Às vezes a gente começa não tão entusiasmad@, mas se @ parceir@ souber fazer a coisa certa, em pouco tempo, pega fogo.

    E apesar de concordar que a qualidade é mais importante que a quantidade, acho que existem limites. Pouco sexo pode significar, também, menos intimidade. Continuo achando que a regrinha fundamental, especialmente pros casais que estão juntos há muito tempo, é pensar em sexo sempre. No trabalho, no carro, no caminho pra casa. Afinal, desejo não é uma coisa que se liga e desliga, precisa de um certo “cultivo”…

    E por falar em cultivar o desejo e despertar as emoções, não é só Drummond que coloca a poesia a serviço das almas mais assanhadas, não, aqui mesmo, na nossa blogosfera, também temos poetas prontas a botar fogo na coisa… a Lena conta como seu amado faz pra que ela se transforme em “fera” e a Vanessa faz as confissões de alcova mais secretas.

    Finalmente, eu, que sou muito musical, tenho pensado… “quais as músicas ideais para uma noite (ou dia) especialíssima?”

    Primeiro, deixa explicar que, pra mim, música em português dispersa, fico prestando atenção na letra, não dá… hehehe… portanto, é por isso que estão fora da minha sex playlist todas as músicas brazucas.

    Nessa área, eu acho que a Sade Adu é imbatível, dá pra colocar os setes cds dela e passar a noite toda… com destaque pra Is it a Crime?. Mas, como eu adoro fazer listinha… segue aí uma seleção que é pra incendiar qualquer lençol (Ted aprova quase todas):

  • Glory Box, com Portishead;
  • Into Dust, Mazzy Star;
  • Paris Match, com Tracey Thorn e Style Council;
  • Seekers Who Are Lovers, com Cocteau Twins;
  • Strange Love, com Depeche Mode;
  • Turn me On, com Norah Jones;
  • Whiter Shade of Pale, com Procul Harum.
  • The Man I Love, com Billie Holiday;
  • Crazy, com Seal;
  • Light my Fire, com The Doors;
  • Let’s Get It On, com Marvin Gaye;
  • Just the Way you Are, Barry White.

    Bom, além disso, muito Miles Davis, Count Basie, Sam Cooke, Otis Redding, John Coltrane, Joe Cocker, Lou Reed e mais Billie Holiday…

    Claro, acima de tudo, precisa ser levado em consideração se a outra pessoa gosta das músicas, senão não adianta de nada… também não pode ser nada triste demais. Adoro Nina Simone, mas tenho uma certa dificuldade em encontrar uma música que garanta que a coisa não vai desandar. Pra mim, nessas horas, não dá pra ouvir “Ne Me Quitte Pas”, por exemplo.

    E vocês? têm sugestões pra nossa “sex playlist”? me ajudem a fazer uma lista, para todos os gostos!

    Atualização:

  • I’m on Fire, com Bruce Springsteen
  • I put a spell on you, com Nina Simone (ok, não podia faltar…)

    Pintura: “Amor e Psiqué”, de João Câmara, óleo sobre tela montada – 180 x 240cm – 1990.

    _________________________________________

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    EMBRIAGUEM-SE

    Denise | Literatura | Sunday, 30 October 2005

    cbaudelaire.jpgCharles Baudelaire

    É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

    Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

    E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: “É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso”. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

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    Lia, relia e adorava esse texto do Baudelaire, anos atrás. Lembrei dele ao ver a versão em inglês no blog do Thiago e achei essa versão em português aqui.

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    United States of Leland

    Denise | Cinema | Saturday, 29 October 2005

    leland.jpgLeland: .”Isso foi uma coisa que uma amiga minha me disse: ‘Você precisa acreditar que a vida é mais que a soma das partes, kiddo.’ (…) Mas, quando eu penso sobre o que ela disse, a mesma coisa sempre vem à minha cabeça: E se você não conseguir colocar os pedaços juntos, em primeiro lugar?”

    Eu sou meio chatinha com cinema porque tem filme demais pra gente assistir, pra perder tempo com coisas ruins. Assisti Kinsey dia desses, é OK, mas não acrescentou nada à minha vida. United States of Leland, que vi ontem à noite, ao contrário, me emocionou, me fez pensar e é isso é o que eu espero de um filme.

