25 Anos: Anistia não é esquecimento!

Nao existe nada, na nossa historia, que me emocione mais do que a imagem de Gabeira e outros anistiados chegando no aeroporto e sendo abracados por suas familias. Dia desses, em Estocolmo, vi essas cenas ao som de Sabia’, num programa Arquivo N da Globo News… chorei copiosamente.
Ai, resolvi contar pra voces um pouco do que isso representa pra mim…
Eu sempre fui uma menininha metida. Em 1978, quando Jarbas Vasconcelos (na epoca, de esquerda) concorria ao senado pelo extinto MDB, numa epoca de muita repressao e muito medo, eu, uma menina de 14 anos fui parar no Comite do MDB, la’ na Rua Sete de Setembro, centro do Recife.
Sozinha e morrendo de medo e com vergonha, porque nao conhecia ninguem, disse a um grupo de militantes que eu queria ajudar, de alguma forma, a campanha de Jarbas… queria panfletos para distribuir… eles relutaram, mas acabaram cedendo a minha insistencia.
Para @s novinh@s, vale a pena explicar que panfletar, pra esquerda, em 78 nao era, de forma nenhuma, a mesma coisa de hoje… ainda havia muita repressao, nem tinha havido anistia, tinha gente presa… lembro de estar com a terrivel farda amarela do Sao Bento, nervosissima e, num determinado momento fiquei com tanto medo que fui no banheiro das Lojas Americanas e larguei la’ todos os panfletos… que experiencia!!!
Em 1979, ano em que saiu a Anistia, eu tinha 15 anos. Estava terminando a oitava serie, mas “continuava” politizada. Sabia o que estava rolando no pais, tinha ido pra comicios pela anistia e estava morrendo de vontade de entrar no finzinho da luta.
Foi, tambem, quando um menino muito estranho (e gatissimo) entrou na minha escola. um paulista que me incentivou a ter os primeiros contatos com o MR-8, o Movimento Revolucionario 8 de Outubro.
Nunca esquecerei nosso primeiro papo:
Ele: – “Voce ja’ leu ‘O Principe’?”
Eu: – “Claro!!! adoro o ‘Pequeno Principe’“…
Na verdade, ele perguntava sobre o famoso livro de Maquiavel, aquele que diz que “os fins justificam os meios”… (hahahaha)
Com ele, participei de algumas reunioes do MR-8, mas, “nao sei porque”, ninguem me levava muito a serio (lembrem, eu tinha 16 anos!)
Tambem tenho memorias incriveis dessas reunioes, que eram clandestinas (pra quem nao sabe, o partido nao era legal, nao existiam eleicoes e viviamos no bipartidarismo, MDB e Arena). Elas aconteciam na Rua do Sol, em Olinda, nos fundos de uma funeraria… varias vezes tivemos reunioes usando caixoes de defunto como mesa… imagina a cena… nada mais romantico…
Eu AMAVA aquele clima de clandestinidade, me sentia assim uma… Olga Benario ou Patricia Galvao (Pagu) … hehehe…
Tinha tambem a organizacao Trotskista que pregava a conciliação da vida acadêmica com a militância política Libelu. Numa das reunioes que participei da UBES (Uniao Brasileira de Estudantes Secundaristas) a eles repetiam o refrao “Me prende, me chuta, sou liberdade e luta”… Sabe quem fazia parte dessa organizacao??? o Palloci!!! hahaha…
Enfim, apesar de bem novinha, agitei muito e tambem me emocionei muito…
