
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.
Clarice Lispector (via Alexandra Peixoto)

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Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.
Clarice Lispector (via Alexandra Peixoto)

“O acessório perfeito pode ser a diferença entre parecer ‘blah’ ou ‘de morrer’”, Michael Kors.

“Morte por um stiletto (sapato)? não posso imaginar melhor forma para morrer”, Brian Atwood.
Não é novidade. Já falamos disso, várias vezes, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
É a glamourização da violência contra a mulher. Essas fotos são da revista Haaper’s Bazaar de setembro, que é a edição mais importante da moda, nos EUA.
O ensaio mostra a “consultora de estilo” Rachel Zoe sendo morta por vários estilistas famosos. ”De morrer pela moda”. Sim, entendi o contexto e deve ter gente que acha muito “moderno”. Eu continuo achando que, dentro de um contexto maior, as imagens são de extremo mau gosto.
Brasil, esquentai vossos pandeiros…

Tô rindo à toa
Pesquisa contratada pela Folha e a Rede Globo, nos dias 23 e 24, diz que Dilma Rousseff, manteve sua tendência de alta e foi a 49% das intenções de voto, contra 29% de José Serra. E mais, se a eleição fosse hoje, Dilma teria 55% dos votos válidos (os que são dados apenas aos candidatos) e venceria no primeiro turno.
Já a aprovação a Lula chega a 79% e atinge novo recorde. O recorde anterior ela dele mesmo, 78%. O Datafolha pesquisou a avaliação de todos os presidentes eleitos pelo voto direto depois da ditadura militar (1964-1985). Fernando Collor (1990-1992) teve uma popularidade máxima de 36%. Fernando Henrique Cardoso (1995-2001) nunca passou de 47%. 32% a menos que Lula.
Sério que tem quem acha que eu sou romântica e a única que acredita em Lula, Dilma e no PT?
Leia também:
Dilma deve ter ‘vitória retumbante’, diz Financial Times – Estadão
Estou com essa música na cabeça e morrendo de vontade de fazer aulas de dança do ventre =) descobri que tem uma aqui em Seul hoje à noite, acho que vou lá.
Claro que, apesar de todo respeito que tenho por sua história na resistência política contra a ditadura militar, como escrevi no post anterior, não é essa a razão principal para ter decidido votar em Dilma.
Desculpem o post “malamanhado”, mas é que o tempo é pouco e só estou escrevendo sobre isso agora porque muita gente tem perguntado e não dá pra adiar mais.
Primeiro deixa dizer que, ao contrário do que muita gente pensa, apesar de simpatizar com o PT , não sou uma petista histórica. Nunca militei no grupo de mulheres do PT e já estive até em lado oposto numa eleição. Portanto, não tenho nenhum compromisso em apoiar a candidata de Lula.
Acompanhei todos os problemas no início do governo, me decepcionei com algumas pessoas, mas nunca tive uma visão idealística do partido, então, não entrei em “crise”. Tenho minhas críticas, especialmente ao fato do Lula e o governo ter feito alianças demais. Não é fácil engolir José Múcio (de Pernambuco) ou a Nestlé no Programa Fome Zero, mas sou pragmática o suficiente pra saber que, pra governar, tem que se fazer concessões.
Então, muito além de simpatia partidária, minha última visita, em outubro passado, ajudou a definir o meu voto.
O fato é que o Brasil melhorou muito, no governo Lula
Quando saí de lá, há 8 anos, muita gente me acusava de reclamar demais do país, aqui no blog. O fato é que o clima era ruim mesmo, muito desemprego, muitos problemas, muita miséria e poucas perspectivas de mudanças. O astral das pessoas estava lá no chão.
Aos poucos, fui percebendo uma mudança e, na minha última visita, em outubro passado, fiquei impressionada com o clima positivo e de esperança das pessoas (que contrastava com a crise nos EUA). Pela primeira vez, vi cartazes de “emprega-se” nas lojas, e mesmo que esteja longe do ideal, todo mundo com quem falei disse que o Brasil está melhor.
Me impressionaram os relatos de três amigas, que vivem em diferentes comunidades, extremamente pobres, e com as quais trabalhei na promoção do aleitamento antes de me mudar. Nos reencontramos e fiquei muito feliz por vê-las tão bem. São mulheres batalhadoras e esclarecidas, agentes de saúde, lideranças comunitários. Conversamos sobre Lula e todas estavam entusiasmadas com o quanto as comunidades melhoraram, nos últimos anos.
É facil pra gente, que tem garantido pelo menos o pão de cada dia, criticar programas de transferência de renda, “precisa ensinar a pescar, blá-blá-blá”, mas saco vazio não se segura em pé. O valor da bolsa-família, pode não parecer muito, mas tem sido suficiente para aumentar a auto-estima das pessoas que não tinham nada.
“É que antes a gente passava a vida toda sem saber se ia entrar nem um real, era um aperreio, pelo menos agora, a gente sabe que, no fim do mês vai entrar um dinheirinho que dá pra ir ao mercado, isso deixou todo mundo mais feliz na comunidade.”, disse uma delas.
Sim, dá pra negar que o Brasil está mudando pra melhor? e dá pra negar que um governo petista é responsável por essa transformação? então, a conclusão natural é que eu quero que Dilma continue e avance o que Lula começou.
Eu jamais votaria em Serra. Não preciso nem dizer porque, né? a essa altura, acho que todo mundo sabe quem ele é e o que é o PSDB.
Gostava da Marina, até perceber o quanto ela é arcaica com sua religiosidade. Vivemos num país laico e a interferência das suas crenças religiosas nas questões públicas é inaceitável pra mim. Além do mais, não me agrada suas relações com a Natura que tem enfrentado processos por se apoderar das culturas indígenas, sem reconhecer seus direitos de patente.
Plínio de Arruda Sampaio é um homem admirável, gosto muito dele e até simpatizo com o PSOL. Mas por que eu votaria nele, se posso votar em Dilma?
Eu, realmente, voto em Dilma Roussef sem nenhuma sombra de dúvida, com a certeza de que ela é a melhor opção e é a mulher que eu quero ver como presidenta do Brasil.
E vocês? vão votar ou não na Dilma? e por quê? vamos trocar idéias (mas, sem grosserias, por favor). Escrevam, que eu respondo, assim que tiver um tempinho =)
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Não deixem de ler:
Dez falsos motivos para não votar na Dilma, por Jorge Furtado
Atenção: Antes que outras pessoas venham torrar minha pouca paciência, informo que não escrevi esse post com o objetivo de justificar meu voto na Dilma, para isso fiz esse outro post aqui. Apesar de admirar sua militância durante a resistência à ditadura, obviamente, não é por isso que voto nela.