    Num subúrbio de uma cidade americana, Leland, um garoto pra lá de pacato, de 16 anos, mata o irmão autista da sua ex-namorada a facadas, chocando todo mundo na cidade. No reformatório juvenil o professor tenta entrar no “Mundo de Leland” (título do filme no Brasil) e descobrir o porquê.

    Apesar do tema, o filme não é violento, é lento, é contemplativo e eu achei maravilhoso. Aos poucos, você vai entrando no mundo de Leland, através da sua própria narrativa e vai conhecendo os personagens como o pai, escritor famoso e ausente que nunca o viu desde os seis de idade (Kevin Spacey, brihante!) e a namorada viciada em drogas pesadas e vai formando o quebra-cabeça, pra, no final, entender um pouco mais porque ele matou o garoto.

    Claro que o dele foi imperdoável, mas Leland lembra à gente que todo mundo comete erros, que nem sempre existe uma explicação pra eles e que, não é porque o erro não vai ser descoberto que deixa de ser um erro. Interessante de refletir, depois de eu ter escrito, ontem mesmo, sobre culpa…

    Todos os atores e atrizes estão perfeitos. Além do genial Kevin Spacey, tem a super atriz sueca Lena Olin e o garoto, que fez o papel de Leland P. Fitzgerald, Ryan Gosling, já é considerado um queridinho da nova geração.

    Junto com Crash, esse foi um dos melhores filmes que assisti, ultimamente. Saiu no Brasil em DVD, deve ter em muitas locadoras e eu recomendo!

    Observação: Apesar de todos os elogios, tenho uma crítica… acho que a visão do professor, negro (o maravilhoso ator Don Cheadle, de Hotel Rwanda), é muito condescendente e deslumbrada em relação ao garotinho branco de classe média e viajado. Me pergunto se ele teria algum interesse num “United States of Pablo”… se alguém assistir ao filme, adoraria discutir o que achou disso.

    ___________________________________________

    Cena que merece virar “cult”:

    O pai de Leland (Kevin Spacey), escritor famoso e insuportável, está num avião, vindo encontrá-lo, quando soube que ele foi preso. Vê uma senhora lendo um jornal USA Today que tem uma foto e matéria sobre ele mesmo e pede à senhora, pra dar uma olhada…

    - “Aren’t you an actor?” (“Você não é um ator?”)

    - “Aren’t we all, dear?” (“Não somos todos, querida?”)

    ___________________________________________

    Ouçam a belíssima “Ballroom Dancing” de Jeremy Enigck, versão raríssima, já que a trilha sonora de United States of Leland não foi lançada nem aqui, nos EUA. Presente do SdeE pra vocês.. ;)

    E vejam o trailer do filme aqui.

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    Chega ao Brasil novo gibi de “Asterix”

    Denise | Cartuns | Saturday, 29 October 2005

    asterixeobelix.jpg

    Eu queeeeeeeeeeeeeero!!! mamãe, não esquece de comprar o meu, antes que acabe… corram tod@s para as bancas…

    “Havia quatro anos não saía um gibi inédito do Asterix. A França, fanática por ele como por Zidane, fez uma edição de colecionador: 3.178.000 álbuns numerados, únicos. No resto do mundo, estão sendo colocados à venda 8 milhões de gibis em 27 países, para se ter uma idéia da popularidade desse baixinho…” (Continua aqui)

    Asterix foi criado em 1959, na França, por Albert Uderzo e René Goscinny e é, absolutamente genial! com o falecimento de Goscinny, Uderzo deu continuidade ao trabalho, com a colaboração de Anna, sua filha. Tá bom que as histórias nunca mais foram as mesmas, mas Asterix inédito é, sempre, imperdível…

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    Vamos colocar as culpas num saco enorme
    e queimar ali no terreno da esquina?

