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    setembro de 2003.

    Estado de Graça nos EUA

    Denise | Amig@s | Wednesday, 29 June 2005

    girassolgracinha.jpgPor aqui, tudo bem demais. Ontem fui com Graça ao Museu de Historia Americana, onde ela se impressionou com a seção onde mostravam a história dos afro-americanos, com as capas e capuz da Ku-Klux-Klan (toc, toc, toc), com representações dos locais onde viviam os escravos. Eu, como sou uma manteiga derretida paguei o maior mico me debulhando em lágrimas, em pleno museu… hehehe…

    celiacruzegracinha.jpgPra animar, subimos pro 3o. andar onde estava tendo uma exposição de fotos, roupas e música da maravilhosa cantora cubana Celia Cruz. Graça não teve dúvida e arrasou no rebolado.

    Tambem fomos no Museu de Historia Natural, onde vimos apenas a ala de dinossauros. Na saída, encontramos uma linda apresentação de um grupo de dança de Oman, onde Graça tirou fotos, com os moços muçulmanos

    Todas as fotos de Graça nos EUA estão aqui.

    Graça está impressionada com o povo americano, depois de “America”, ela imaginava que eram todos brancos e frios e adorou perceber que, não somente a comunidade negra, em Washington é enorme, mas o povo (negro ou branco) aqui é muito simpático, fala com ela na rua, sorri… pois é, isso também é os EUA…

    Ontem eu dizia…

    gracinhanoaeroporto.jpgAcabei de ir buscar essa moça no aeroporto. Foi uma chegada linda, ela se abraçou comigo e chorou um bom tempo. Coisa boa é ter uma amiga como essa, de tantos anos e tantas lutas, aqui do meu ladinho. Quem não tiver lido, dê uma olhada na história dessa guerreira.

    Vamos trabalhar entre os dias 03 e 05, na Conferência Internacional de Amamentação, o resto do tempo vai ser muito passeio e muita conversa! Agora vamos dar uma saidinha pra visitar alguns museus. Por isso, não vou poder comentar os comentários logo, mas faço isso assim que tiver um tempinho…

    Por enquanto, não deixem de dar seu pitaco no post sobre feminismo aí abaixo… em breve terei tempo pra reponder a todos os comentários…

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    Amigos são tudo de bom!!!

    Denise | Amig@s | Tuesday, 28 June 2005

    Se não fosse por nada mais, só ter encontrado tanta gente bacana nesse blog teria valido a pena a trabalheira que ele me dá e algumas “chateações” que aparecem, de vez em quando. No balanço, tem sempre muuuuuuuuuuuuuito mais gente legal por aqui e tenho feito amizades inesquecíveis.

    Flavio Prada

    biadanflaviomarly.jpg
    Bia, Daniel, Flavio e Marly, à beira do lago Garda.

    Um exemplo é o Flavio Prada, que tem um texto delicioso, não apenas quando escreve no blog, mas também nos comentários que deixa pela blogosfera afora. Ainda por cima, ele é uma pessoa absolutamente maravilhosa, que já virou “amigo de infância”, pra mim.

    Descobrimos muitas afinidades, que deve ter a ver com a idade, bem próxima… ele até toca “Fake Plastic Tree” do Radiohead, que eu adoro, na guitarra! e, nesse momento, essa figura e sua família linda estão hospedando a minha filha e seu amigo, Daniel, na casa deles, em Riva del Garda, no Norte da Italia.

    E eu estou toda orgulhosa por mostrar a foto do famoso Flavio Prada e sua linda muher, Marly, em primeiríssima mão… hehehe… Obrigada por tudo, Flavio e Marly!

    Update: Acabei de bater um papo, delicioso, pelo Skype com o Flavio, a Marli e a Bia… por isso que eu aaaaaaaaamo a Internet!!!

    __________________________________________________________

    Fernando

    Descobri o blog do Fernando antes de mudar pra cá, quando estava procurando gente que fosse parecida comigo e vivesse na área de DC. Acertei em cheio. Bom, o Fernando é mais “cool”, mais discreto, mas nos afinamos musicalmente, culturalmente e, principalmente, politicamente. O que é muito importante nessas épocas de tanto conservadorismo.

    Dia desses, tivemos nosso primeiro encontro. Eu, ele, a Elka e a filhinha, Anna, que eu conhecia de foto e a quem ofereci as Boas-vindas com uma música do Caetano nesse post aqui, assim que ela nasceu.

    Nos encontramos num café de uma livraria, em Bethesda, e não tivemos muito tempo pra conversar, porque a pequenininha tava cansada, mas foi o suficiente pra eu me apaixonar ainda mais pela familia de gente linda e do bem.

    E, pra me deixar ainda mais feliz, o Fernando me presenteou com esse post que me deixou emocionada, porque o que ele escreveu chegou em muito boa hora. Também foi legal demais te conhecer, Fernando!

    __________________________________________________________

    Lilia

    comlilia.jpgA Lília é uma daquelas que o pecus chamou de “Mulher-vulcão”, com uma energia sem fim, a blogueira do Vadiando tem exatamente o mesmo astral que mostra lá no blog.

    Passamos uma tarde deliciosa com o Paul (marido dela) e a Carla, do Baianices, que também é maravilhosa e sobre quem já falei aqui, antes.

    Ainda não tinha comentado sobre a Lília porque estava aguardando a “liberação” da foto dela, mas resolvi o problema, tirando a fofa da Carla da foto, já que a moça é super low-profile e quer se manter incógnita… hehehe… (não devia, ela é lindona demais!)

    O Paul e a Lília nos ofereceram um incrível almoço num restaurante tailandês, perto da costa e conversamos sobre a vida no mundo real e virtual, passeamos pelas ruas charmosésimas de Alexandria e espero, realmente, que a gente possa repetir a dose, porque foi bom demais :)

    Um beijo enorme, Lilia… você, apesar de pequenininha, é um mulherão!

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    Comentários comentados

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    Vamos nos mobilizar!

    Denise | Feminismo | Monday, 27 June 2005

    urgente – urgente – urgente – urgente – urgente – urgente

    Como vocês devem ter visto nos jornais, Lula está fazendo uma reforma ministerial e uma das propostas é a extinção (ou diminuição do peso politico) da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Como já escrevi aqui.

    Acabei de ver na Globonews que Lula está resistindo a acabar com a Secretaria porque tem consciência de que ela é um diferencial no seu Governo.

    Segundo a jornalista, Lula também está preocupado com a pressão dos movimentos sociais. Portanto, acreditem que, se nos mobilizarmos, podemos fazer uma diferença, sim… e de uma forma muito simples…

    Por favor, mandem um email, dizendo que não queremos a extinção da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, para:

    Presidência da República: protocolo@planalto.gov.br
    Gilberto Carvalho: gabpr@planalto.gov.br
    Ministra Dilma Roussef: casacivil@planalto.gov.br

    Porque precisamos da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres:

    1. Esta Secretaria organizou de maneira competente e democrática a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, dando apoio
    político para que o processo que levou as delegadas a Brasília fosse
    participativo, com mobilizações e eventos preparatórios nos municípios,estados e regiões brasileiras.

