
Ontem, a Folha de São Paulo conseguiu se superar, no que pode existir de pior jornalismo, com esse artigo do articulista Clóvis Rossi, que nada mais é do que um verdadeiro delírio tucano… (percebam a reverência ao FHC… hurgh…)
São Paulo, terça-feira, 26 de julho de 2005
As Digitais do PT em Londres
Clovis Rossi
SÃO PAULO – Assim que soube que era mineiro o brasileiro morto no metrô de Londres, em “trágico” equívoco, voltei mentalmente a Oxford em novembro de 2002.
Estava cobrindo a outorga ao então presidente Fernando Henrique Cardoso do título honoris causa da legendária universidade da cidade. Na manhã seguinte, no hotel em que me hospedei, trombei com duas mocinhas, também mineiras, penando na faxina.
Contei essa história à época. Lembro-me de ter perguntado o que faziam naquele fim de mundo (visto do Brasil, claro), num frio de rachar.
Resposta de uma delas:
“O senhor sabe que eu nem sei? Queria tanto um solzinho”.
Pois é, aumenta dia a dia o número de brasileiros que fogem do generoso sol tropical em busca do sol da esperança lá fora.
Em tese, a eleição de Lula, que já havia ocorrido quando topei com as mineirinhas perdidas em Oxford, deveria ter trazido o sol da esperança para estes tristes trópicos.
Mas, no domingo, no “Fantástico”, um parente ou amigo (não deu para anotar) de Jean Charles de Menezes, o morto no metrô, reclamava providências do governo para que outros brasileiros não precisassem mais fugir em busca da esperança. São tantos que, sempre segundo o “Fantástico”, o número dos que foram pegos, só neste ano, na tentativa de chegar aos Estados Unidos, via México, supera a marca registrada nos 13 anos anteriores.
De ricochete, as balas atingiram igualmente o slogan “a esperança venceu o medo”, mais um caixa dois do PT e de seu governo.
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“É mole? Sem contar que a vítima morava em Londres havia quase cinco anos, ou seja, um pouco “antes” do Governo do PT, tanto mais de se lhe atribuir responsabilidade pela falta de estrutura empregatícia. Mais um pouco, e esses super articulistas vão dizer que foi para abafar o escândalo do mensalão.” Imprensa Marrom (Gravataí Merengue)
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Fonte: Marcus Pessoa, http://velhodofarol.blogspot.com, na lista de discussão Blog-Left.
Imagens: Roy Lichtenstein, Half Face with Collar, 1963, Oleo em tela, 121,9cm x 121,9cm.
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Agora, só pra Refrescar a Memória: A Corrupção no Governo FHC

Encontrei esse texto do Aldir Blanc no excelente blog Pensata. Achei bem providencial:
Rua dos Artistas: Varejeiras na sopa
O deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE) expectorou, na CPI dos Correios, em tom mucho surpreso:
- Nós falamos em milhões como se falássemos de trocados…
É verdade, deputado. Vossa Excelência tem razão. Como político profissional, deveria estar acostumado ao fenômeno (não confundir com o Ronaldo). No textículo abaixo, fornecerei alguns subsídios à perplexidade de Vossa Excelência.
O amigo e leitor Isaac Goldenberg respondeu a meu pedido de ajuda lançado em crônica passada. Recebi um suculento e-mail que, certamente, será de utilidade pra alcatéia que gosta de carniça fresca e omite o que lhe convém. Vamos ver alguns milhões que viraram trocados, deputado Sérgio Guerra:
1. Sivam – O tal Sistema de Vigilância da Amazônia, que derrubou ministros e assessores presidenciais de FHC I e II. Cifra estimada do contrato, entre outras denúncias de corrupção e tráfico de influências: US$ 1,4 bilhão!
2. Com o Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), tucanagens de FHC I e II beneficiaram com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico, para favorecer o aliado ACM, vulgo Malvadeza. Hoje já temos até o Malvadinho atuando na CPI dos Correios.
3. Precatórios – Mutreta com pagamentos de títulos no DNER (Departamento de Estradas de Rodagem). Prejuízo estimado: R$ 3 bilhões.
4. Compra de votos – Essa foi muito bacaninha, deputado Sérgio Guerra, porque mostra a diferença entre mensalão do PT e mesadão das elites. Aqueles que votaram a favor dos projetos de governo de FHC I e II teriam recebido R$ 200 mil (cada um, claro). O pedido de uma CPI foi afundado pelos dignos parlamentares governistas.
5. Socorro nas coxas aos bancos Marka e FonteCidam – Rombo no bolso da galera em torno de R$ 1,6 bilhão. Tem até banqueiro foragido. Pra variar e ficar igual, proposta de criação de uma CPI foi arquivada pela bancada governista.
6. Apoio à Previ, caixa de previdência do Banco do Brasil, pra uma mãozinha – grande – ao consórcio do Banco Opportunity. Um dos donos do banco era o tucano Pérsio Arida. A negociata envolvia a Telebrás, o BNDES, o então ministro das Comunicações, Luis Carlos Mendonça de Barros etc., etc. Valor estimado da cartada: R$ 24 bilhões. CPI evitada.
7. Denúncia em torno da grande figura tucana Eduardo Jorge, secretário geral da Presidência de FHC – esquema de liberação de verbas no valor de R$ 169 milhões para o TRT/SP; lobbies para favorecer empresas de informática; uso dos fundos de pensão nas privatizações.
8. O procurador-geral da República da época, Dr. Geraldo Brindeiro, foi batizado de ”Engavetador Geral”. Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e 217 arquivados. Envolviam 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros e, em quatro deles, o próprio FHC I I e II.
Não apuraram lhufas. De nada, deputado Sérgio Guerra. Disponha sempre.
Aldir Blanc
Publicado no Jornal do Brasil em 26/07/2005
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Destaque da caixa de comentários:
César, do blog Amigos de Delmiro Gouveia
“Lindo o Dr. Sérgio Guerra dando lições de moralidade e atuando como algoz numa CPI.
Só para recordar quando do escândalo dos anões do orçamento ele foi um dos acusados taxativamente pelo assessor José Carlos dos Santos. Ora o José Carlos numa certa altura quando já estava encostado e sem saída(mandante do assassinato da esposa) abriu o jogo e entregou todo mundo.
E estranhamente quase todos que ele disse que tinham envolvimento renunciaram ou foram cassados. Só ficaram de fora o hoje senador Sérgio Guerra e O Fiúza.
Ora estatisticamente o que o José Carlos falou tinha fundamento. Sempre tive dúvidas que “raiva” ele teria do Dr. Sérgio para incriminá-lo? Não sei. Até ficar hospedado em sua casa de Porto de Galinhas ele ficou. Será que ele não tinha nada a ver com o pato mesmo? ou será que pelo volume de papel averiguado na época ele passou “batido” ou foi mal investigado? Não sei.
Mas durante um bom tempo ele e o Fiúza ficaram com o “rabinho entre as pernas” e se eclipsaram das manchetes.
Diz um ditado que “quem não quer saber das coisas que ‘mate os velhos’”. Tô com medo aos 43.”
Obrigada pela contribuição, César!
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