    Denise | Comportamento | Friday, 28 October 2005

    Seca

    “‘Quanto mais ando, querendo pessoas, parece que entro mais no sozinho do vago…’ – foi o que pensei na ocasião. De pensar assim me desvalendo. Eu tinha culpa de tudo, na minha vida, e não sabia como não ter. Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo; que, quando notei que estava com dor-de-cabeça, e achei que por certo a tristeza vinha era daquilo, isso até me serviu de bom consolo. E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia.” Grande Sertão:Veredas, Guimarães Rosa

    De todos os fantasmas com os quais eu brigo, todos os dias, pra acordar e me manter feliz, a culpa é o maior e mais presente.

    Desde pequenininha a gente aprende que tem culpa por tudo. É a base da nossa educação cristã. Acho que a primeira grande culpa é a de não ser uma boa filha. Não atender às expectativas, quase sempre irreais, dos pais. Não é boa aluna, não se comporta direitinho, não quer pentear o cabelo, nem sabe o que quer. Um dia quer ser bailarina, no outro quer jogar volley.

    Depois, a gente vai crescendo, fica mocinha e se sente culpada por estar virando mulher e despertando desejos em homens indesejáveis. Ao mesmo tempo, vem a culpa terrível por começar a sentir tanto desejo e precisar fazer alguma coisa pra aliviar aquela tensão. Sozinha ou acompanhada.

    Mas aí a gente também se sente culpada se o menino que a gente gosta não gosta da gente ou por não ser a namorada que o namorado queria e a história continua…

    Culpa porque não soube escolher a profissão certa, porque não está dando tudo que podia no trabalho ou porque podia estar fazendo algo de mais útil pra esse ser um mundo melhor… tanta fome, tanta miséria e eu aqui, tão feliz, como é que pode? não pode.

    Tantos amigos que precisaram de mim e eu não estive presente ou não tive a palavra que eles precisaram, ainda que meus pensamentos estivesse com eles.

    E a maternidade? essa então, é um poço de culpas. Aliás, a gente só não tem mais culpa por não ser boa filha, porque a culpa por não ser boa mãe é maior e não deixa.

    A gente se culpa se não tiver parto natural, se não amamentar, se sair pra trabalhar e deixar filho chorando, se ele adoecer e a gente não puder estar do lado (aliás, a gente se culpa somente por ele adoecer).

    A filha cresce e a gente se culpa se ela não for boa aluna, não se comportar direitinho, não pentear o cabelo e não souber o que quer ser (bailarina ou jogadora de volley?) e assim a culpa se perpetua e passa de geração a geração…

    Se o casamento vai mal, a gente se sente culpada, se o sexo não for bom, a culpa é nossa, claro, e se a gente olha do lado e sente desejo por outro homem, aí então, a culpa é dilacerante. O casamento acabou? claro, a gente sempre acha que a gente é que podia ter feito melhor…

    E tem a culpa por dizer a palavra errada, na hora errada e estragar tudo. Culpa porque tudo podia ser diferente, porque a gente podia ter feito tudo melhor.

    Essas são algumas das culpas que a gente carrega na vida real. Nem sempre todas, nem sempre ao mesmo tempo, mas todas temos uma boa chance de conviver com a maioria delas.

    Agora, com essa nova “vida virtual”, uma série de novas culpas estão aparecendo.

    A gente se sente constantemente culpada por não conseguir responder a todos os emails que recebe, ou se não comentar todos os comentários, não visitar todos os blogs amigos e, se visitar mas estiver cansada demais pra deixar uma mensagenzinha…

    Culpa por não lembrar de linkar algumas pessoas que estão visitando o blog, ou por não dar a devida atenção a cada uma delas… e tem ainda os scraps do Orkut, os recados no Multiply, os amigos que se sentem abandonados no MSN ou Skype…

    Ah, não, gente… pára tudo… não aguento mais tanta culpa, já me sinto tão cansada e fugindo de todas as que me acompanharam até hoje.

    Tem dias que comento dezenas de comentários que deixaram aqui no blog. E faço isso com o maior prazer, porque adoro essa comunicação. Mas, às vezes, não dá pra fazer mais que isso, ou nem isso.

    Francamente? cansei de culpa, de todas elas. Reais e virtuais. Tô colocando todas num saco enorme e queimando ali no parquinho da esquina.

    Vamos fazer uma cartarse coletiva? vamos queimar todas as nossa culpas e começar tudo do zero, fresquinhas e prontas pra uma vida real, na qual todo mundo sabe que ninguém é perfeito e não precisa se culpar por isso. Apenas continuar fazendo um esforço danado pra ser uma pessoa melhor, isso basta. Sem culpas.