    2. Um Grupo de Trabalho interministerial coordenado pela SPM, transformou o resultado desta Conferência no Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que “reafirma o comprometimento do Governo federal om a incorporação da perspectiva de gênero e raça nas políticas públicas”. E a SPM montou uma instância de monitoramento, para acompanhar a implantação/ implementação deste Plano, numa demonstração de compromisso com as decisões da I Conferência.

    3. Eventos importantes têm sido coordenados pela SPM, como, por exemplo, debates sobre as questões referentes às políticas de combate à violência doméstica e sexual e democratização da comunicação e mídia.

    4. A SPM instalou, no início de 2005, uma Comissão Tripartite para estudar a reformulação da lei brasileira com o objetivo de ampliar o acesso das mulheres que decidem por um aborto, a serviços seguros e de qualidade. Esta Comissão está trabalhando intensamente, em aberto diálogo com os movimentos de mulheres e setores médicos e da área jurídica favoráveis à liberalização do aborto no Brasil, dentro do entendimento que se trata de uma questão de saúde pública e justiça social, e de que esta á uma das principais e mais unânimes reivindicações da I Conferência.

    5. No âmbito das Nações Unidas, a SPM tem defendido, de maneira qualificada e com posição de destaque regional, as reivindicações dos movimentos sociais pelos direitos sexuais e reprodutivos, e pela democracia racial e de gênero.

    Leia mais

  • Site da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
  • Anais da I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres – 2004

    _____________________________________________

    Fontes: Angela Freitas (Agente de comunicação social das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro) e Fátima Oliveira (Diretora executiva da Rede Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos)

    Imagem: Marcha Mundial das Mulheres

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    Mudei de servidor

    Denise | Blogosfera | Monday, 27 June 2005

    Acabei de mudar de “casa”. Foi a mudança mais rápida que já fiz e quero agradecer ao Fabio Sampaio, que fez um excelente trabalho, migrando tudo que eu tinha no servidor antigo, em apenas dois dias.

    A partir de agora, acho que o blog não vai mais sair do ar, como estava acontecendo, constantemente. Também estamos com o blog mais organizado e vou revisar todos os links das colunas laterais.

    Aproveitando a oportunidade, quaisquer sugestões que vocês tenham pra melhorar o blog, podem deixar por aqui.

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    Festival de Tradições Populares e Herança Cultural

    Denise | Washington, dc | Sunday, 26 June 2005

    camelinho.jpgPra quem gosta de calor, o verão em DC é tudo de bom. Mas, eu me recuso a sair de casa antes das 5 da tarde. Ontem fiz uma exceção e não me arrependi. Apesar do calor infernal, foi tudo uma delicia.

    De manhã, estava no MSN com Bia (que tá ótima) e ela me lembrou que está acontecendo o 39o. Smithsonian Folklife Festival (Festival de Tradições Populares e Herança Cultural) no National Mall.

    Pela primeira vez, um país árabe, Oman, é o destaque do Festival.

    Em 10 dias de Festival, o mais bacana são as apresentações culturais, com mais de 100 grupos artísticos de Oman, e ainda tem exposição de artesanato e comidinhas do país. De quebra uns camelos bem bonitinhos que dão um certo toque surreal ao Mall. Vocês podem ver tudo isso nessas fotos aqui.

    OmanPode ser impressão minha, mas achei que podia ter mais gente. Eu adoro, sempre que posso, prestigiar alguma coisa da comunidade árabe aqui, porque admiro sua cultura e porque não é fácil, hoje em dia, ser árabe nas terras de Bush.

    Passeamos pela feira e assistimos a uma apresentação fantástica de dois grupo de dança de Oman. Quando eles acabaram, chamaram o povo pra dançar, e claro que eu topei… eu lá recuso convite pra dançar??? hehehe… a-d-o-r-e-i…

    noparquedeescultura.jpgNo caminho pro metrô, paramos no Jardim de Esculturas da Galeria Nacional de Arte, também no National Mall.

    Eu já estive nesse jardim várias vezes, me sinto super bem lá. Tem uma fonte bacana (que vira rinque de patinação no gelo, no inverno) no meio e as esculturas ficam ao redor.

    Tem umas esculturas incríveis e a minha preferida é essa casinha, do Lichtenstein e essa borracha gigante, do sueco Claes Oldenburg. Mas tem ainda Miró e muitas outras coisas interessantes.

    Em homenagem ao Dudi, resolvi registrar em fotos, pra vocês, todas as esculturas do Jardim, com dados completos sobre cada uma delas.

    Ah, e pra fechar, quando nós estávamos quase chegando no metrô, vimos mais uma tenda onde tava rolando a maior muvuca latina. Entramos e era um grupo de uma região montanhosa de Puerto Rico. Dançamos mais um bocadinho, antes de voltar pra casa e desmaiar na cama.

    Tudo diversão da melhor qualidade… e de graça, o que é melhor ainda. Chegamos às 3 e meia da tarde e só saímos do Mall às 8 e meia da noite, com esse lindo por do sol.

    Ps.: Ainda estou traduzindo o folheto explicativo de cada uma das esculturas do Jardim, portanto, ao visitar o álbum de fotos, vocês vão ver que algumas ainda estarão sem os dados, que serão incluídos em breve.

    Na mudança, perdi vários comentários que vocês tinham deixado aqui, perdoem!

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    Muvuca Brasileira na Laje

    Denise | Amig@s,Carpe Diem | Friday, 24 June 2005

    Ontem aceitei o convite da Claudinha pra ir, com Ted, pra um happy hour brasileiro na cobertura do Hotel Hilton em Dupont Circle. Foi a minha primeira vez em festinha brasileira no exterior… e eu adorei!

    A Claudia tava com o João (que foi embora cedo) e a Juliana, essa brasileira-nipônica, muito gracinha, que até me deu dois convites pra ir pra uma festa brasileira no sábado… e estou pensando em ir…

    Tá certo que tinha umas pessoas meio estranhas, e que a música não faz parte da nossa playlist, mas quando se trata de mexer o corpo, vale tudo, nem vou precisar malhar, hoje. Dançamos salsa, samba, techno e até o bonde do tigrão… “só as cachorras… uh, uh… as preparadas”… hahahaha… Bia vai ficar cho-ca-da quando souber!

    E eu juro que só bebi coca diet a noite toda!!!

    Lá pelas 10 horas ainda fomos dar um pulinho lá na casa da Adriana Maximiliano, que tinha o blog Aqui em DC e é uma grávida lindona, com um barrigão enorme (38 semanas de gestação).