Mesmo nunca tendo sido vítima direta (nem eu, nem familiares), minhas história está indelevelmente marcada pela ditadura militar no Brasil.
Tudo começou antes da escuridão tomar conta do país. Era uma vez, dois jovens que se conheceram no começo dos anos 60, eram fãs de João Goulart e Maria Tereza (que meu pai jurava, era a cara da minha mãe), ouviam bossa nova, se apaixonaram e casaram em 63, cheios de esperança no Brasil do futuro.

Minha mãe vivia em Triunfo, sertão de Pernambuco, para onde meu pai mudou de motocicleta e loirinho, de olhos azuis e um cabelo mais ou menos inspirado em James Dean, fascinando a estudante de licenciatura, cujo pai tinha um sítio e vivia pra cima e pra baixo, fazendo campanha política para Miguel Arraes.

Com poucos meses de gravidez, na foto acima, meus pais provavelmente ainda não tinham muito clara a idéia do quanto o Brasil que eles amavam iria mudar. Cinco meses antes do meu nascimento, o Brasil afundava numa ditadura que viria a ser truculenta, criminosa e impressionantemente sádica.
Meu pai era um idealista, um poeta, e eu cresci ouvindo a história da minha mãe com a barriga enorme, queimando os livros “comprometedores” do meu pai e tentando apagar os rastros de um bancário que nunca foi militante político, mas que nunca tinha medo de falar e falava muito. Coisa perigosa em tempos de repressão… e que ainda iria piorar muito.

Eu nasci em 14 de agosto de 1964. Meu pai cantava:
“Mulher, vou dizer quanto eu te amo
Cantando a flor
Que nós plantamos
Que veio a tempo
Nesse tempo que carece
Dum carinho, duma prece
Dum sorriso, dum encanto“
(Chico Buarque de Holanda)
Minha primeira música e meu nome (homenagem à filha de João Goulart) anunciavam os tempos em que eu ia crescer.
Eu ainda estava no berço e as meninas de 16 anos preferiam ir pra bailinhos dançar ao som de Celly Campelo, quando Dilma Roussef, garota privilegiada financeiramente, entrava na organização socialista POLOP – Política Operária e começava uma história de resistência, da qual eu me sinto devedora.
Minhas lembranças de crescer numa ditadura militar são confusas. Não lembro de palavras, mas de sensações. Do medo da minha mãe, da raiva do meu pai, da angústia dos vizinhos barbados e sempre sérios, que ouviam Raul Seixas e sumiam, de vez em quando. Lembro de um clima pesado, triste, solene. É um sensação que, aparentemente, as novas gerações não conseguem entender.