    Atualização: Não quis entrar em detalhes, para que todo mundo se identificasse com o post mas, sem dúvidas, como disse a Vanessa, morar fora do Brasil é uma das maiores fontes de culpa pra que todo mundo que toma essa opção, principalmente por estar longe da família, não participar do crescimento das crianças, não dar o apoio emocional que a mãe e o pai sempre precisam e morrer de medo de algo acontecer por lá, enquanto a gente está longe… é barra pesada.

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    Culpa de Estimação

    Denise | Música | Friday, 28 October 2005

    Com Cazuza
    De Cazuza e Roberto Frejat

    Por onde eu ando
    Levo ao meu lado
    A minha namorada
    Cheirosa e bem tratada

    Não sei se o nome dela
    É Eva ou Adão
    É religiosa por formação
    A minha culpa de estimação

    Se alguém me ama
    Ela diz que não
    Se nem me notam
    Ela diz: “Por que não?”

    É a minha companheira inseparável
    Sua fidelidade é incomparável
    E me perdoa por não ter razão
    A minha culpa de estimação

    E me aceita o pior dos tarados
    Um ser mesquinho tropeçando no nada
    Guarda segredo e diz que não é chantagem
    Que ninguém vai saber das minhas bobagens
    Me dá um calmante e diz que é pra eu ser bom
    A minha culpa de estimação
    (Ela é de estimação)

    _____________________________________________

    Se alguém tiver essa música e puder me mandar, ficarei eternamente grata e colocarei aqui no blog, pra que todo mundo possa ouvir. Já procurei com todos programas de compartilhamento de música e não consegui achar.

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    Mas, não se preocupem…

    Denise | Me myself and I | Friday, 28 October 2005

    … apesar do post meio “pesado”, estou com um ótimo astral!

    Hoje, me dei feriado. Tô saindo agora pra malhar e depois vou até um shopping center, bater perninhas e ver as coleções de outono, depois um filminho de arte e um jantar num restaurante etíope (minha nova mania)… portanto, não vou visitar nenhum blog, hoje, nem dá pra responder aos comentários dos posts e, mamãe, só falo com você mais tarde…

    (Oooops… olha a minha culpa aparecendo aí de novo… xô, culpa!!!! )

    Beijos e tenham um lindo final de semana, sem culpas!!!

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    Quase morri com uma bala SOFT

    Denise | Orkut | Thursday, 27 October 2005

    balasoft.jpg

    Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!

    Essa, eu precisava contar pra vocês… é por causa de comunidades como essa que eu não saio do Orkut:

    Quase morri com uma bala SOFT

    Descrição: “É impossível alguém não ter se engasgado com uma bala Soft. Ela era bem gostosa, mas foi feita para matar as crianças… rs… ela tinha o tamanho da laringe… era toda escorregadia… e quando vc menos esperava ela descia pela sua garganta como um tijolo seis furo, te arranhando todo!!..rs..”

    Número de integrantes, hoje: 33214 vítimas da bala Soft!!!

    Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!

    Genial! claro que eu “quase morri com uma bala soft”, quem, da minha geração nunca se engasgou com uma?

    Ps.: Encontrei essa comunidade lá no Orkut da Maitezoca.

    _________________________________________

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    Mamografia ajuda a diminuir casos de morte nos EUA

    Denise | Corpo & Saúde | Thursday, 27 October 2005

    mamografia.jpgUm estudo do National Cancer Institute, publicado hoje no The New England Journal of Medicine analisou a contribuição das mamografias na acentuada queda dos índices de morte por câncer de mama nos EUA, entre 1975 e 2000.

    A conclusão foi que, em média, a prática de se fazer mamogramas anuais, após os 40 anos, foi responsável por cerca de 46% da redução nos casos de morte por essa doença. O restante diz respeito ao uso de novos medicamentos e tratamentos.

    Esse estudo é importantíssimo e está publicado em diversos jornais de hoje porque comprova a importância da mamografia no disgnóstico precoce do câncer de mama.