    Foi uma noite inesperada. Mas, tem coisa melhor que aproveitar a vida? Depois de uma semana meio pesada, tava precisando disso. Dançar, conversar, encontrar amigas queridas, namorar…

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    Tchutchuca feminista

    Denise | Música | Friday, 24 June 2005

    tatiqbarraco.jpg

    E por falar em funk, quem ainda não conhece a ma-ra-vi-lho-sa Tati-Quebra Barraco, que é a melhor resposta das mulheres ao Bonde do Tigrão, não sabe o que está perdendo…

    A Tati é poderosa, bota as meninas da favela na moda e diz o que a mulher quer, digamos, sexualmente falando… choca alguns, mas a gente tava precisando de uma mulher que cantasse um discurso “hard core-libertário-feminista pró liberdade sexual”:

    Sou Feia, Mas Tô na Moda – “Eu fiquei três meses sem quebrar barraco, sou feia mas tô na moda, tô podendo pagar o hotel pros homi e isso é o que é mais importante…”

    Cocota – “As popozuda da ‘de Deus’ quando pega esquartela, quando manda do mirante, demorou, bota o restante, quando manda do carícia, faz amor que é uma delícia…”

    Fama de Putona – “Seu pittbull é Lassie, tu é rosa ou margarida?
    Tu tem marra de Sansão mas tu é Dalila.”

    Essas são as mais lights que consegui encontrar pra colocar aqui no blog, considerando que tem menores de idade… hehehe…

    “O funk carioca é a nossa maior revolução cultural dos últimos tempos. O pancadão é uma evolução dionisíaca da contestação. Possui uma força que qualquer um reconhece, mesmo que seja um indignado de repressão culturalista qualquer.” Lobão.

    Leia mais sobre a Tati:

  • Barraco de mulher – Viva Favela.
  • O movimento funk – Site da Baixada.
  • “Sou feia, mas tô na moda” traduz a funkeira Tati Quebra Barraco – Folha.

    Foto: Deise Lane

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    Para @s que perderam a esperança…

    Denise | Política | Friday, 24 June 2005

    henfilcarta.jpg

    Eu posso estar um pouco por fora, aqui de longe, mas essas instituições que assinam essa carta são muito bem informadas, sérias e comprometidas com a construção de um Brasil melhor.

    Elas têm propostas concretas que eu assino embaixo. Vale a pena conferir o que têm a dizer.

    CARTA AO POVO BRASILEIRO

    Contra a desestabilização política do governo e contra a corrupção: Por mudanças na política econômica, pela prioridade nos direitos sociais e por reformas políticas democráticas!

    A sociedade brasileira mudou e, na Constituinte de 1988, decidiu por mudanças . Constituiu novos poderes e elegeu novos governantes, para promover processos de transformação social. Criou novas estruturas, combateu velhas instituições e gerou novos mecanismos para fazer valer os direitos de todas e cada uma das pessoas a uma vida digna.

    Com a força desta história recente, mas vigorosa, de fortalecimento e radicalização da democracia em nosso país que nós, representantes das organizações populares, das organizações não governamentais, do movimento sindical, dos movimentos sociais e personalidades, convocamos toda a sociedade brasileira, cada cidadão e cada cidadã, para uma grande e contínua mobilização que torne possível enfrentar a crise política e fazer prevalecer os princípios democráticos.

    Nas últimas eleições, com a esperança de realizar mudanças na política neoliberal que vinha sendo praticada desde 1990, o povo brasileiro elegeu o Presidente Lula. Até este momento, avaliamos que pouca coisa mudou e presenciamos um mandato cheio de contradições. De um lado, o governo seguiu com uma política econômica neoliberal, resultado de suas alianças conservadoras. De outro, adotou um discurso da prioridade social e uma política externa soberana e de aliança com as nações em desenvolvimento. A eleição do Lula reacendeu as esperanças na América Latina, e influiu de forma positiva em alguns conflitos políticos na região.

    De olho nas eleições de 2006, as elites iniciaram, através dos meios de comunicação uma campanha para desmoralizar o governo e o Presidente Lula, visando enfraquecê-lo, para derrubá-lo ou obrigá-lo a aprofundar a atual política econômica e as reformas neoliberais, atendendo aos interesses do capital internacional.

    Preocupados com o processo democrático e também com as denúncias de corrupção que deixaram o povo perplexo, vimos à publico dizer que somos contra qualquer tentativa de desestabilização do governo legitimamente eleito, patrocinada pelos setores conservadores e antidemocráticos.

    Exigimos completa e rigorosa investigação das denúncias de corrupção, feitas ao Congresso Nacional e à imprensa, e punição dos responsáveis. Sabemos que a corrupção tem sido, lamentavelmente, o método tradicional usado pelas elites para governarem o país.

    Exigimos também a investigação das denúncias de corrupção, por ocasião da votação da emenda constitucional que aprovou a reeleição e dos processos de privatização das estatais ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso.

    Trata-se, portanto, de fundamentar a vida política em princípios éticos como a separação entre interesses privados e interesses públicos, de transparência nos processos decisórios e a promoção da justiça social.

    Diante da atual crise, o governo Lula terá a opção de retomar o projeto pelo qual foi eleito, e que mobilizou a esperança de milhões de brasileiros e brasileiras. Projeto este que tem como base à transformação da sociedade e do Estado brasileiros, uma sociedade dividida entre os que tudo podem e tudo têm e aqueles que nada podem e nada têm.

    Por isso, vimos a público defender, e propor ao governo Lula, ao Congresso Nacional e a sociedade civil, as seguintes medidas:

    1 – Realizar e apoiar uma ampla investigação de todas as denúncias de corrupção que estão sendo analisadas no Congresso Nacional e punir os responsáveis

    2 – Excluir do governo federal setores conservadores que querem apenas manter privilégios, afastar autoridades sobre as quais paira qualquer suspeição e recompor sua base de apoio, reconstruindo uma nova maioria política e social em torno de uma plataforma anti-neoliberal.

    3 – Realizar mudanças na política econômica no sentido de priorizar as necessidades do povo e construir um novo modelo de desenvolvimento. A sociedade não suporta mais tamanhas taxas de juros, as mais altas do mundo, sob o pretexto de combater a inflação. A sociedade não sustenta a manutenção de um superávit primário, que apenas engorda os bancos. Os recursos públicos têm de ser investidos, prioritariamente, na garantia dos direitos constitucionais, entre eles, emprego, salário-mínimo digno, saúde, educação, moradia, reforma agrária, meio ambiente, demarcação das terras indígenas e quilombolas.