Em 1984 tive um namoro, rapidinho, com um rapaz que foi torturado e preso politico durante 9 anos, sendo um dos beneficiados pela anistia… Voces conseguem imaginar o que e’ passar nove anos, a partir dos seus vinte e poucos anos numa cadeia por estar lutando contra a ditadura militar?
Atraves dele e de outros com quem convivi entendi um pouquinho do que significou essa luta e tenho sempre o mais profundo respeito por todos eles.
A anistia nos deu a possibilidade de remediar um pouco tudo que sofreram, os que sobreviveram conseguiram retomar sua vida, uns de uma forma melhor que outros. Alguns nunca se recuperaram…
Francamente, eu sou “revanchista”… nao acho que a gente tem, nunca, que perdoar e esquecer as atrocidades que essas pessoas viveram.
Segundo os 12 volumes do Projeto Brasil: Nunca Mais, coordenado pela Arquidiocese de São Paulo, uma das radiografias mais completas do período ditatorial no Brasil, 1.843 pessoas denunciaram, em auditorias militares, as torturas sofridas.
Três volumes As Torturas- num total de 2.847 páginas, descrevem de forma assustadora os tipos de suplícios a que esses opositores políticos foram submetidos, assim como os locais e os nomes de alguns de seus algozes.
A maioria dos presos politicos sofreu alguma especie de tortura, especialmente entre 1970 e 1972. A maior parte dos torturados tinha entre 21 a 30 anos e as principais formas de tortura eram choques elétricos, pau-de-arara, cadeira do dragão, palmatória, alem de sofrerem ameaças à própria vida, à de companheiros ou familiares, ameaça de ter de torturar a si mesmo ou a companheiros, fuzilamento simulado, ter de assistir à tortura de companheiros ou familiares e afogamento.
A maior parte das torturas era aplicada nos órgãos genitais, nas mãos, no ouvido, nos pés, na cabeça e na boca (respectivamente). As sessões de tortura podiam durar horas (um torturado reportou 22 horas de sofrimento). A grande maioria teve de sofrer de 5 a 10 sessões e um prisioneiro foi submetido a 32 sessões de tortura!!!
Por tudo isso, que voce pode ler mais detalhadamento no documento que esta’ presente na integra, nesse site, e muito mais, acho que a gente nao pode esquecer nunca os anos de chumbo do Brasil e deve sempre contar as novas geracoes o que aconteceu no pais, pela memoria dos que “desapareceram” e por respeito aos que foram torturados em nome da nossa liberdade.
“Meu Brasil que sonha
Com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora, a nossa pátria-mãe gentil
Choram Marias e Clarices
No solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda-bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista tem que continuar”
(Joao Bosco e Aldir Blanc)
Se voce nao participou dessa historia, aconselho a ler tudo que puder sobre isso. Nao se satisfaca apenas com as noticias na Globo… esse e’ um excelente site onde voce pode ler sobre a historia, ver imagens, depoimentos, documentos:
Anistia não é Esquecimento – Fundacao Perseu Abramo
Imagens: Cartaz pela anistia e calendários feitos pelo artista Otávio Roth, para levantar fundos para a campanha para anistia.
Clique no link abaixo para ler o texto “Anistia – Como vens, como te imaginava” de Carlos Drummond de Andrade e a carta de Henfil a sua mae.