    Portanto, já falamos nisso aqui, mas não custa lembrar… meninas com mais de 40, já fizeram a sua mamografia de 2005??? fiz a minha semana passada e tá tudo OK!

    Fonte: The New England Journal of Medicine, “Effect of Screening and Adjuvant Therapy on Mortality from Breast Cancer”

    Veja também:

    Câncer de Mama – Entre de Peito Nessa Luta

    Foto: CDM – Departamento de Imagenología Mamaria de S. M. De Tucumán (Argentina)

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    O Segredo de Mary Reilly

    Denise | Cinema | Thursday, 27 October 2005

    maryreally.jpgAcabei de assistir ao Segredo de Mary Reilly, uma adaptação da velha história do “Médico e o Monstro” (Dr. Jack and Mr Hyde), no filme o maravilhoso John Malkovich, a partir do ponto de vista de uma empregada da casa, interpretada por Julia Roberts.

    A direção é de um dos meus cineastas favoritos, Stephen Frears (Minha Adorável Lavanderia, Sammy and Rose Get Laid, Ligações Perigosas, Alta Fidelidade) que consegue fazer um filme novo pra uma história tão conhecida como a desse médico que possui um alter-ego capaz de coisas que ele nem imaginaria fazer.

    O filme é de 1996 e é figurinha fácil em qualquer locadora. Vale a pena assistir, sem dúvidas, no mínimo pra se deliciar com a interpretação de Malkovich!

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    Confessions on a Dance Floor – a Deusa tem CD novo…

    Denise | Música | Wednesday, 26 October 2005

    Madonna

    Podem alegar todas as teorias de mercado e consumo mas, pra mim, Madonna é uma deusa

    E a deusa do pop está lançando um CD novo. Linda, ruiva, maravilhosa e, o que é melhor, reinventando a “disco music” pras novas gerações. O cd se chama “Confessions on a Dance Floor” e Madonna perguntou, numa entrevista, “Quem não tem segredos de pista de dança?”… ihhhhhh… nem me perguntem… hehehehe… mas alguém quer confessar os seus??? ;)

    Como oferenda, deixo aqui a música Hung Up, do CD “Confessions on a Dance Floor” (como é versão super pirata, infelizmente, a qualidade é das piores).

    O site oficial de Madonna, está uma pista de dança.

    ps.: A primeira vez que li sobre o CD foi no blog delicioso do Lutti, “Com que Roupa”, onde ele analisava a blusinha cor de rosa da moça com cabelo ruivo… o moço é estilista, escreve sobre moda e merece uma visita também…

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    E porque agora estou ouvindo Madonna, vão aí três musiquinhas sublimes (e divertidas) pra vocês:

  • The Power of Goodbye – Ouça aquiLendo aqui.

    “Your heart is not open so I must go
    The spell has been broken, I loved you so
    Freedom comes when you learn to let go
    Creation comes when you learn to say no
    You were my lesson I had to learn
    I was your fortress you had to burn
    Pain is a warning that something’s wrong”

    “Seu coração não está aberto, então, eu preciso ir
    O feitiço se quebrou, eu te amei tanto
    Liberdade vem quando você aprende a libertar
    Criação vem quando você aprende a dizer não
    Você foi a minha lição, tive de aprender
    Eu fui a fortaleza, que você tinha que queimar
    Dor é um aviso de que algo está errado”

  • Like a PrayerOuça aquiLendo aqui.


    “Life is a mystery, everyone must stand alone
    I hear you call my name
    And it feels like home”

    “A vida é um mistério,
    todo mundo precisa se garantir sozinho
    Eu ouço você chamando meu nome
    E isso me faz sentir em casa”

  • Beautiful StrangerOuça aquiLendo aqui.

    “I fell in love with a beautiful stranger
    I looked into your face
    My heart was dancing all over the place
    I’d like to change your point-of-view
    If I could just forget about you
    To know you is to love you”

    “Eu me apaixonei por um belo estranho
    Eu olhei pra seu rosto
    Meu coração começou a dançar por toda parte
    Eu gostaria de mudar seu ponto de vista
    Ah, se eu conseguisse esquecer você
    Te conhecer é te amar”

    Tradução com apoio do Gui, do ¡Ay, Caramba!