    4 – Realizar, a partir do debate com a sociedade, uma ampla reforma política democrática. Uma reforma que fortaleça a democracia e dê ampla transparência ao funcionamento dos partidos políticos e aos processos decisórios. Por isso, somos favoráveis à fidelidade partidária, ao financiamento público exclusivo das campanhas, à exclusão das cláusulas de barreira, e à apresentação de candidaturas em listas fechadas com alternância de gênero e etnia, obedecendo critérios de representação política pluriétnica e multiracial. Queremos também a imediata regulamentação dos processos de democracia direta, que implica o exercício do poder popular mediante plebiscitos e referendos, conforme proposta apresentada pela CNBB e a OAB ao Congresso Nacional.

    5 – Fortalecer os espaços de participação social na administração pública e criar novos espaços nas empresas estatais e de economia mista, viabilizando o controle social e real compartilhamento do poder.

    6 – Fortalecer as iniciativas locais em favor da cidadania e da participação e da educação popular, como por exemplo os comitês pela ética na política, conselhos de controle social, escolas de formação política.

    7 – Enfrentar o monopólio dos meios de comunicação, garantindo sua democratização, inclusive através do fortalecimento das redes públicas e comunitárias.

    Neste momento de mobilização, conclamamos as forças democráticas e populares a se mobilizarem para realizar manifestações de rua e protestos, e trabalhar para promover as verdadeiras mudanças que o país e o povo precisa.

    Brasília, 21 de junho de 2005.

    Atenciosamente

    Seguem-se entidades e movimentos da sociedade e da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais)

    CUT – Central Única dos Trabalhadores
    MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
    CMP – Coordenação dos Movimentos Populares
    UNE – União Nacional de Estudantes
    ABI – Associação Brasileira de Imprensa
    ABONG – Associação Brasileira de ONG
    INESC – Instituto de Estudos SocioEconômicos
    CNBB/PS – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil / Pastorais Sociais
    P.O Nacional – Pastoral Operária Nacional
    Grito dos Excluídos
    Marcha Mundial de Mulheres
    UBM – União Brasileira de Mulheres
    UBES – União Brasileira de Estudantes Secundários
    CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras
    JOC – Juventude Operária Cristã
    MTD – Movimento dos Trabalhadores Desempregados
    MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
    CONTEE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino
    CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação
    Federação Nacional dos Advogados
    CONAM – Confederação Nacional de Associações de Moradores
    UNMP – Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida
    CEBRAPAZ
    ABRAÇO – Associação Brasileira de Rádios Comunitárias
    CIMI – Conselho Indigenista Missionário
    CPT – Comissão Pastoral da Terra
    FENAC – Federação Nacional das Associações
    AMB – Articulação de mulheres brasileiras
    CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria
    IBRADES – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
    EDUCAFRO – Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes
    MSU – Movimento dos Sem Universidade
    CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
    ANPG – Associação Nacional dos Pós Graduandos
    CSC – Corrente Sindical Classista
    MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores
    IBASE – Instituto Brasileiro de Analises Sociais e Econômicas
    Federação Nacional dos Economistas
    Sindicato dos economistas do DF
    Conselho Nacional de Iyalorixás e Ekedes Negras
    CBJP – Comissão Brasileira Justiça e Paz
    Campanha Jubileu Brasil contra as dívidas e contra a Alca

    ___________________________________________________

    Imagem: montagem com a benção de Henfil.

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    A morte de um anjo

    Denise | Amig@s | Thursday, 23 June 2005

    angelinfirenze.jpg

    A gente vive fugindo desse assunto. Pra nós, ocidentais, lidar com a morte é de uma dor insuportável. Quem mora fora do Brasil sabe que esse é nosso maior medo. A morte de uma pessoa querida, sem que a gente esteja por perto, dá arrepio só de pensar.

    E quando a morte acontece com pessoas que a gente conhece apenas virtualmente? me deparei com alguns sites de pessoas que se foram e deixaram suas últimas palavras e isso me deixou muito impressionada. É uma outra forma de dor, com a perda, que vai começar a surgir numa época em que a gente estabelece tantos laços à distância.

    Eu conheci a Roberta quando mudei pra Suécia, ela é de Olinda, e mora em Skövde. Tinha criado o blog Brasil-Suécia e foi uma das primeiras pessoas que eu conheci na blogosfera. Ficava sempre encantada com seus posts cheios de alegria, descobrindo (como eu), uma nova vida com seu companheiro lá naquelas terras lindas e geladas.

    Mas, aí a Roberta sumiu. Depois de algum tempo, passou aqui pra contar que estava grávida e fiquei muito feliz por ela. Depois ela sumiu de novo, mas não saiu da minha cabeça e sempre pensava: “onde andará a Roberta?”.

    Há dois meses recebi um email dela contando sua história muito triste e como seu bebê morreu logo após o nascimento. A mensagem dela me comoveu demais. A gente não consegue nem imaginar a dor da morte de um filho.

    Conversamos um pouco por email e ela foi me contando da importância do apoio que tem recebido e me pediu pra divulgar a existência do Grupo Apoio Mãe, cujo site é: http://www.apoiomae.blogger.com.br/, para ajudar as mães que perderam seus filhos a suportar a dor e continuar a vida.

    Roberta escreveu esse texto abaixo para um grupo de discussão sobre o tema e quer compartilhar com vocês, para que possa ajudar as mulheres que também sofreram uma perda tão dolorosa.

    Sou Mãe de um Anjo

    Sobre mim

    Me chamo Roberta, tenho 29 anos, sou casada com um homem maravilhoso a 2 anos e meio e resido na Suécia, país de origem do meu esposo. Sou também mãe de um anjo que se chama VIKTOR, meu primeiro, amado e único filho.

    Gravidez

    Depois de quase um ano tentando engravidar, em setembro/04 recebi a bênção de uma gravidez, que foi cheia de problemas a começar da semana 8, quando tive um pequeno sangramento. Quase todos os meses eu parava no hospital por conta de sangramentos leves mas os exames não acusavam nada de errado com o bebê e eu saía do hospital sempre sem explicacões concretas.

    Embora a felicidade por saber que estava esperando um bebê fosse grande, não consegui curtir a gravidez da forma desejada, pois estava sempre com medo de que algo desse errado.

    Em novembro fui socorrida por conta de uma hemorragia e foi constatado o descolamento parcial da placenta. Fiquei de repouso durante quase um mês seguindo as orientacões médicas, e fazendo ultrassonografia para acompanhar o tamanho do hematoma a cada 15 dias. Na última ultra foi constatado o desaparecimento do hematoma e fui liberada para voltar às minhas atividades normais, porém com mais cuidado.