Lembro das intermináveis aulas de Moral e Cívica, de ter que cantar o hino e hastear a bandeira em fila, todos os dias antes da aula, caindo de sono e das fotos anuais, cercada de símbolos patrióticos. Também lembro da minha mãe, nervosa, me proibindo de repetir a piada que eu tinha ouvido: “Como mede-se um burro?” =)

Mas, a imagem mais marcante da ditadura, pra mim, foi um dia, passando num ponto de ônibus, quando vi um cartaz cheio de fotinhas pequenas de moças e rapazes e perguntei quem eles eram, minha mãe deu uma resposta atravessada, eram pessoas procuradas pela polícia. Então, deviam ser perigosas. Medo.
Enquanto a censura escondia, como dava, da minha família e de todo Brasil o que estava acontendo, essa sensação de angústia e peso, que percebia nas músicas e que rondou minha infância tinha suas razões. Vivíamos tempos de muita dor.
Hoje, eu fico muito, muito triste ao ver as pessoas “acusando” a Dilma de ser uma “terrorista”, “assassina”, “assaltante de banco.
Não é pena da Dilma, que essa vai ser eleita presidenta do Brasil. Essa já tem o crédito de mais de 40% dos brasileiros e a gratidão de milhões de pessoas que, como eu, reconhecem o papel que ela e outras meninas e meninos tiveram na história do Brasil, para que possamos hoje viver numa democracia.
Tenho pena das pessoas que não conseguem (ou não querem) entender o que foi viver em época de ditadura, tendo sonhos de liberdade. Pena de ver a história sendo deturpada e incompreendida. Parece que as pessoas perderam a dimensão do que foi essa ditadura sádica e que matou quase 300 pessoas que tinham uma vida inteira pela frente, destruindo suas famílias e deixando muitas mães órfãs.
Não, esses “guerrilheiros” não eram perfeitos, nem tinha como ser. Muitos eram quase crianças. Imaginem os meninos de menos de vinte anos, hoje, tendo que lutar contra uma repressão brutal. Eles viviam numa pressão e num contexto de não ver saída e, ainda assim, não querer entregar o Brasil aos militares assassinos. Deram a vida, passaram anos presos, foram torturados.
Sim, eu tenho muito orgulho de ter uma presidenta que lutou contra essa ditadura. E, agora, ainda mais. O termo “guerrilheira” ganha outra dimensão, após a tentativa da mídia golpista de usar esse período da sua história para derrubá-la nas eleições. Dilma era uma “guerrilla girl” como está escrito em minha camisa e eu me arrepio ao vê-la falar do que foi ter de mentir, sob tortura, para salvar os companheiros.
Não voto em Dilma porque sou petista, nunca fui nem tão militante ativa. Também não voto em Dilma porque ela é candidata de Lula. Voto em Dilma com toda a convicção de que ela é a mulher que eu quero ver presidenta do Brasil. Como não poderia deixar de ser, não é perfeita. Mas ninguém é e faz parte do aprendizado de tolerância, aceitar uma imperfeição aqui, outra ali.
Eu acredito que Dilma será uma presidenta tão boa quanto foi Lula e a sua história só demonstra o quanto ela tem garra e princípios.
E, para quem não sabe – ou esqueceu – veja um pouco, no link abaixo, o que era viver num período de ditadura e ser submetid@ a torturas, por pensar diferente e querer outros caminhos para o Brasil. Assaltar um banco não é nada, perto da selvageria que a ditadura militar implantou. Não é terrorismo, é reação, é luta pela sobrevivência.

“Você corta um verso / Eu escrevo outro
Você me prende vivo / Eu escapo morto
De repente / olha eu de novo
Perturbando a paz /Exigindo o troco.”
(Pesadelo – Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)

(Sônia Maria Lopes de Moraes, morta em 73, encontrada no DOPS/SP)
Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.
Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)
Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.
Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.
O vídeo é pra gente não esquecer. Fico tão triste quando leio as pessoas confundindo a resistência à ditadura militar com terrorismo. Mas, volto a isso em breve (estou completamente sem tempo, nesses dias, de volta de uma longa viagem). Guentaí.

A garota guerrilheira brasileira.
Fiz essa camiseta usando a foto publicada na ÉPOCA. A revista tentou jogar o povo brasileiro contra a candidata, a “acusando” de ser guerrilheira. Eu, que vivi minha infância e parte da adolescência na ditadura militar só tenho a agradecer a pessoas que, como Dilma, resistiram como puderam aos brucutus criminosos militares.
Numa virada espetacular, essa imagem foi distribuída nas redes sociais e virou símbolo da luta contra as tentativas frustradas da mídia golpista de derrubar Dilma e o PT.
Pra fazer a sua camiseta também, pegue aqui o arquivo (com a imagem já invertida), imprima num transfer (ou leve numa loja que imprime, em vários lugares do país) e bote em uma camiseta, mostrando seu orgulho por ter Dilma a próxima presidenta do Brasil =)
Esse vídeo explica como fazer, tá em inglês, mas as imagens são auto-explicativas. Só uma dica, acho que deveria ter passado o ferro por mais tempo, achei que ela ficou meio “plastificada”
Se fizer a sua, mande a foto e eu publico aqui.