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    Úlimos filmes que eu assisti

    Denise | Cinema | Wednesday, 26 October 2005
    Kinsey
    - Com toda badalação, esperava mais. Deu pra ter uma idéia
    do maluco que foi o Dr. Kinsey e como ele levou pra sua vida pessoal todos
    seus "experimentos" e pesquisas sobre a sexualidade humana. Mas,
    pra ter uma idéia, assisti o filme em umas 8 vezes, sempre acabava
    pegando no sono. Mas, vale conferir.
    Inch’Allah
    Dimanche
    – Lindo filme da diretora francesa/algeriana Yamina Benguigi,
    conta a história de uma algeriana que emigra para França com
    a sogra tirana e seus filhos, pra encontrar o marido que já vive
    por lá. Descobre, no rádio programas que falam sobre direitos
    da mulher e sexualidade. Rebela-se contra as tradições mantidas
    pelo marido e a sogra , segundo as quais ela é uma prisioneira em
    casa. Também é um filme sobre o banzo, "homesickness",
    saudade do país natal. A cena mais sublime é o seu desespero
    pra encontrar uma outra mulher algeriana com quem possa conversar e celebrar
    juntas uma festa da terra delas. Lindo tratado
    sobre a importância da amizade entre as mulheres (tema sobre o qual
    vou falar, em breve, por aqui). Pra quem tiver acesso, vale a pena assistir,
    sem dúvidas. A trilha sonora é lindíssima.
    Acossado
    - Filme de Jean-Luc Godard é um clássico dos clássicos,
    que eu vi há muitos anos, comprei o DVD e não tinha visto
    novamente até um dia desses que me bateu o desejo de ver alguma
    coisa beeeeeeem romântica. Acertei em cheio. Conta a história da
    mocinha nova iorquina vivendo em Paris e que se apaixona por um malandro
    que quer levá-la pra Roma. A beleza estética do filme faz um bem danado à alma. Lembrei
    da época em que eu sonhava com essa Paris chiquérrima. As
    roupas da Jean Seberg são um capítulo à parte no filme.
    Tudo nele é de um glamour contido, elegante. Não deixem de
    assistir, deve ter nas boas locadoras. Foi vendo esse filme que fiz as fotos
    desse
    post
    .
    O
    Outro Lado da Rua
    – É um filme fraquinho, mas daqueles que
    a gente assiste com o maior prazer por causa da deslumbrante Fernanda Montenegro.
    Tinha visto que algumas pessoas não gostaram, eu gostei de ter visto.
    Claramente inspirado no "Janela Indiscreta" de Hitchcock, o filme
    tem alguma tensão, mas o que achei mais bonito foi o amor maduro
    de Fernanda e Raul Cortez. Sem ser jovem, Fernanda consegue mostrar que
    a sensualidade está além de peitos e bundas e é sensual
    na sua postura forte e irônica. Me lembrou esse
    poema
    de Drummond.
    Monster-in
    Law
    -
    O título é um trocadilho com sogra (mother-in-law), e já
    falaram tanto que eu preciso ver uns filmezinhos leves que resolvi arriscar
    esse, apenas por causa da Jane Fonda, mas não suporto Jennifer Lopez,
    que já está bem madura pra continuar fazendo esses papéis
    de mocinha abestalhada. Enfim, o filme é uma das maiores porcarias
    que já vi e não consegui assistir mais que 20 minutos. Fujam
    dele, quando chegar por aí.

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    Enjoy The Silence

    Denise | Música | Wednesday, 26 October 2005

    Shhhhhhhhhhhhhhhhhh...

    Ando numa fase… Depeche Mode

    Ouça aqui.

    Words like violence
    Break the silence
    Come crashing in
    Into my little world
    Painful to me
    Pierce right through me
    Can’t you understand
    Oh my little girl

    All I ever wanted
    All I ever needed
    Is here in my arms
    Words are very unnecessary
    They can only do harm

    Vows are spoken
    To be broken
    Feelings are intense
    Words are trivial
    Pleasures remain
    So does the pain
    Words are meaningless
    And forgettable

    All I ever wanted
    All I ever needed
    Is here in my arms
    Words are very unnecessary
    They can only do harm

    Enjoy the silence…

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    Sweet Home Alabama – Duas mulheres, duas histórias

    Denise | EUA,Racismo | Tuesday, 25 October 2005

    rosaparks.jpg“Desde esse dia, eu acredito que nós estamos aqui, no planeta Terra, para viver, crescer e fazer o que nós podemos para que esse seja um mundo melhor e para que todas as pessoas tenham liberdade.”