    Quando conseguimos finalmente relaxar, pensando que tudo está correndo bem, tenho uma grande hemorragia em 24/01/05, às 05h da manhã. Acordei meu marido e ele, muito nervoso, ligou para o hospital. Uma ambulância chegou à nossa casa cerca de 10 minutos depois da ligacão e eu fui levada às pressas ao hospital da cidade onde resido. A bolsa d’água havia rompido e eu tinha fortes dores abdominais , além de hemorragia. Passei por uma batalha de exames e foi constatado que estava com uma infeccão no útero por conta do “oligohidramnio grave”, que significa em outras palavras uma grande perda do líquido amníótico.

    Por conta disto tive que ser internada e três dias depois transferida para um hospital maior que tinha um neonatal mais avançado para bebês nascidos nesse período de gestacão (eu estava na semana 22). Gotemburgo, cidade onde fui internada, fica a 2h de onde vivo e por isso não recebia visitas tão frequentemente; Meu marido tinha que trabalhar e só ia ao hospital semanalmente, onde passava 3 dias comigo. Eu chorava muito pois sentia muita falta de companhia e, principalmente, da minha mãe que reside no Brasil.

    Os primeiros dias foram cheios de tristeza, solidão e medo do que podia acontecer com o nosso filho, mas as semanas foram se passando e Viktor ia crescendo, dando sinais de muito vigor e energia dentro do meu ventre, mesmo quase sem líquido amniótico. Cada grama que ele ganhava e cada pulsar de seu coracão era para nós alegria e esperanca, então passei a agradecer à Deus e ficar feliz por cada dia de internação, pois cada um deles era fundamental para o desenvolvimento do nosso esperado filho. Além disso, fui muito bem assistida pelos médicos e enfermeiras tanto no aspecto físico como mental. Quando eu estava triste logo vinha uma enfermeira e passava às vezes meia hora conversando comigo. Elas foram meus anjos naquele hospital.

    Os médicos falavam sempre dos problemas que a falta do líquido amniótico podia causar, dentre eles: má formação dos pulmões e dos membros do bebê, etc., porém eu estava certa de que isso não iria acontecer com o nosso filho.

    O parto

    Depois de 31 dias de internação, na madrugada do dia 23/02/05, fui ao banheiro e vi sair um enorme coágulo de sangue. Nervosa, apertei no botão para chamar a enfermeira e em seguida fui levada para a sala de parto para controle. Gracas à Deus meu marido estava lá nesse dia. Na sala de parto fiquei durante toda a madrugada, manhã e tarde sentindo contracões e com uma forte hemorragia, porém o coração de Viktor pulsava com a força dos guerreiros, adiando o seu nascimento; Até que a médica fez o toque e disse que o colo do útero havia dilatado e que uma cesária de urgência teria que ser feita, já que Viktor estava em posicão pélvica.

    Enquanto eles me preparavam para a cirurgia, liguei aos prantos para minha mãe para informá-la que iria em breve dar à luz; Meu marido estava comigo o tempo todo, super nervoso mas tentando sempre me passar tranqüilidade.

    Na sala de operacão havia uma equipe enorme, todos muito gentis e sempre tentando me tranquilizar. Às 16h30 nasce o nosso menino. Eu não escuto o seu choro e os médicos o levam imediatamente para a sala ao lado, onde uma equipe de pediatras o esperam. Eu então peço à Bengt, meu marido, para ir vê-lo. Depois de alguns minutos Bengt volta com um sorriso estampado no rosto dizendo que era um menino e que os médicos haviam tido muita dificuldade para oxigená-lo mas que conseguiram e que o nosso Viktor estava bem. Mais alguns minutos se passaram e os médicos passaram com o nosso menino rapidamente para que eu pudesse vê-lo e acariciá-lo. Foi um encontro curto, mas de uma felicidade imensurával. Eu estava mais que feliz, estava em estado de êxtase.

    Fui então levada para a sala de recuperacão e estava ansiosa para que Bengt fosse na unidade neonatal para saber notícias de Viktor e para tirar fotos dele. A partir dali eu sabia que seria uma longa jornada, que Viktor ficaria alguns meses internado mas tinha a certeza de que passaríamos por tudo isso e voltaríamos os 3 juntos para casa.

    A má notícia

    Mas aí chegou o médico pediatra à sala e a angústia tomou conta de mim; Ele disse que Viktor não havia conseguido, seus pulmões não agüentaram e ele teve uma parada cardíca. Meu mundo caiu, eu não acreditava no que estava ouvindo. Nenhuma lágrima caía, eu estava em estado de choque. O médico perguntou então se queríamos ficar com Viktor e nós dissemos que sim.
    Enquanto o médico não voltava com o nosso menino, tudo o que vivi durante minha gravidez passou em minutos como um filme em minha mente. Eu não parava de chorar. O médico chegou então com Viktor e o entregou em meus bracos. Ele ainda estava quentinho, parecia um anjinho dormindo. Eu o beijei, o abracei e o acalentei. Foram momentos de muita dor mas ao mesmo tempo de muita felicidade. Ele era lindo, perfeito. Nasceu com 35 cm e 1,160kg. Tinha uma carinha linda, era o menino mais lindo que eu já tinha visto.

    A enfermeira chegou e nos levou para o nosso quarto. Ela disse que podíamos ficar com Viktor o tempo que quiséssemos. No quarto ela nos entregou um folheto dirigido aos pais que haviam perdido seus bebês. Eu peguei e li enquanto Bengt segurava Viktor no colo. Lá falava sobre o quanto foi importante para outros pais guardar recordações do seu filho, como por exemplo tirar fotos, tirar as impressões dos pés e mãozinhas, etc. Que nada era errado e que muitos pais que não fizeram isso se arrependiam depois.
    Passamos a noite com o nosso filho no colo olhando cada detalhe de seu corpo para gravarmos em nossa mente e jamais esquecê-lo. Tiramos foto dele e foto de nós três, pois uma família havia se formado. No final da noite entregamos nosso filho à enfermeira, pois ele já estava ficando friozinho e roxinho e queríamos guardar em nossa memória aquela imagem linda do nosso bebê papudo, rosadinho e sereno. Foi difícil!

    Seis dias depois fui liberada do hospital e na capela de lá velamos o nosso Viktor. Eu troquei suas roupinhas, forrei seu caixãozinho com o lençol que eu havia bordado durante o período de internação e coloquei meu bebê junto com seu ursinho e duas rosas, uma do papai e outra minha. Que dor meu Deus!!! Eu colocando meu filhinho num caixão quando eu sonhava em colocá-lo em seu bercinho… Bengt fez uma oração linda e fechamos o caixão. Esse adeus foi difícil, muito difícil…
    Seguimos então para a minha cidade levando o caixão com um casal de amigos que foi nos buscar. Deixamos Viktor na capela do cemitério onde uma semana depois seria sepultado.

