
O porquê!
Bom, sei que essa é uma questão que muita gente tem… Na verdade, mudamos pra Suécia pensando em ficar por lá por um bom tempo. Talvez voltar pro Brasil quando Ted se aposentasse… mas na verdade, aos poucos, fui gostando tanto do lugar que já percebia que ia acabar ficando por lá mesmo…
Ai, Ted recebeu uma proposta de trabalho muito interessante, aqui em Washington. Ele é americano e, há alguns anos, tinha pensado em voltar.
Ele perguntou o que a gente achava de vir morar aqui. Bia ama a Suécia, mas algumas coisas a incomodavam demais… o frio intenso, o fato de tudo fechar super cedo, a “calmaria” da cidade, a dificuldade de seguir com a escola normalmente, por causa do idioma, etc.
Quanto a mim, a maior dificuldade (e única), era o idioma, que iria dar um trabalhinho pra aprender… então, pesamos tudo e decidimos que seria uma boa idéia tentar começar tudo de novo, aqui nos EUA.
O visto
Por termos visto de residência na Suécia, fomos tratados da mesma forma que os suecos, com os mesmos critérios, na embaixada dos EUA. Nunca vi nada tão fácil. Foi caro e deu trabalho, claro… fomos a médicos, fizemos exames, reunimos muitos documentos, mas todo o processo de solicitação do visto durou apenas cerca de 2 meses, contra os 9 meses que levamos pra receber o visto de residência na Suécia.
Ao entrarmos nos EUA, entregamos o envelope selado que recebemos da embaixada, eles checaram, carimbaram o passaporte e entramos imediatamentre, sem muita burocracia. Uma semana depois recebemos, pelo correio, o famoso green card. Incrível!
Agora…
… estamos muito bem. Temos saudades da Suécia, já tínhamos feitos amigos, adoramos o jeitão socialista da terra, a natureza é deslumbrante, Estocolmo é a cidade mais linda que já vi…
Mas aqui também temos muitas vantagens. As pessoas são mais fáceis de lidar, o idioma é fácil, o clima é muito melhor, a cidade é muito mais prática, tudo fica aberto até tarde, enfim, a vida é mais fácil mesmo.
Interessante é que a (re)adaptação está sendo mais difícil pra Ted, que é americano, do que pra gente. Pra ele, é uma mudança enorme, voltar pra cá depois, de 30 anos na Suécia.
Pra gente… bem, já somos desterradas mesmo, a grande mudança foi sair do Brasil pra Suécia, agora da Suécia pros EUA, é moleza… já estamos soltas no mundo!
Acima de tudo, eu acho que a gente tem que encontrar o que existe de bom onde estamos e aproveitar tudo possível, não adianta ficar chorando por algo que já passou. Estamos nos organizando, mas em breve vamos mostrar o que tem de mais legal em Washington, DC.
A Suécia e o Brasil estarão sempre em nossos corações, mas nosso lugar, pelo menos por enquanto, é aqui e é aqui que vamos ser felizes!
Pintura: Keith Hering

Alguns comentários dos comentários:
Karenin, eu também me identifico muito mais com o jeito europeu de ser, e isso é um choque pra mim, como já escrevi ai embaixo… o consumismo enlouquecido e o conservadorismo eram teoria pra mim, agora tô vivendo na prática… e não é nada fácil… MAS a vida na Suécia é mais árida, mais dura – na maior parte do ano o país é frio, é escuro, tem pouca diversão pra alguém da idade dela, as pessoas são mais ariscas, o idioma é difícil – nada disso me incomoda, mas pesa muito pra Bia, que é adolescente. Nesse sentido, a vida aqui é muito mais fácil.
Pois é, Carola, é difícil pra Ted. Ainda mais que, como eu, ele gosta muito mais do jeito que as coisas funcionam na Suécia. Ele fica histérico com as armações daqui, como não se pode confiar nas empresas, como sempre estão querendo ganhar mais dinheiro às custas da gente. Além do mais, ele sempre foi pra estação central de trem de bicicleta (pra ir pra Uppsala) e aqui, são poucas as ciclovias no meio da cidade…
Oh, Glau, não sou tão centrada assim, de vez em quando enlouqueço… hehehe…
Caramba, Rafaelle, que bacana!! fico super feliz em ter inspirado você a trabalhar com questões sociais, muito bacana mesmo! boa sorte e vá me contando como as coisas estão indo, OK?
Isabel, querida, fizemos uma enquete e a maioria achou que devíamos manter o nome do blog, por ter a ver com a minha história!
Ai, Aline, não se sinta mal… eu só acho inglês fácil porque, depois do sueco, tudo é moleza hehehe…
Alê, adorei o “Everwhere u go… Always take the weather with you” …
E super obrigada a todos os outros que deixaram mensagens gracinhas pra mim!