    Rosa Parks.

    Morreu ontem, aos 92 anos, uma das mulheres mais importantes da história dos EUA, Rosa Parks, que, com a sua recusa a ceder o lugar a um homem branco em um ônibus, no dia 01 de dezembro de 1955, em Montgomery, Alabama, detonou uma série de eventos que resultaram em profundas mudanças no sistema de segregação em que ainda viviam os afro-americanos no país.

    “Ela estava plantada ali pelo seu senso pessoal de dignidade e auto-respeito. Ela estava ancorada naquela cadeira do ônibus pelas indignidades acumuladas em dias passados e pelas aspirações sem limite de gerações ainda a nascer”, disse Martin Luther King, sobre Rosa.

    Eu não podia deixar de falar nela, mas, navegando pelos blogs, vi que a Leila fez um excelente post sobre o assunto, que vocês podem ler lá no Stuck in Sac. Então, decidi comentar um outro artigo que eu li, no Washington Post de hoje, sobre uma outra mulher negra, americana, que também nasceu no Alabama e que consegue representar o oposto de tudo que foi Rosa Parks…

    Afinal, qual é a da Condoleezza Rice?

    condoleezza1.jpgNo artigo, o colunista Eugene Robinson faz as mesmas perguntas que eu sempre me fiz: “Qual é a dessa senhora com a questão racial? como ela trabalha com tanta lealdade com George Bush cuja aprovação entre os negros, numa pesquisa recente, é de míseros 2%? como ela conseguiu ter uma visão de mundo tão radicalmente diferente da maioria dos negros americanos? ela está cega, em negação, confusa… ou o quê?”.

    Após passar 3 dias acompanhando Condoleezza em Birmingham, Alabama, onde ela nasceu, o jornalista acha que conseguiu uma resposta, ao menos parcial, a essas questões.

    Seguindo ele, a Secretária de Estado dos EUA continua na mesma bolha de proteção em que foi criada pelos pais, em Titusville, bairro de classe média negra… “capaz de ver a realidade bem diferente que os outros afro americanos experimentam, mas incapaz de sair da bolha, de tocar essa outra realidade e, portanto, incapaz de compreendê-la.”

    Condoleezza não nega que existe preconceito racial no país, mas ao ser questionada por que a imensa maioria do Departamento de Estado (que ela dirige) é formada por brancos, ela diz, em outras palavras mais diplomáticas, que “não existem candidados de minorias qualificados o suficiente para trabalhar com política internacional”. Resposta manjada essa…

    “Quando Rice estava crescendo, seu pai montou guarda na vizinhança com um rifle pra impedir a entrada de integrantes da Ku Klux Klan. Mas isso foi fora da bolha. Dentro da bolha, Rice estava sentada no piano, com um lindo vestido, tocando fugas de Bach. Parece uma infância maravilhosa, mas uma que deixou-a ver o impacto que a raça tem na America – capaz de examiná-la e analisá-la – mas não de senti-la.”, afirma Robinson.

    E continua: “Se existe um ‘Rosebud’* para decodificar o enigma que é Condoleezza Rice, esse é Titusville”.

    Francamente, acho que o jornalista tá sendo até bonzinho. Tenho dúvidas se essa bolha permitiu à Condoleezza desenvolver alguma capacidade de até compreender o impacto do racismo nesse país… ela me parece completamente alienada da realidade americana. Igualzinho ao patrão.

    * Referência ao filme Cidadão Kane, no qual o magnata das comunicações morre pronunciando a palavra: Rosebud…(não deixem de ver o filme!)

    Além da Leila, a Luma, a Beth, lá da Suécia, a Laurinha aqui dos EUA e o Thiago lá de Itajaí, também escreveram sobre a Rosa Parks.

    Ouvindo Alabama, com John Coltrane.

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