    Voltando para casa

    O retorno para casa depois de quase 40 dias de internação era muito temido por mim, mas Deus me deu uma força fora no normal, surpreendente. No mesmo dia em que cheguei, entrei no quarto de Viktor e guardei todas as suas coisinhas dentro do guarda-roupa. Tantas coisas ele tinha e ao mesmo tempo não, afinal não temos nada aqui na terra e daqui nada levamos. Até mesmo Viktor não era meu, foi apenas um anjo que Deus me emprestou por pouco tempo. Ele veio para nos ensinar e ensinar a tantas pessoas muita coisa sobre a vida e sobre a eternidade. Veio para nos mostrar que o amor transcende a vida terrena e que a morte e a vida são irmãs gêmeas, que nascer e morrer é quase a mesma coisa…trocamos apenas de lado.

    O enterro

    Diferentemente da cultura brasileira, aqui o enterro é realizado alguns dias depois do falecimento. Viktor, por exemplo, foi sepultado no dia 09/03, 14 dias depois da sua partida. Eu e Bengt fizemos tudo: informamos às pessoas, conversamos com o pastor e escolhemos as músicas a serem tocadas no culto antes do seu sepultamento, etc.

    O culto começou com uma música sueca que se chama ”Jag fick låna en ängel” que significa ”Eu tomei um anjo emprestado”. O pastor fez uma pregação linda e depois leu uma carta que fizemos para o nosso filho. O culto foi encerrado com a música ”Tears in heaven”, ou seja, ”Lágrimas no céu” (as letras das músicas bem como sua tradução seguem no final deste texto).

    A causa da ruptura da bolsa d’água

    Tudo indica que o que causou a ruptura da bolsa e as deformidades na placenta foi uma bactéria (estreptococos B). Para uma próxima gravidez terei que fazer um controle mais rígido todos os meses para detectar a presenca da bactéria e combatê-la com um antibiótico.

    A cultura sueca e a nossa recuperação

    Tenho que confessar que a cultura sueca, que nos incentivou a fazer tantas coisas que provavelmente não faríamos sem um apoio (como por exemplo tirar fotos, trocar suas roupinhas e colocá-lo no caixão, etc.), tem ajudado muito na nossa recuperação. Tenho certeza que teria me arrependido caso não tivesse feito o que fizemos. Afinal, o nosso tempo com Viktor foi tão curto que foram esses poucos momentos que tivemos com ele o nosso maior tesouro e a nossa melhor lembrança. Nos sentimos bem em termos sido nós, os pais dele, que cuidamos de todos os detalhes para o sepultamento dele, por exemplo. Pode parecer loucura, mas o enterro dele foi o mais lindo e ao mesmo tempo o mais doloroso que fui em toda minha vida.

    Viktor e a dor da saudade

    Meu filho agora é um anjo, está vivo e pula e brinca com os outros anjinhos; Entrou em estado de graça e êxtase total na presença de Deus, ganhou um novo nome, tem a consciência de que passou por aqui e foi muito, muito amado por nós; Ele não nos escuta nem nos vê mais, mas falo com ele em Deus por que Ele sente por mim o que sinto por meu filhinho. A dor da saudade é hoje grande e profunda, choro todos os dias. Olhar as fotos de Viktor e ir ao cemitério cuidar de seu jazigo é doloroso mas ao mesmo tempo confortante. A certeza da ressurreicão em Cristo é a única coisa que me conforta e me dá forcas para prosseguir.

    No momento meus passos ainda são curtos porque a dor e o vazio são grandes, mas espero um dia, quem sabe com a chegada de um novo filho, ver a vida com um pouco mais de alegria. Sei que outro filho jamais substituirá o lugarzinho do meu Viktor, mas trará um pouco mais de alegria a este coracão vazio.

    viktor.jpg

    Não canso de me surpreender com as sincronicidades do mundo virtual. Esperei dois meses pra colocar o depoimento e o fiz exatamente no dia em que fazia quatro meses que Viktor se foi, sem prestar atenção nenhuma na data, até porque não tive coragem de reler o depoimento da Roberta, quando postei, ontem.

    A Roberta acabou de deixar essa mensagem pra gente. Queria sugerir que todo mundo, que puder, visite o blog que ela criou pro Viktor, e deixe uma mensagem. Eu sinto que ela está precisando muito desse apoio:

    “Deni minha querida, obrigada! Não poderia receber presente melhor na passagem dos 4 meses sem Viktor. Fiquei (estou) muito emocionada. Queria agradecer também à todos que se sensibilizaram com meu depoimento e que deixaram mensagens tão carinhosas. OBRIGADA! Criei um blog que se chama “Um anjo chamado Viktor” como uma forma de expressar minha dor e meu amor pelo meu filho. Hoje postei a primeira mensagem. Espero receber a visita de vocês. Um beijo muito especial, Roberta”

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    Música

    Denise | Música | Wednesday, 22 June 2005

    vitrola2.jpg

    Quando eu tinha uns 15 aninhos minha melhor amiga era Cinha, que tinha uns 18. Apesar da diferença de idade ser grande, pra essa fase, a gente se adorava e vivia grudada. Contava tudo uma pra outra e adivinhava até os pensamentos. A gente sabia todas as paixões e desilusões, sonhos e planos.

    Nós duas éramos loucas por MPB. Colecionávamos vinil e íamos juntas pra tudo quanto era show. Chegávamos às 2 da tarde pra conseguir um lugar sentadas lá em cima do palco, no Projeto Seis e Meia, onde a gente ia assistir Jards Macalé, Jackson do Pandeiro, Moraes Moreira, Gonzaguinha, Moreira da Silva, Banda de Pífanos de Caruaru, A Cor do Som, Bezerra da Silva, Jorge Mautner e muita gente boa mais… (E o Projeto Seis e Meia vai voltar, hein?! fiquem ligad@s.)

    Mas, a minha lembrança mais carinhosa é de quando a gente ficava no quarto dela, ou no meu, fazendo uma brincadeira que era o seguinte… cada uma, alternadamente, tinha que escolher (sem que a outra visse) uma música que tivesse a ver com o que a outra estivesse sentindo naquele momento, tudo adivinhado… e a gente sempre acertava… nessa, a noite passava ao som de Elis Regina, com “Atrás da Porta” ou Rita Lee, com “Ovelha Negra”…

    Lembrei dessa história quando a minha querida amiga Rita Carvalho me mandou essa música do Renato Russo, há uns dois dias atrás:

    Eu Sei
    Ouça a música aqui

    Sexo verbal não faz meu estilo
    Palavras são erros, e os erros são seus
    Não quero lembrar que eu erro também
    Um dia pretendo tentar descobrir
    Porque é mais forte quem sabe mentir
    Não quero lembrar que eu minto também
    Eu sei…
    Feche a porta do seu quarto
    Porque se toca o telefone pode ser alguém
    Com quem você quer falar
    Por horas e horas e horas
    A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você
    Mas não, não vá agora, quero honras e promessas
    Lembranças e histórias
    Somos pássaro novo longe do ninho
    Eu sei…

    Vocês já devem ter percebido que eu adoro me expressar através da música. Deve ser uma coisa meio adolescente… mas me faz muito bem. Se vocês fossem escolher uma música que tivesse tudo a ver com esse momentinho agora, na vida de vocês, qual seria?