Pois é… amanhã é o meu último dia como moradora de Estocolmo…




Antes de tudo queria agradecer a todos os que me escreveram aqui no Blog, no Orkut, no Mutiply e por email, desejando feliz aniversário pra mim e pra Ted… vocês são uns amores e me deixaram muito emocionada com tanto carinho, até chorei ao ler algumas mensagens…
Bia me deu a camiseta, maravilhosa, que vocês viram no post ai abaixo; Felix e Sabina trouxeram um coral enorme, lindíssimo, da Grécia (foto ao lado); e Kasper e Agne me deram uma peça de porcelana da Marimecko, design finlandês. Tudo muito lindo.










Como estou absolutamente ocupada, com a mudança, chegada de Bia, Seminário do Origem e muitas outras coisas, mas não queria deixar passar em branco os meus 40 anos, pensei em re-editar e revisar um texto que escrevi no início desse ano, bem no comecinho do blog…
Tem sido muito melhor ser mãe agora. Tem menos angústia. Antes era “será que estou fazendo a coisa certa? não devia forçar a comer verdura? pode tomar banho de chuva? será que ela quebrou o dente por que eu deixei patinar nesse lugar perigoso? tudo que acontece com ela, é culpa minha?”…
Ter 40 anos pra mim tem sido menos hiperatividade, mas com muita criatividade; menos passionalidade, mas sempre com muita crença em meus princípios e ideologia; amor, sem dependência; maternidade, sem culpa; dieta sempre, mas sem paranóia, gostando dos quilinhos a mais, que dão até uma imagem mais “renascentista”; muito trabalho, mas sem fissura; cultura e arte, mais por prazer, menos por necessidade; espiritualidade, sim… religião, não…”
Gente, antes de dormir PRECISO falar nisso… vocês já ouviram falar nessas duas novidades da Internet? incrível a capacidade de multiplicação, como diz o Inagaki, nem os Gremlins, em dia de chuva!!!
Quando eu sumo uns dias, como agora, podem ter certeza que é falta de tempo mesmo, porque assunto é o que não falta… tava ocupadíssima, mas a cabeça tava funcionando e eu pensando em mil coisas sobre as quais queria escrever…
Enfim, eu tenho muito orgulho desse Brasil. Tenho muito orgulho toda vez que tenho reunião com mulheres que vivem em comunidades muito pobres e vejo como elas são batalhadoras, espertas, inteligentes. Muitas mal terminaram o primário, mas falam muito melhor, em público, do que qualquer patricinha de colégio privado.


Como ando absolutamente sem tempo pra fazer mais nada a não ser cuidar da minha mudança, mas queria muito deixar uma coisinha aqui no blog, aí vão uns textinhos bem curtinhos e facinhos de escrever…
Foto dos meus sobrinhos queridíssimos (Igor e Yuri), porque acabei de falar com Igor no MSN e fiquei morrendo de saudades deles… que são inteligentíssimos, doces, educados e lindos!!!
Meu querido amigo Marcus Renato de Carvalho, pediatra e professor da UFRJ, defensor histórico da amamentação, está coordenando a Campanha de Valorização do Cuidado Paterno, em uma festa em homenagem aos pais no Parque dos Patins, Lagoa Rodrigo de Freitas, no próximo domingo, dia 08, entre as 9 e as 12 horas.
Nossa primeira parada, como vocês sabem, foi Phoenix, no Arizona. Ted deu uma palestra bacana sobre o papel do pai na amamentação e, também, sobre AIDS e amamentação. Pra mais de 500 mulheres…. hehehe… é raro homem trabalhando com amamentação, né? então ele é sempre bendito entre as mulheres!
American Pie – Madonna
Túnel do Tempo
Mas, nem tudo foram flores… no caminho pra o Grand Canyon, no meio do deserto do Arizona, a gente passou por cima de uma pedra enorme, quebrou uma coisa lá embaixo e o carro simplesmente parou… foi um exercício de paciência… imagina só, no maior calorão… ai ai… mas em 15 minutos já tinha um guarda lá que ligou pra um reboque que deixou a gente numa “lanchonete Taco Bell” e a locadora trouxe outro carro pra gente… mas isso tudo durou umas 4 horas… foi duro não entrar no maior stress…
Como vocês sabem, a maioria das famílias americanas está espalhada pelo país (que é enorme) e encontra-se apenas uma vez por ano. Já estive na
A convenção democrata começou quando eu ainda estava lá e assisti tudo que eu pude… Kerry pode não ser grande coisa mas, com toda certeza, é MUITO melhor que Bush… gostei do discurso de Bill e Hillary Clinton… agora, Teresa (a mulher de Kerry)… essa eu adorei… e pra melhorar, vocês devem ter ouvido falar que ela falou em português dirigindo-se às familias portuguesas e brasileiras (ela é mozambicana). Depois escrevo sobre ela…
Enfim, como sempre, viajar junto, com todos os incidentes imprevisíveis, é um desafio à nossa vontade de viver em paz, mas ultrapassamos mais esse “obstáculo”, com muita disposição de ser felizes, respeito e amor. Sempre tendo em mente o lema “stress zero” hehehe… Mesmo com o calor, longas viagens, muita junk food (batatinha frita, castanha, donuts, coca light etc.) na estrada, foi tudo maravilhoso!!!