    Enfim, quanto à música da Legião, não fantasiem, não… hehehe… são apenas alguns trechos que caem perfeitamente com tudo que estou sentindo nesse momento. E a danada da Rita adivinhou direitinho. Igual a Cinha. Duas bruxas.

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    Eu e Lula…

    Denise | Política | Tuesday, 21 June 2005

    Ok, já que o assunto é esse na blogosfera e na terra brasilis… não vou fugir ao debate. Um pouco da minha “história política” eu já contei nesse post, onde falava sobre os 25 anos da anistia política no Brasil.

    Eu e o PT

    Mas, ao contrário do que muita gente pensa, nunca fui uma petista militante. Apesar de estar filiada ao partido desde 2000 e de quase sempre ter votado em candidatos do PT, nunca participei ativamente e já fui contra várias decisões do partido. Pra começar, as más companhias. Sempre tem quem diga que, sem as alianças, o Partido não iria a lugar nenhum. Pode ser. Mas, o PP era um pouco demais, na minha opinião. E deu no que deu.

    Em Lula, eu sempre votei e continuarei votando por que, ainda é a melhor opção. Pra mim, não apareceu nada que substitua o PT e a situação ainda não é pra voto em branco. Mas, isso não significa que estou cega pros problemas do Governo.

    Críticas

    Chorei de emoção na posse de Lula, mas no dia seguinte, já estava danada da vida porque achei um absurdo ele dar uma primeira entrevista exclusiva à Globo, emissora que o derrubou, em 89, com a famosa edição do debate com Collor. Pra mim, foi um mal sinal pro começo de Governo.

    Também fui contra o Governo dar tanto poder à Nestlé, através do Programa Fome Zero e falei sobre isso no post O Brasil tem fome de quê?.

    Fora isso, também acho que as mulheres deveriam ter tido um peso maior no Governo (apesar dele estar se redimindo, um pouco, ao colocar a Dilma Roussef no lugar do José Dirceu) e, claro, tem as denúncias de corrupção que, eu confesso, têm ido além do que eu imaginava que pudesse acontecer e, claro, devem ser apuradas rigorosamente.

    Agora, achincalhar, é outra coisa…

    Dito isso, vocês podem ver que eu não estou alheia aos problemas do Governo Lula. Na verdade, até briguei com meu irmão que, pelo menos no início do Governo do PT, não aceitava nenhuma crítica (nem sei como está hoje, não falo mais no assunto).

    Agora, na minha opinião, o que está acontecendo é uma demonização de Lula, e aí, eu prefiro não criticar mais, porque não quero me confundir com os que querem um linchamento público do peão.

    Criticava-se FHC, sim, mas não no nível que se achincalha Lula. Como já disse num post abaixo, acho que FHC era o que toda a classe média e alta queria. Era o Brasil chique. Lula é o Brasil pobre. Pra mim, muita gente tinha “engolido” Lula e agora, que virou senso comum detonar o cara, aí, estão liberados e aproveitando pra extravasar todos seus preconceitos contra o nordestino, sem educação.

    Outra coisa que eu tenho visto, nas críticas a Lula, são pessoas que tinham esperança de ter algum espaço no Governo e, preteridos, viraram seus maiores inimigos.

    Apesar de conhecer muito bem e há muitos anos, o ministro da saúde, Humberto Costa, nunca tive desejo, nem esperança de ter qualquer tipo de tratamento especial para os projetos do Origem.

    Brazil recusa 40 milhões de dólares do Governo Americano, mas mantém a dignidade…

    Não sei o quanto isso foi falado por aí, mas senti um orgulho danado do nosso Governo quando soube disso…

    Já há muitos anos, existe um fundo de verbas do Governo Americano, para apoiar ONGs e governos na luta contra a AIDS em países pobres ou em desenvolvimento.

    Como parte da sua cruzada moralista, o Governo Bush resolveu incluir uma condição, para a doação desses recursos. Ele passou a exigir que as instituições que recebem esses recursos assinassem um documento condenando a prostituição.

    Ora, em quase todos os países, o movimento de defeso contra AIDS trabalha próximo às redes de profissionais do sexo. No Brasil, elas têm um papel fundamental na conscientização e luta contra AIDS. Como é possível se assinar um documento desses?

    Algumas ONGs como a Save the Children se posicionaram contra, mas sem a força de um Governo. O Brasil foi o primeiro país a fincar o pé e recusar o dinheiro.

    “Nós não podemos controlar [a doença] com princípios que são maniqueístas, teológicos, fundamentalistas e xiitas” disse Pedro Chequer, diretor do Programa de Combate à AIDS do Brasil, que é considerado o melhor do mundo. (Que começou no Governo Serra, OK, mas com equipe toda da Telma de Souza, da Prefeitura de Santos, do PT).

    A decisão do Brasil fez com que o Governo Americano voltasse atrás e, apenas algumas semanas depois, Randall Tobias, coordenador do Programa de AIDS no Governo Bush anunciou que “apenas os projetos que recebem recursos diretos do Governo iriam precisar cumprir essa exigência”, liberando dessa condição absurda 128 países que recebem recursos do Fundo Mundial de Combate à AIDS e beneficiando mais de 33 mil entidades do mundo todo.

    Isso é bacana, não é, não? é o velho PT que ainda está lá. Recebi emails de algumas pessoas, militantes internacionais da área de saúde, comentando como eu deveria estar orgulhosa do meu país. E estou mesmo.

    Mas, vocês viram algo sobre isso no Jornal Nacional? posso estar enganada, mas daqui, pelo menos, me pareceu que a imprensa brasileira não deu muita importância ao fato.

    Enfim, é verdade que não estou aí vivendo o dia-a-dia e que, por mais que eu tente me manter informada, não é a mesma coisa, mas acho que existe, sim, uma má vontade especial com tudo que se refere ao Governo de Lula, e se a gente olhar direitinho, vai achar, também, coisas boas acontecendo e é sempre bom lembrar que o Governo FHC não era nenhum paraíso.

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    Leia mais sobre a questão do Fundo Americano de Combate à AIDS aqui:

  • Wall Stret Journal.
  • Just Say Não

    Foto: feita por mim, em 1985, quando eu era estagiária de uma ONG, a ECOS, que trabalhava com jornalismo sindical.

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    Crise como oportunidade: Não deixem de conferir o que a Leila escreveu sobre o assunto. Concordo com tudo, e também espero que a fase de “pragmatismo arrogante”, capitaneada pelo Zé Dirceu tenha passado. Muito bom, Leila.

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    Novidades das Amigas

    Denise | Amig@s,Blogosfera | Tuesday, 21 June 2005

    Andei sumida daqui e de outros blogs… uma TPM chatinha que me deixou melancólica, desanimada… esses hormônios são fogo, né? tomara que chegue logo (e passe logo) a tal menopausa pra eu me livrar desses “mood swings” (mudanças de humor) que me acompanham desde os 12 anos de idade…

    Mas já estou ótima, de novo, e cheia de novidades… além do post, aí acima, sobre Lula (sejam bonzinhos/boazinhas comigo, hein??!!), deixa contar umas coisinhas sobre duas amigas muito queridas:

    Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor
    aqui, na terra do Tio Sam!

    gracanoorigem.jpg

    Lembram dela? Pois é, a Gracinha tá com tudo… foi convidada a participar, com tudo pago pela organização, da 19th Biennial International Conference Breastfeeding: An Ancient Art—A Modern Miracle, que vai acontecer aqui em Washington, DC entre os dias 2 e 5 de julho. Ela vem falar sobre sua experiência no apoio à amamentação às mães das comunidades de baixa renda do Recife. Só está esperando que o consulado americano libere o visto. Vamos torcer pra que dê tudo certo. Toc, toc, toc… Graça aqui, na minha casa, posso querer mais?!

    Amizades fortes por caminhos tortuosos

    Presentes de Ana LuciaComo muita gente sabe, eu e a Ana Lucia andamos nos estranhando, há uns tempos atrás. Mas, como somos gente muito civilizada e muito do bem, superamos os problemas e celebramos nossa amizade virtual com uma troca linda de presentes que significavam muito pra cada uma.

    Como ela está se dedicando, brilhantemente, a estudos relacionados à Africa (está no momento no Benin), eu mandei pra ela uma estátua de uma mulher africana, linda e com cara de difícil (como nós duas), que eu trouxe da Tanzânia e ela apelidou de “Belle du Jour”.

    E acabei de receber esses presentes maravilhosos dela… um anjinho “para continuar destribuindo amor e alegria”; uma pulseirinha feita por mãos brasileiras, mas comprada no “mercado de pulgas” de Québec e um livro M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O com fotos divinas de Quebec, que é um sonho antigo meu. O livro foi pra “convencer Ted” a dar um pulinho por lá!

    Uma das minhas melhores amigas, até hoje, é Marta Santos, que conheci aos 14 anos de idade numa briga danada. Portanto, acredito, sim, que de grandes crises podem nascer belas e fortes amizades.

    Obrigada pelos presentes, Ana Lucia, adorei e eles significaram muito pra mim.

    Cheiros

    AA022923.jpgGente, Ted, que adora meus “sniffs” (nunca ninguém tinha “cheirado” tanto ele… hehehe), acabou de me perguntar se “cheiro” é coisa do Brasil todo… sabe que não sei? nas outras regiões, vocês também “dão cheiro”??? ou é coisa de nordestina?

    Update: Gente, que interessante as respostas de vocês, nunca imaginaria… cheiro, no Nordeste, não é a mesma coisa que beijo, é “cheiro” mesmo! a gente cheira o “cangote” (pescoço) do namorado… quer dizer que vocês não “dão cheiro”??? vocês não sabem o que estão perdendo!! Ted absolutamente adora!!! hehehehe…

    Um cheiro pra vocês!

    Fotos: (1) Graça no escritório do Origem, no mesmo cantinho em que eu trabalhava… (saudades!), (2) os presentinhos que ganhei da Ana Lucia e (3) Getty Images

    ______________________________________________________

    AVISO: Mais uma vez, ontem, o blog teve problemas com o nosso servidor Pixelzine e por isso ele saiu do ar por várias horas e, depois, as caixas de comentários não estavam disponíveis. Infelizmente, esses problemas com nosso servidor têm acontecido constantemente. :(

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    Per Amore

    Denise | Bia,Viagens | Sunday, 19 June 2005

    biaedancoliseu.jpg

    Io conosco la tua strada
    Ogni passo che farai
    Le tue ansie chiuse e i vuoti
    Sassi che allontanerai
    Senza mai pensare che
    Come roccia io ritorno in te…

    bianasruinas.jpg

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    Fim de Semana…

    Denise | Carpe Diem,Washington, dc | Sunday, 19 June 2005

    Passeie comigo na livraria Barnes and Nobles.

    Segunda-feira…

    O Primeiro Jornal

    Música de Sueli Costa
    Cantada por Elis Regina
    Ouça aqui

    Quero cantar pra você
    Segunda-feira de manhã
    Pelo seu rádio de pilha tão docemente

    E te ajudar a escalar esse dia mais facilmente
    Quero juntar minha voz matinal
    Aos restos dos sons noturnos
    E aos cheiros domingueiros que ainda boiam
    Na casa e em você

    Para que junto com o café e o pão se dê
    O milagre de ouvir latir o coração
    Ou quem sabe algum projeto, uma lembrança
    Uma saudade à toa
    Venha nascendo com o dia, numa boa

    E estar com você na primeira brasa do cigarro
    No primeiro jorro da torneira
    Nos primeiros aprontos de um guerreiro de manhã
    Para que saias com alguma alegria bem normal
    Que dure pelo menos até você comprar e ler
    O primeiro jornal

    _____________________________

    Papo besteirol:

    Precisava contar pra vocês a história dessa saia. Por isso pedi pra Ted fazer essa foto.

    Apareceu uma moda aqui, nessa primavera-verão que se chama “bohemian”, okay, nada mais é que a velha riponga mesmo. Eu, claro que adorei, e fiquei L-O-U-C-A por essa saia verdona na hora que vi, enorme, cheia de panos e babados, basta colocar e a minha porção cigana (ou roma) aflora… só que custava 119 dólares. Na Hechts, que fica aqui na minha esquina.

    Aí, quase todo dia eu passava dentro da loja pra pegar o metrô e checava a saia, sabendo que um dia a o preço baixava. Baixou um pouco, mas ainda estava longe do meu orçamento. Eu tive paciência. Um belo dia, entrou em promoção de 80% de desconto (ou seja 23,80). E mais, essa verdinha (a cor que eu queria!) só tinha uma com o zíper quebrado. Pedi mais desconto e ficou por 11,90 dólares!!!! hehehe… viram? não é só na India que eu descolo pechinchas não! hehehe…

    Como trocar zíper aqui, nem pensar, fiz um arranjinho com diversos alfinetes de segurança… quem precisa de um zíper? hehehehe…

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    “Eu, você, nós dois”

    Denise | Carpe Diem,Ted & eu | Sunday, 19 June 2005

    “Eu, você, nós dois, aqui nesse terraço à beira mar, o sol já vai saindo e o seu olhar, parece acompanhar a cor do mar…”

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